05 março 2012

A derrota da crise (5)


2 de Março a 15 de Abril


Teatro Meridional


 


Um sonho ou um poema cénico, em que as narrativas se fragmentam em imagens que passam, se transformam e diluem.


São “poemas”  e sonhos de mulheres,  onde o feminino encontra os seus referentes em contos de fadas, nas deusas gregas e sempre nas mulheres de muitas histórias e de muitos lugares.


Povoado de símbolos que despoletam ou prenunciam diferentes acções, procurámos dar voz aos arquétipos, às imagens primordiais femininas, na constante repetição da mesma experiência realizada durante muitas gerações.


Diz a tradição que uma das missões dos Anjos é ajudar a humanidade a aproximar-se de Deus. Aqui, as mulheres são alguns dos “anjos” que têm fome do mundo e de si próprias.


 


Criação - Teatro Meridional


Encenação e Dramaturgia - Natália Luíza


Poemas - Al Berto, Fernando Pessoa, Herberto Helder, Gastão Cruz, Gonçalo M. Tavares, Teixeira de Pascoaes


Elenco - Ana Lúcia Palminha, Carla Galvão, Susana Madeira


Espaço Cénico e Figurinos - Marta Carreiras


Música original - Fernando Mota


Desenho de luz - Miguel Seabra


Vozes Gravadas - António Fonseca, Miguel Seabra e Natália Luiza


Fotografia - Nuno Figueira


Assistência de Encenação - Maria João Santos


Design gráfico e Vídeo - Patrícia Poção


Assistência de cenografia - Marco Fonseca


Operação técnica - Nuno Figueira
Montagem - Marco Fonseca e Nuno Figueira


Produção Executiva - Natália Alves


Direcção de Produção - Maria Folque


Direcção Artística TM - Miguel Seabra e Natália Luiza


04 março 2012

Congresso PSD

 


Será que há tantas indignações agora, com a eleição de Passos Coelho, candidato único à chefia do seu partido, vencedor anticipado com 95,5% dos votos, como houve na altura em que Sócrates foi candidato único e eleito com 95,3%?


 


Será que ninguém se preocupa com o kimilsunguismo do PSD? Com a falta de democracia interna do partido do governo?


 

01 março 2012

Em nome do pai

 



Porta de uma padaria em Sabrosa (01/03/2012) 


 


O meu nome, próprio e de família, da mãe e do pai. Aos 10 anos não pensamos nisso, aos 20 anos queremos ser nós, se possível nascidos de geração espontânea, sem peso de ecos, mesmo que por boas razões, aos 30 e 40 enchemos o nome com a vida, aos 50 sentimos o nome como continuidade.


 


De mãe e de pai nascemos, mas hoje ocupo-me do pai. Daquele pai ao serviço da Pátria e do Exército, que fez do serviço público a sua vida. Daquele pai com um nome que incomodava a minha independência, no nome que pesava quando me chamavam para os exames, do nome que granjeava admiração e respeito na altura em que eu me considerava filha de Deus e do Diabo. Daquele pai de quem tantas vezes discordei e muitas vezes ainda discordo. Daquele pai que me habituei a olhar com os valores que me ensinou desde que nasci. Daquele pai reto, convicto e brilhante, que falava de livros, países, História, filosofia, política. Daquele pai determinado e que não se acomodava ao poder, aos conhecimentos adquiridos, até à serenidade de uma velhice sem sobressaltos.


 


Hoje ocupo-me do pai que nasceu em Vilela do Douro, que foi hoje homenageado por Sabrosa. Daquele pai cujo percurso desfilou perante a assembleia, recitada por amigos e familiares, daquele pai que me doou algumas das caraterísticas que, por vezes, me transtornam a vida como transtornaram a dele, mas que nos fazem olhar a direito para o espelho sem corar.


 


Não gosto de falar do meu pai. Mas hoje ocupo-me de me sentir orgulhosa e emocionada por ter estado presente na homenagem que lhe foi feita. Não gosto de congratulações por empréstimo nem de me colar ao que não foi, por mim, atingido ou elaborado. Mas hoje chorei de contentamento pela emoção do meu pai. Hoje falo do importantíssimo papel que ele, tal como outros como ele, tiveram na nossa História coletiva, na implementação da nossa democracia. Imagino o empolgamento, a responsabilidade, a coragem, a determinação, as dúvidas, as certezas, a disciplina e a estatura moral que ele, tal como outros como ele, viveram, tiveram.


 


Não gosto de falar do meu pai. Mas hoje ocupo-me também de agradecer o seu exemplo, mais do que tudo o que ele me poderia dar. Hoje sou mesmo a filha do meu pai.


 

29 fevereiro 2012

Penacova

 



 


Da janela parede envidraçada, em frente ao vale do Mondego, o olhar perde-se. Este pequeno intervalo no nevoeiro quotidiano, mesmo que o sol não brilhasse e o dia não estivesse tão esplendoroso, seria gota de mel em língua amarga, sequiosa de doce.


 


Para além da vista deslumbrante, a chanfana estava muito boa, com batatas e repolho cozido, embora temperado com um pouco de azeite a mais. A nevada de Penacova foi a novidade menos satisfatória - um pouco seca; o café rematou muito bem a refeição. Além disso não foi preciso pedir fatura, pois saía automaticamente.


 

23 fevereiro 2012

A mulher da erva

 



José Afonso 


 


 


Velha da terra morena
Pensa que é já lua cheia
Vela que a onda condena
Feita em pedaços na areia
Saia rota
Subindo a estrada
Inda a noite
Rompendo vem
A mulher
Pega na braçada
De erva fresca
Supremo bem
Canta a rola
Numa ramada
Pela estrada
Vai a mulher
Meu senhor
Nesta caminhada
Nem m'alembra
Do amanhecer
Há quem viva
Sem dar por nada
Há quem morra
Sem tal saber
Velha ardida
Velha queimada
Vende a fruta
Se queres comer

A noitinha
A mulher alcança
Quem lhe compra
Do seu manjar
Para dar
A cabrinha mansa
Erva fresca
Da cor do mar
Na calçada
Uma mancha negra
Cobriu tudo
E ali ficou
Anda, velha
Da saia preta
Flor que ao vento
No chão tombou
No Inverno
Terás fartura
Da erva fora
Supremo bem
Canta rola
Tua amargura
Manha moça
.. nunca mais vem


 

Canta camarada canta

 



José Afonso 


 


Canta camarada canta
canta que ninguém te afronta
que esta minha espada corta
dos copos até à ponta

Eu hei-de morrer de um tiro
Ou duma faca de ponta
Se hei-de morrer amanhã
morra hoje tanto conta

Tenho sina de morrer
na ponta de uma navalha
Toda a vida hei-de dizer
Morra o homem na batalha

Viva a malta e trema a terra
Aqui ninguém arredou
nem há-de tremer na Guerra
Sendo um homem como eu sou


 

22 fevereiro 2012

A preocupação por Olivença

 



 


Não consigo perceber o que leva António José Seguro a atacar Passos Coelho por não ser um dos subscritores da carta de David Cameron, cujas sugestões são, pensava eu, o contrário do que o PS defende. Pelo contrário, António Jósé Seguro, que eu saiba e tenha encontrado após pesquisa pela internet, não se pronunciou sobre qualquer dos dois manifestos de que falei no post anterior.


 


Mas o PS e, provavelmente o seu líder, está preocupado com Olivença.


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...