08 dezembro 2011

Em perda

 


O episódio entre o Governador do Banco de Portugal e o Deputado João Galamba é mais um dos sinais da forma como, nos dias que correm, a actividade política é desconsiderada.


 


Ser Deputado tem uma cotação parecida com a avaliação que as agências de rating fazem de Portugal - lixo. Pelo contrário, ser-se economista, gestor ou equivalente, confere de imediato um estatuto, uma importância e uma competência automáticas, independentemente da valia específica do profissional. Portanto, ser-se inconveniente e desrespeitador para um deputado é o que se impõe, até porque, por definição, a tecnocracia é detentora da razão.


 


O mais triste é que o PS e José Sócrates, muito particularmente, têm grandes responsabilidades na violência e ofensiva da linguagem parlamentar. Será muito difícil, nesta onda retrógrada, conservadora, arrogante e deselegante, reverter a situação. Mais uma vez perde a democracia.


 

04 dezembro 2011

Viver mediterrânico

 


Temos tendência a admirar outros países mais ordenados, mais organizados, mais trabalhadores, com muito mais poder económico, aquilo a que chamamos a Europa civilizada, em oposto ao nosso país e à nossa sociedade, que reputamos de subdesenvolvida, gastadora, consumista e preguiçosa.


 


É notícia o aumento do desemprego entre as empregadas domésticas por causa da crise económica que atravessamos. É compreensível que assim seja, pois a classe média que mantinha uma empregada doméstica deixa de ter capacidade económica para a sustentar. Começa por lhes reduzir as horas mensais, deixa de lhes pagar subsídios e acaba por prescindir dos seus serviços. Ouvi já muitas vezes citar os exemplos de países como a Bélgica, a Holanda, a Noruega, a Dinamarca, em que praticamente não existe esta profissão. O que talvez também não exista nesses países é a quantidade de pessoas com baixas qualificações que, ao perderem este emprego, não encontram outro. É claro que se deve investir na educação e na formação de todos os cidadãos, mas a existência deste tipo de empregos, numa sociedade como a portuguesa, contribui para o equilíbrio social.


 


Tal como o hábito de comer fora, desde o pequeno-almoço ao jantar. Os pequenos cafés de bairro são locais de convívio e de aconchego para muitas pessoas, nomeadamente para os idosos. Para além dos postos de trabalho que criam, mantém uma rede de acompanhamento de proximidade, de cumplicidade de vizinhos, que permite a assistência rápida a quem dela precisa, refeições a baixo preço e o mitigar da solidão de tanta gente.


 


A substancial redução de rendimentos a que estamos forçados vem romper estas redes sociais e de trabalho, alterar uma forma de vida que não se substituiu rapidamente nem sem enormes custos. E talvez como a dieta mediterrânica, que muitos cientistas acabam por indicar como muito boa e equilibrada, o modus vivendi mediterrânico seja melhor do que, nesta altura, nos querem fazer crer.


 

Um dia como os outros (105)


(...) Só tenho pena que o proselitismo religioso tenha transformado um abnegado trabalho de militares da Força Aérea e Marinha em consequência de um qualquer ditame divino. Só faltou dizer que a qualidade superior da balsa e dos seus meios de sobrevivência tinham sido induzidos, eles também, pela senhora dos navegantes. As atitudes determinadas e correctas do mestre da embarcação uma inspiração da senhora de Fátima...Contudo ninguém fala da tempestade marítima que os pobres tiveram de suportar durante três dias. Aí não houve divindade que amainasse o temporal...devia pertencer a outro departamento. (...)


 


Miguel Gomes Coelho


 

03 dezembro 2011

Eles é que são os Presidentes das Juntas

 


A reforma da organização administrativa do país, com a alteração do número de freguesias, de concelhos e de distritos, é indispensável a um correto planeamento de gestão de recursos, às avaliações de investimentos em infraestruturas, à reocupação do interior, à alteração e correção dos círculos eleitorais, aproximando mais a realidade populacional dos seus representantes. É também aquela que está mais dependente das malhas e das cumplicidades e corrupções partidárias, a que está mais refém de caciques locais e trocas de favores.


 


 


A manifestação a que se assistiu hoje, com a vaia ao Ministro Miguel Relvas era expetável, queira ele fazer qualquer coisa que seja a esse respeito. Tal como o foram as tentativas de reforma na educação e na saúde das anteriores legislaturas. Nessa altura o PSD de Miguel Relvas vaiou, perseguiu e vilipendiou os Ministros respetivos, não se apercebendo que estava a empolar o satus quo, não só boicotando as reformas como impedindo que elas se fizessem por muito mais tempo.


 


 


Espero que o PS guarde os consensos e os apoios oposicionistas para aquilo em que, de facto, ele é indispensável, como no caso em apreço e não na aprovação do OE 2012.


 

Hello, Bang Bang, Goodbye

 


 


Hats & Chairs


 




Miguel Lima & Vasco Condessa

Mariana Lima & Afonso Cruz

Tiago Albuquerque & Gito Lima

 

O que dói às aves

 



Alice Vieira


 


Sempre amei por palavras muito mais


do que devia


 


são um perigo


as palavras


 


quando as soltamos já não há


regresso possível


ninguém pode não dizer o que já disse


apenas esquecer e o esquecimento acredita


é a mais lenta das feridas mortais


espalha-se insidiosamente pelo nosso corpo


e vai cortando a pele como se um barco


nos atravessasse de madrugada


 


e de repente acordamos um dia


desprevenidos e completamente


indefesos


 


um perigo


as palavras


 


mesmo agora


aparentemente tão tranquilas


neste claro momento em que as deixo em desalinho


sacudindo o pó dos velhos dias


sobre a cama em que te espero


 

Camelos de Presépio - Natal 2011

 


Mais uma vez a Barbearia mais conhecida do bairro decidiu promover o famoso Concurso de Natal.


 


Este ano os concorrentes não se fazem esperar, e já há alguns algumas bossas alinhadas na primeira fila.


 


O Quadrado defende-se em todas as circunstância e, também este ano, apresenta a concurso um camelo bastante festivo, para alienar das amargas agruras da época que se avizinha.


 


O regulamento está bem explícito.


 



 


A vitória é certa.


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...