Vivemos tempos muito assustadores e de regressão de direitos, liberdades e garantias. Agora pressionam-se os políticos a assumirem se são ou não maçons.
Pertencer à Maçonaria, à Opus Dei ou seja lá a que organização, secreta ou pública, é da esfera privada de cada um. Desde que não haja interferência com a causa pública, com as funções a que cada um se obriga, é a lei que deve prevalecer. Será que também têm que declarar se são ou não católicos, muçulmanos, budistas ou ateus, se comem coisas impuras, se gostam de beber vinho ou cerveja sem álcool? Terão que assumir a etnia, raça, preferências sexuais? Em Portugal ser-se político significa estar-se permanentemente sob suspeita. O apelo à transparência total é demagógico e perigoso. A esfera da vida privada é um direito de todos e os políticos não têm direitos diminuídos por o serem.
Se há tráfico de influências, corrupção ou troca de favores isso terá que ser investigado, julgado e punido, Nas secretas ou no parlamento, nas empresas públicas ou nas privadas. Tudo o resto é uma forma de desviar a atenção da verdadeira política, por quem não a sabe nem a quer fazer.