13 julho 2012

A excelência dos conteúdos*

 



 


O caso Relvas, mais do que Relvas é Lusófona, que mais do que Lusófona é credibilidade do ensino privado. Independentemente do que possamos pensar do ministro Relvas (lembremo-nos do que disse de José Sócrates, cujo caso foi aproveitado pelos jornalistas e pelos partidos políticos para o destruir, tal como agora está a acontecer com ele), a responsabilidade da atribuição de equivalências para a licenciatura é do Conselho Científico da Universidade Lusófona.


 


Ou seja, ficaram bastante claros os critérios de qualidade e excelência pelos quais se guia a referida Universidade. O que é triste e esclarecedor, é o público ter ficado a saber desse assunto a propósito da luta política suja, que se banalizou na anterior legislatura pela mão dos opositores a Sócrates, e não por qualquer trabalho sério de investigação à qualidade do ensino universitário. Será que foi apenas Miguel Relvas a beneficiar desses critérios? Não haverá outras pessoas - jornalistas, comentadores e opinantes profissionais, políticos de outros partidos - cujas licenciaturas, mestrados ou doutoramentos tenham sido conseguidas de forma semelhante? Onde está o verdadeiro escrutínio público a determinadas práticas nacionais, que são toleradas por todos até serem repudiadas pela necessidade de perseguição e assassinatos de carácter?


 


Não tenho qualquer simpatia por Miguel Relvas. Se acreditasse em Deus, achava que ele estava a ser alvo da justiça divina. Não me interessa se ele fez ou não uma licenciatura facilitada, desde que não tenha cometido nenhum ilícito. Mas acho da maior relevância a revelação da inqualificável mediocridade que grassa nestas instituições.


 


*Parafraseando Mário Crespo



Declarações políticas

 



 


Que tipo de rendimentos devem ser taxados, para reduzir o défice e financiar os serviços públicos é, de facto, uma questão política. Mas são essas opções que diferenciam a esquerda da direita. Aguardo que o PS explicite as suas opções para uma verdadeira alternativa ao poder existente.


 

12 julho 2012

Em defesa do SNS

 


A greve dos médicos é a demonstração inegável de que os médicos defendem o SNS. Não estou de acordo com tudo o que o Bastonário diz sobre algumas das medidas deste governo, tal como a concentração de meios e o fecho de algumas instituições, nomeadamente a Maternidade Alfredo da Costa. Entendo que são medidas necessárias e que são explicadas como garantia de qualidade assistencial, assim como gestão criteriosa de recursos humanos e outros.


 


Mas as medidas que reduzem e condicionam a igualdade de acesso à saúde, por todos os cidadãos, as que reduzem a qualidade da formação médica, da formação de serviços escalonados em experiência e saber, as que destroem a carreira profissional, trave mestra dessa mesma diferenciação e qualidade, são objectivamente contrárias à própria essência do SNS. Não se percebe, pelo menos eu não percebo, porque é que o ministério não desbloqueia a discussão das grelhas salariais para os horários de 40h/semana. Aliás nunca percebi porque é que não se dá prioridade a estes horários, em vez dos de 35h, tal como não entendo que se mantenha a mistura entre público e privado.


 


As opiniões que dão conta da ganância dos médicos, ditadas por má fé ou ignorância, não têm afectado a enorme calma com que a população aceita esta greve. Sacrifícios todos fazem e todos estão disponíveis para fazer, desde que entendam que o que é prioritário se mantém. O SNS é uma prioridade da nossa sociedade democrática.


 


A democracia está no Parlamento, enquanto casa dos nossos representantes. Não aceito que Francisco Louçã instrumentalize a greve dos médicos. Não me revejo nas suas palavras. A rua é muito importante numa democracia, mas não são as manifestações que fazem a democracia. Francisco Louçã, aliás, foi um dos grandes obreiros da subida ao poder deste governo, pela sua actuação na anterior legislatura. É até irónico que tenham sido os partidos profetas da destruição do SNS - PCP e o BE - que contribuíram indirectamente para a efectivação dessa política.


 


Penso que o Ministro deve entender que os médicos tudo farão para manter o SNS. Estamos a tempo de fazer acordos e de trabalhar para que o SNS seja remodelado, alterado, melhorado, mas não deturpado e destruído. O SNS é a única garantia que todos têm direito à saúde que, mais que constitucional, é um direito humano.

08 julho 2012

Um dia como os outros (114)

 



 


(...) Por isso, afirmo, e mantenho, que a “doutrina Expresso” é errada. E é perigosa. E prefiro acreditar que esta “teorização” jornalística foi resultado da precipitação e da cólera, e não de uma convicção real sobre o jornalismo e o seu papel.


 


Vai e vem (via Valupi)


 

Reunem-se os Aventais

 



As reuniões têm-se sucedido, secretas e buliçosas, onde as colheres e as batedeiras rivalizam com ovos, farinha e açúcar. A crise abunda e não há tempo para delongas. Somam-se experiências para aproveitar, reciclar, adoçar, saborear, utilizando ingredientes, fragrâncias e paladares na prossecução dos ideias da Grande Cozinha Semanal. A investigação internáutica é essencial para a elaboração dos projectos.




Por vezes, divulgam-se algumas actas. A de hoje passou por entre os ruídos de aprovação deleitada, que distraíram os Aventais mais rigorosos.


 


Tarte de ameixas


Ingredientes:


Massa:


1 folha massa quebrada (qualquer uma já preparada, daquelas que se compram nos hipermercados)


Recheio:


10 a 14 ameixas maduras (cortadas em metades sem caroço)


30ml de aguardente, conhaque, rum, vodka...


20g + 100g de açúcar


2 ovos


200ml de natas


30g de farinha


Preparação:


Retira-se a massa quebrada do frigorífico e forra-se uma forma de tarte, mantendo o papel.


Numa frigideira espalha-se o açúcar e colocam-se as ameixas descaroçadas e cortadas ao meio. Regam-se com a aguardente e levam-se ao lume brando, deixando-se cozer durante 5 minutos. Viram-se as ameixas e cozem outros 5 minutos, colocando-se depois sobre a massa.


Batem-se os ovos e o açúcar até obter um creme espesso e esbranquiçado. Adicionam-se as natas, sempre batendo, depois a farinha.


Deita-se o creme por cima das ameixas e leva-se ao forno (médio) cerca de 20 minutos.


Come-se só ou com gelado.

Médicos e SNS

 



 


O Ministério da Saúde e o Ministro Paulo Macedo desdobram-se em apelos, discursos e declarações de grande disponibilidade para o diálogo, para a abertura de concursos, até para as revisões salariais, depois de terem estado meses sem honrar os compromissos que tinham assumido na altura da desconvocação da greve às horas extraordinárias, mantendo, no entanto, propostas ambíguas e pouco consentâneas com as propaladas nos media. Repentinamente há reuniões marcadas ao domingo, numa tentativa de evitar uma greve que, depois da desastrada alusão à requisição civil, fez extremar a posição dos sindicatos.


 


Apesar das tentativas do PCP para instrumentalizar a paralisação, que Paulo Macedo e Passos Coelho não se iludam - esta é uma greve que surge em defesa de condições de trabalho e salariais, é claro, mas também da dignidade profissional, da qualidade assistencial e da equidade e igualdade de acesso ao SNS. É uma greve política, sim, porque defende princípios consagrados na Constituição, aquela que o governo não se importa de suspender para ir além da troika.


 

07 julho 2012

Conhecimento imaginário

 



 


Gostava de conhecer Pedro Tamen. Gostava de conhecer o seu silencioso estar, fora das televisões, dos blogues, dos facebooks, fora da incrível tentação de dizer coisas, muitas e importantes coisas, tão interessantes, literárias, mundanas e triviais, aquelas coisas que todos estamos sempre com tanta vontade de dizer.


 


Gostava de conhecer Pedro Tamen. Ou se calhar não. Gosto só da ideia, da imagem que tenho dele, por não ter nenhuma, a não ser da poesia que escreve e de que eu gosto tanto.


 


 


17.


No clandestino recanto


com que sentado labuto


os pespontos do meu canto,


 


neste perdido reduto


em que as mãos amadurecem


a peça que fugirá


das mãos dos que não merecem


para andar ao deus-dará


num universo de espanto


 


em que o amor vai curtido,


calado, surdo, tingido


de uma cor que é o sentido


da salvação que acalanto


 


- aqui me caio e levanto.

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...