18 janeiro 2012

Nomeação


 


Quando comecei este blogue não me passou pela cabeça que ele pudesse ser nomeado para qualquer coisa, muito menos pela sua/minha atividade política. Na verdade têm sido anos de grande ebulição cívica. Vem isto a propósito da nomeação, pelo Aventar - a quem agradeço - como um blogue de atualidade política, ultimamente pouco atual e cada vez menos político.


 


Se bem que estas nomeações acabam por ocorrer entre um pequeno grupo de blogues que se vão conhecendo e linkando, dentro de uma imensidão de outros muito mais atuais, muito mais bem escritos e informados, cultos, criativos, originais, etc. Mas é sempre agradável alguém pensar que podemos fazer parte da sua preferência.


 

Perplexidade

 



Ebon Heath: visual poetry


 


Posso guardar os olhos recusando a luz


posso desligar os ruídos ignorando o eco


posso incendiar os dedos rejeitando o toque


que nenhum sentido da inevitável inação


negará a dimensão desta imensa perplexidade.


 

17 janeiro 2012

Da poesia nua

 



Ebon Heath: Visual Poetry


 


 


 


Retiro adereços às palavras descarno sons e intenções


uso pinças e dentes sem delicadeza nem pudor


escancaro nervos e vozes mesmo as murmuradas.


 


Cruentos os versos que espirram nomes e solidão


nas paredes decalcados os olhos e a nudez


deste meu amor por tudo que de nada se desfez.


 

14 janeiro 2012

A pele que há em mim

 



 Márcia & J. P. Simões


 


 


Quando o dia entardeceu
E o teu corpo tocou
Num recanto do meu
Uma dança acordou
E o sol apareceu
De gigante ficou
Num instante apagou
O sereno do céu


 


E a calma a aguardar lugar em mim
O desejo a contar segundo o fim.
Foi num ar que te deu
E o teu canto mudou
E o teu corpo do meu
Uma trança arrancou
E o sangue arrefeceu
E o meu pé aterrou
Minha voz sussurrou
O meu sonho morreu


 


Dá-me o mar, o meu rio, minha calçada.
Dá-me o quarto vazio da minha casa
Vou deixar-te no fio da tua fala.
Sobre a pele que há em mim
Tu não sabes nada.


 


Quando o amor se acabou
E o meu corpo esqueceu
O caminho onde andou
Nos recantos do teu
E o luar se apagou
E a noite emudeceu
O frio fundo do céu
Foi descendo e ficou.


 


Mas a mágoa não mora mais em mim
Já passou, desgastei
Para lá do fim
É preciso partir
É o preço do amor
Para voltar a viver
Já não sinto o sabor
A suor e pavor
Do teu colo a ferver
Do teu sangue de flor
Já não quero saber.


 


Dá-me o mar, o meu rio, a minha estrada.
O quarto vazio na madrugada
Vou deixar-te no frio da tua fala.
Na vertigem da voz
Quando enfim se cala.


 

Para variar

 



 


Dois excelentes programas de rádio, na TSF.


 



 

Omnipotência e omnipresença

 



 


S&P corta rating a nove países, França perde AAA e Portugal passa a “lixo”


 


E que tal sugerirem o julgamento de Sócrates em todos os países da Europa? O homem arrasou e continua a arrasar...


 


Nota: Cuidado: ele anda aí, quem sabe em encontros inconfessavelmente maçónicos, para além de gastronómicos...


 

Capelinhos

 



Vulcão dos Capelinhos, 14-04-1958


 Luís Carlos Decq Motta


 


A propósito deste post, sobre a ilha Surtzey, lembrei-me do vulcão dos Capelinhos. Há já alguns anos visitei os Açores, incluindo o Faial. Ficou-me na memória o imenso areal cinzento, as casa soterradas, o espetáculo da devastação e do poder da Terra. Vi as fotografias da época e imaginei o terror e o fascínio de quem ali vivia e teve que emigrar.


 


Vale a pena ver alguns filmes que circulam pela internet sobre este fenómeno ainda tão recente. Deixo um deles, com as imagens em bruto.


 



 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...