10 setembro 2012

Das remodelações necessárias

 


O CDS procura uma forma de se desligar da coligação governamental, de forma a aparecer, aos olhos dos cidadãos, como mais um dos enganados pelo PSD. A crise política avizinha-se.


 


Não basta ao PS mudar de líder. É essencial que o faça, é indispensável que se movimentem as alternativas, que se esqueçam as contabilidades e os calculismos das facções: onde estão Ferro Rodrigues, António Costa, Francisco Assis, só para citar alguns?


 


Mas é igualmente indispensável que os partidos à esquerda do PS, os partidos não democráticos, se desfaçam e refaçam, se desmontem e remontem, elegendo líderes responsáveis, que abram os olhos para o novo século e deixem de suspirar pela irrealidade de um passado que nunca existiu. É com certeza possível uma plataforma mínima de consenso numa área política em que os valores do respeito pela democracia e pela liberdade de expressão, pela igualdade de oportunidades e pelo papel de um estado social que garanta a todos os seus direitos mais fundamentais, sejam uma realidade.


 


Vivemos numa democracia e é a democracia que deve funcionar. Não anseio por manifestações de caceteiros, com destruição de lojas e automóveis, recontros mais ou menos selvagens entre manifestantes e polícia. Mas a revolta da população é palpável e se não se vislumbrarem quaisquer alternativas, o mais certo é multiplicarem-se e descontrolando-se os desesperos.


 

09 setembro 2012

Um dia como os outros (118)




(...) Há um caminho, não pode ser dito em voz alta, mas há um caminho definido: é preciso esmagar os salários, é fundamental empobrecer violentamente, sobre todos, quem trabalha por conta de outrem. O que é preciso é chegar a um limite em que cada um de nós estará disposto a trabalhar dezoito horas por uma côdea. Para que esse homem novo surja é preciso destruir a economia, criar ainda mais desemprego, forçar mais empresas a falir (a taxa de IVA para a restauração está a cumprir na íntegra a sua função, por exemplo) e depois da destruição total da economia, como por milagre, tudo será maravilhoso. (...)




Pedro Marques Lopes



Inação

 




border dynamics


Alberto Morachis


Guadalupe Serrano


 


Meço a rotina pelas pedras da calçada


endireito os ombros que se curvam


na directa proporção


da solidão.


 


Aprendo a angústia pelo caminho que se desfaz


e nas poucas árvores onde descansam sombras.


Não há mais esperas que sustenham


esta imparável queda para a inacção.

Da vacuidade do discurso

 



 


Ao fim deste tempo todo, o líder do maior partido da oposição, num discurso com 18 páginas, proferido numa iniciativa partidária, resolveu dignar-se a expor-nos o seu pensamento sobre as medidas anunciadas na 6ª feira pelo Primeiro-ministro. Aconteceu à página 8:


Meus caros camaradas e amigos.


Quero ainda referir-me à comunicação que o PM fez ao país.


 


Na pág. 14 somos esclarecidos:


Quero afiançar aos portugueses que não somos, nem seremos cúmplices das opções políticas erradas do actual Governo.


 


Portanto, António José Seguro não achou necessário agendar uma comunicação ao país acerca deste assunto. Envelopou-a numa enorme quantidade de lugares-comuns, num evento em decurso. Assim se percebe a importância que para ele representam estas medidas. Para além disso, ninguém ficou a saber o significado da enigmática expressão não ser cúmplice.


 


António José Seguro deve, de imediato, ser deposto como líder do PS. Ou o PS será deposto pela população portuguesa.


 


Nota: Escaparam-me estas diplomacias:


O PS “opõe-se ao conjunto destas medidas e ao que elas significam”. (pág. 13)


(...) É tempo de separar as águas de um modo ainda mais claro. (pág. 14)


(...) Este não é o nosso caminho. O PS não pode pactuar com um caminho que discorda e que tem combatido. Assim não!
O Governo não muda. Esticou a corda e o PS prefere, com toda a clareza e normalidade, um caminho alternativo. (pág. 14)



Inverno


Astor Piazzolla & Pitango Quartet

Quatro Estações - Inverno Portenho

Da brutalidade do silêncio

 



 


Do líder do PS, António José Seguro, nem uma palavra. Uma entrevista, uma conferência de imprensa, um discurso, algo que nos esclareça sobre o que pensa das medidas anunciadas por Passos Coelho, quais as alternativas que preconiza, qual a atitude do PS na Assembleia, como canalizará a descrença, o medo e a angústia de todos os que sentem, dia a dia, a esperança a morrer.


 


O PS não pode continuar à espera do António José Seguro desaparecido, em estupor ou coma, sem a mais pequena noção de que o seu silêncio faz engrossar as fileiras daqueles que se levantarão em raiva e ira, sem querer saber de liberdades, direitos e garantias, sem querer saber da democracia, apenas ansiando por uma réstia de segurança na vida, por escassa que seja. Não é possível que o partido charneira em todos estes anos de democracia se mostre acossado e encurralado pela total incapacidade do seu líder.

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...