Reafirmando tudo o que escrevi ontem, há outra dimensão, e uma grande e fundamental dimensão, do caso Miguel Relvas, que é a política.
A promiscuidade entre as empresas, os serviços do Estado, nomeadamente os de informações, as máquinas partidárias, e a comunicação social, o sentimento de impunidade de tantas figuras das nossas elites, as trocas de favores que fazem o mundo dos bastidores do verdadeiro poder, o confisco da independência decisória, a negligência e incompetência dos nossos representantes - governo, oposição, etc. - estão patentes em toda esta embrulhada que pomposamente se apelida de caso das secretas.
Se defendo que o estado de direito deve estar ao lado de qualquer individual cidadão, seja ele quem for, não posso de deixar de estranhar, tal como os dois Pedros do Bloco Central, a actuação do Primeiro-ministro, que ficou refém de Miguel Relvas, e da oposição, nomeadamente do PS, que se demitiu de ter qualquer relevância no importantíssimo papel de fiscalizador da acção governativa.
Tudo parece uma brincadeira de mau gosto. Juntando as afirmações de António Borges quanto à necessidade de uma nova e mais drástica redução salarial com a derrocada da Espanha, não sei mesmo que quantidade de terra teremos que cavar para chegarmos ao fim do túnel e que forças nos sobrarão para rasgarmos a providencial janela.