03 novembro 2011

Repensar a Europa

Não parece haver saída para esta crise, com cada solução delineada pior que a anterior. A única certeza é a falta de consideração que a Alemanha e seus congéneres têm pelos países periféricos e a intoxicação das suas próprias opiniões públicas, que consideram os povos latinos como bandos de preguiçosos e malfeitores. A quem serve esta situação?


 


O Primeiro-ministro grego lançou uma bomba ao querer o apoio da população, ou apenas a acalmia social, para poder tentar aplicar o enésimo plano de austeridade, ao pedir um referendo. Pelos vistos não será feito, tal o susto que os seus opositores políticos, dentro e fora do PASOK, tiveram.


 


Talvez o exemplo de Papandreou devesse incitar à reflexão de outros responsáveis políticos, nomeadamente em Portugal. Tem havido bastante polémica sobre qual o voto do PS em relação à lei do OE 2012, multiplicando-se razões para a abstenção – da parte da direita – ou para o chumbo – do BE e do PCP. A estabilidade política, a assinatura do memorando e a redução da conflitualidade social são as justificações que se aduzem aos favoráveis da primeira hipótese. No entanto, o voto do PS não é necessário à aprovação do orçamento, tal como não me parece que o PS tenha capacidade para controlar manifestações de descontentamento, sejam elas quais forem.


 


O que eu esperaria da liderança do partido socialista seria a audácia de questionar se esta é a Europa que queremos construir. Talvez seja altura de olhar para a nossa adesão à União Europeia e, sem preconceitos, fazer uma avaliação do que se conseguiu e dos rumos que nos esperam. Queremos, de facto, uma União Europeia em que, quando alguém se lembra de consultar os cidadãos, provoca uma tal hecatombe? Queremos uma Europa em que as decisões são tomadas por 2 estados-membros? Queremos uma Europa estratificada e dividida entre bons e maus, corruptos e cumpridores, preguiçosos e empreendedores?


 


E importante lembrar que o PSD e o PS, assim como o Presidente Cavaco Silva, apesar das promessas pré eleitorais, não quiseram referendar o Tratado de Lisboa, num dos grandes erros políticos protagonizados por Sócrates. Não estamos numa União de países soberanos, que pratica a democracia, estamos dentro de uma união monetária que nos penaliza fortemente e nos impede de decidir o nosso próprio destino.


 


Não será este um importantíssimo tema de discussão política dentro do país? Porque o OE 2012 está obviamente aprovado. Se calhar deveríamos era debater abertamente a opção de deixarmos a moeda única, de procurarmos alternativas para esta Europa.


 

01 novembro 2011

You make me feel brand new

 



Simply Red 


 


My love


I'll never find the words, my love


To tell you how I feel, my love


Mere words could not explain


Precious love


You held my life within your hands


Created everything I am


Taught me how to live again


 


Only you


Cared when I needed a friend


Believed in me through thick and thin


This song is for you


Filled with gratitude and love


 


God bless you


You make me feel brand new


For God blessed me with you


You make me feel brand new


I sing this song 'cause you


Make me feel brand new


 


My love


Whenever I was insecure


You built me up and made me sure


You gave my pride back to me


Precious friend


With you I'll always have a friend


You're someone who I can depend


To walk a path that never ends


 


Without you


My life has no meaning or rhyme


Like notes to a song out of time


How can I repay


You for having faith in me


 

Zonas desconfortáveis

 


Nós por cá temos ideias muito mais inovadoras. Desde o encerramento do Metro a partir das 23 horas (nalgumas linhas a partir das 21 horas), até ao incentivo para emigrar, passando pela hipótese de aumento do horário de trabalho para 48 horas semanais, não nos falta originalidade.


 

O indizível susto da democracia (1)

 


Algo de muito errado e preocupante se passa quando o anúncio de um referendo num país europeu coloca a Europa em risco.


 


Tal como com o Tratado de Lisboa, os governantes têm medo dos resultados das consultas democráticas. O Primeiro-ministro grego sabe as dificuldades presentes e antecipa as futuras em relação à aplicação das medidas de austeridade necessárias a este novo acordo de ajuda à Grécia.


 


Neste momento todos estão confrontados com as suas responsabilidades: a Grécia e a União Europeia, governos e oposições. Se o motivo do anúncio do referendo foi a vontade de ouvir os cidadãos ou uma forma de, politicamente, tentar sobreviver a toda a contestação interna é, neste momento, irrelevante. A Grécia terá que viver com a sua resposta.


 


Será o último acto desta peça de teatro? A pedra que faltava tirar para o periclitante edifício europeu se desmoronar?


 

29 outubro 2011

A não perder

 



 

Prescrição por DCI (final cut?)

 


Como se pode constatar pelos posts anteriores, a prescrição por DCI é uma prática comum entre a grande maioria dos países europeus, assim como a substituição medicamentosa por farmacêuticos, a não ser que proibidas pelos médicos e/ou doentes. Salvaguardam-se ainda grupos de fármacos em que o uso de DCI não existe ou não se aconselha, tal como outros em que o mesmo se passa para a substituição de medicamentos.


 


Obviamente que o controlo de qualidade dos fármacos, genéricos ou quaisquer outros, é obrigatória. Em Portugal é da responsabilidade do INFARMED. Se algum dos intervenientes no processo de fabricação, prescrição e dispensa de medicamentos tem conhecimento de erros, irregularidades ou outras falhas, involuntárias ou criminosas, deve denunciá-los, pugnar para que sejam corrigidos e para que os prevaricadores sejam responsabilizados.


 


Penso que a legislação agora aprovada defende as boas práticas médicas e os doentes, contribuindo de uma forma decisiva para a sustentabilidade do SNS.


 

Ainda a propósito da prescrição por DCI (2)

 


Outros documentos, sites e organizações com informações úteis e interessantes.


 


Promotion of generics


 


Generics are seen as important products in the context of promoting the rational use of medicines. Two key measures for promoting generic use are international non-proprietary name (INN) prescribing and generic substitution.




  • In the case of INN prescribing, doctors are encouraged to prescribe by INN instead of the brand name. This measure exists in 22 EU Member States. In four countries (Estonia, Lithuania, Portugal and Romania) INN prescribing is mandatory.



  • In 21 EU Member States pharmacists may substitute an equivalent cheaper product, e.g. a generic or parallel imported product, for a prescribed medicine (in general an original product). In six countries (Denmark, Germany, Finland, Malta, Sweden and Slovakia) pharmacists are obliged to apply generic substitution—unless the patient or doctor opposes substitution, the latter only being possible under clearly defined conditions.



 


Survey on rational use of medicines in 27 EU Members States


 


Measures for promoting the rational use of medicines in the 27 EU Member States were surveyed in a report by the Gesundheit Österreich GmbH / Österreichisches Bundesinstitut für Gesundheitswesen (GÖG/ÖBIG – Austrian Health Institute) [Rational Uses of Medicines in Europe].


 


Their results showed that there are many different practices between the different Member States in the EU with regard to generic medicine policies. An overview is given in the table below:


 



 


For example, while most countries (22) advocate international non-proprietary name (INN) prescribing, relatively few (4) have made this obligatory, whereas generic substitution by the pharmacist is practiced in the majority of countries (21).


 


 


Some important details about "INN groups”



  • An "INN Group” is defined by the combination of three major characteristics: active substance (or combination of active substances), dosage and route of administration.

  • In some INN groups additional specifications may be important, such as modified release or the different vehicles for dermatological medicines. In these cases, the prescriber is required to make a choice. For other specifications (e.g. breakable, soluble, gastro-resistant ...), the prescriber must indicate freely his choices and preferences.

  • For some groups of medicines it is recommended to maintain the initial choice of medicine for continuing the treatment and to avoid shifts. These groups of medicines are designated by the code "NO_SWITCH”.

  • Some groups of medicines are not included in the INN prescription system. They are listed in the list of medicines ordered by the INN group with the code "NO DCI" / "NO VOS”.


Other relevant information can be found in the aforementioned note (DOC, 130 Kb). Clarification (PDF, 21.37 Kb) of some points of the note. List (PDF, 75.46 Kb) of authorised and marketed biological medicines.


 


 Nota: Todos os sublinhados são da minha responsabilidade.


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...