04 julho 2012

Jornalismo político

 


Há muito que o jornalismo deixou de ter como objectivo a informação. E talvez este nunca tenha sido o único, mas apenas aquele que servia de cartão-de-visita para determinados posicionamentos políticos e ideológicos. Mas arrogar-se de um distanciamento científico e patriótico para servir uma determinada agenda, é menorizar a inteligência de quem ainda lê jornais.


 


No editorial de hoje o Diário Económico online, do alto da sua cátedra, discorre sobre o prejuízo para o país que será consequência das greves que se avizinham, misturando a dos pilotos da TAP com a dos médicos, a da Rodoviária de Lisboa e a da CP. Diz o editorialista (não identificado, por sinal), que o país precisa de trabalho, em vez disso assistindo ao regresso da política pura e dura, subentendendo-se como o regresso de todos os males.


 


Só que o próprio editorial é uma intervenção política, mascarada de análise, em que só falta dizer tudo pela Nação, nada contra a Nação, deixemos a política que só nos divide. A lavagem cerebral contínua que este tipo de artigos e comentários tentam, é bem a prova de que não existe jornalismo independente. Nada tenho contra, desde que estes interventores políticos se assumam como tal.

03 julho 2012

Mato

 



T.A.G: The room


 


 


O que foi que nos atrasou neste tempo


de searas verdes de vinhas cansadas de mato em sangue?


O que foi que nos leram em infâncias


relembradas nos vagarosos lumes de anteriores Outonos?


Nem sempre os lamentos nos consolam


nem as rugas se prestam ao lento remar da melancolia.


 

Tanto mar

 


Pedro Adão e Silva é dos comentadores que mais gosto de ouvir. Também gosto das suas escolhas, na TSF. Quanto ao João Catarino, os seus traços são muito interessantes. Penso que não será só um bom livro de férias e para férias, mas um cheirinho de mar para todos os dias do ano. Vou tentar lá estar.


 



 

02 julho 2012

O livro do sapateiro (14.)

 



Pedro Tamen: O livro do sapateiro


 


A mão. É esta mão que percorre


a pele curtida por anos,


por anos de livres passos,


por ares de bosques e serras,


e vem aqui aninhar-se


entre estes dedos nodosos,


doridos, desajeitados,


que cumprem o seu dever


para nela pôr o ser


de uma nova liberdade.

Propaganda a funcionar

 


Se o valor de referência é 10€/hora, porque é que a ARSLVT negoceia com empresas e não diretamente com os profissionais?

Títulos alternativos (2)

 


Dívidas do Estado aumentam o buraco dos Hospitais


 


As despesas são responsabilidade da gestão de cada hospital. As receitas dos hospitais são provenientes do Estado, que tem que lhes pagar aquilo que contratualizou.


 


(...) As despesas até diminuíram em 207,1 milhões (-5,9%) até Maio. O problema é que as receitas caíram ainda mais: 337,6 milhões (-9,7%). (...)

Escravatura institucionalizada

 


Nós não contratamos enfermeiros, mas serviços de enfermagem.


 


A falta de respeito pelos cidadãos, os profissionais de enfermagem e a multidão de quem deles precisa, é revoltante. É o próprio Estado que institucionaliza o trabalho de escravo, e é para quem quer. Não há pessoas, há apenas serviços, ao mais baixo preço.


 


A dignidade deixou de ser um valor. António Borges tinha avisado. Por onde andam os movimentos sindicais, as greves e as manifestações? A FENPROF desapareceu e os restantes olham para a sua própria inutilidade, cavada por tantos anos de incúria e disparate.


 


Este é o tipo de política que levará ao incendiar do menor rastilho. Não basta a falta de rendimentos, não basta a quase impossível escolha de prioridades, faltava ainda o total desprezo pela dignidade de quem trabalha. E percebemos qual a qualidade que o Ministro Paulo Macedo garante para quem faz parte e para quem precisa do SNS - a do mais baixo preço.

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...