Há muito que o jornalismo deixou de ter como objectivo a informação. E talvez este nunca tenha sido o único, mas apenas aquele que servia de cartão-de-visita para determinados posicionamentos políticos e ideológicos. Mas arrogar-se de um distanciamento científico e patriótico para servir uma determinada agenda, é menorizar a inteligência de quem ainda lê jornais.
No editorial de hoje o Diário Económico online, do alto da sua cátedra, discorre sobre o prejuízo para o país que será consequência das greves que se avizinham, misturando a dos pilotos da TAP com a dos médicos, a da Rodoviária de Lisboa e a da CP. Diz o editorialista (não identificado, por sinal), que o país precisa de trabalho, em vez disso assistindo ao regresso da política pura e dura, subentendendo-se como o regresso de todos os males.
Só que o próprio editorial é uma intervenção política, mascarada de análise, em que só falta dizer tudo pela Nação, nada contra a Nação, deixemos a política que só nos divide. A lavagem cerebral contínua que este tipo de artigos e comentários tentam, é bem a prova de que não existe jornalismo independente. Nada tenho contra, desde que estes interventores políticos se assumam como tal.