Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
11 setembro 2012
Arménio Carlos e a CGTP lideram a oposição
Depois da conferência de imprensa do Ministro das Finanças, onde ficámos a saber que vamos pagar mais IRS, reduzir a remuneração mensal, despedir os contratados da função pública, aumentar o desemprego, etc., o PS veio, anodinamente, falar do que já tinha dito e avisado, para além de uma notícia em rodapé televisivo, numa metáfora perfeita daquilo em que se transformou o partido, sobre a audiência pedida ao Presidente da República, com carácter de urgência, assistimos a uma conferência de Arménio Carlos, que se transformou no verdadeiro líder da oposição.
Aguarda-se a todo o momento a implosão do PS ou (rezando a todos os santos) a explosão de fúria de todo e qualquer militante que tenha um mínimo de sangue nas veias. A radicalização da revolta em partidos de cariz antidemocrático, tal como é o PCP, tal como é o BE, não augura nada de bom para o futuro. O vazio da liderança no PS é um perigo para o regime democrático.
10 setembro 2012
Da lateralidade da austeridade
Há outras formas de fazer austeridade, honra seja feita a François Hollande.
(...) O jornal francês “Le Monde” diz que este é um plano “histórico” de “austeridade de esquerda”. Para reduzir a despesa em 10 mil milhões de euros, o presidente francês ordenou o congelamento dos gastos em todas as áreas do Estado, com excepção para a Educação, a Justiça e a Segurança.
O esforço será repartido entre aumento dos impostos sobre os rendimentos mais elevados, congelamento das despesas públicas em todas as áreas excepto na Educação, Justiça e Segurança e agravamento dos impostos sobre os lucros não reinvestidos pelas empresas. (...)
(...) Hollande comprometeu-se a recuperar o crescimento económico em dois anos e pediu aos sindicatos que participem no esforço, permitindo que as negociações cheguem a bom porto. As medidas que estão em discussão com os sindicatos e patrões tem a finalidade de aumentar a flexibilidade das empresas, fomentando a sua competitividade face ao exterior e potenciando o crescimento, com vista a aumentar o emprego. Mas em contrapartida, no acordo, até poderá haver um reforço da segurança contra o despedimento.
“Se este compromisso histórico for alcançado até ao final do ano, esta reforma receberá força de lei”, disse Hollande na entrevista citada pela Bloomberg. “Mas se os parceiros não concordadem, então lamento, mas o Estado vai assumir as suas responsabilidades”, afirmou.
Das remodelações necessárias
O CDS procura uma forma de se desligar da coligação governamental, de forma a aparecer, aos olhos dos cidadãos, como mais um dos enganados pelo PSD. A crise política avizinha-se.
Não basta ao PS mudar de líder. É essencial que o faça, é indispensável que se movimentem as alternativas, que se esqueçam as contabilidades e os calculismos das facções: onde estão Ferro Rodrigues, António Costa, Francisco Assis, só para citar alguns?
Mas é igualmente indispensável que os partidos à esquerda do PS, os partidos não democráticos, se desfaçam e refaçam, se desmontem e remontem, elegendo líderes responsáveis, que abram os olhos para o novo século e deixem de suspirar pela irrealidade de um passado que nunca existiu. É com certeza possível uma plataforma mínima de consenso numa área política em que os valores do respeito pela democracia e pela liberdade de expressão, pela igualdade de oportunidades e pelo papel de um estado social que garanta a todos os seus direitos mais fundamentais, sejam uma realidade.
Vivemos numa democracia e é a democracia que deve funcionar. Não anseio por manifestações de caceteiros, com destruição de lojas e automóveis, recontros mais ou menos selvagens entre manifestantes e polícia. Mas a revolta da população é palpável e se não se vislumbrarem quaisquer alternativas, o mais certo é multiplicarem-se e descontrolando-se os desesperos.
09 setembro 2012
Um dia como os outros (118)
(...) Há um caminho, não pode ser dito em voz alta, mas há um caminho definido: é preciso esmagar os salários, é fundamental empobrecer violentamente, sobre todos, quem trabalha por conta de outrem. O que é preciso é chegar a um limite em que cada um de nós estará disposto a trabalhar dezoito horas por uma côdea. Para que esse homem novo surja é preciso destruir a economia, criar ainda mais desemprego, forçar mais empresas a falir (a taxa de IVA para a restauração está a cumprir na íntegra a sua função, por exemplo) e depois da destruição total da economia, como por milagre, tudo será maravilhoso. (...)
A mudez perante o indizível
Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...