13 outubro 2011

Embuste

 


Não estou chocada, estou revoltada.


 


Este governo é o maior embuste de que eu tenho memória. O chumbo do PEC IV e a queda do governo, com a justificação da falta de credibilidade do Primeiro-ministro Sócrates e do seu Ministro das Finanças, da inacreditável carga de impostos a que eles nos obrigavam, com os sacrifícios que já não se podiam suportar, com a desconfiança dos mercados, foi pura e simplesmente uma enorme mistificação para o assalto ao poder.


 


Já todos sabíamos disso. Foi este o governo que os portugueses votaram. Foi uma mistificação que teve a cumplicidade e a participação do Presidente da República. Ainda hoje Passos Coelho teve a ousadia de culpar o anterior governo da derrapagem no défice. Não lhe passa pela cabeça que a redução do poder de compra, o aumento dos impostos e tudo o que o governo tem feito desde que chegou ao governo, nos levará apenas a mais e mais austeridade. Tal como está a acontecer à Grécia.


 


O memorando da Troika obriga a austeridade, obriga a reduzir os rendimentos, obriga a reduzir o consumo, o investimento, etc. Desta magnitude é da responsabilidade deste governo.


 


Desde 5 de Junho que a crise passou a ser a maior desde a grande depressão, que a Europa não sabe lidar com a crise das dívidas soberanas, que há a revolta contra a arrogância de Angela Merkel e Sarkozy.


 


Não estou chocada, estou revoltada. Mas a democracia é assim mesmo. Foi este o governo que o povo escolheu. Não sei é que povo sobrará após este governo, ou que País.

11 outubro 2011

Um dia como os outros (99)

 



(...) Está na hora de os Portugueses se questionarem por que razão tantos “poderosos” e “famosos” são absolvidos nos tribunais ou “salvos” por “deficiências” processuais, depois de ultra condenados na praça pública! A razão é simples: aqueles (ou aquelas) que os Portugueses tanto aplaudem por serem os justiceiros que finalmente estão a meter na ordem os ditos “poderosos”, têm-se dedicado mais a construir processos de intenções que culminam com condenações públicas sem direito a defesa condigna, do que a fazer processos jurídicos válidos, assentes em provas e factos e não em juízos de cariz pessoal. Em Portugal, tornou-se normal os processos estarem invertidos: primeiro cria-se a convicção e depois procura-se a prova. Assim, e como felizmente ainda existem muitos juízes corajosos e com espírito de missão na defesa dos pilares de um Estado de Direito, é natural que esses processos, mais tarde ou mais cedo, acabem por “morrer”. Mas, diga-se, quem acusa também não se preocupa muito com isso... Na verdade, sob o alto patrocínio de alguns meios de comunicação social cúmplices, a condenação pública já foi conseguida. No final, essa é que fica na memória colectiva...


 


Francisco Proença de Carvalho

Um dia como os outros (98)

 



(...) Vários dos nossos demónios da coisa pública, gente que não se importa de incendiar seja o que for para exibir uma opinião, têm por cá defendido a criminalização da política. Consoante as cores, alguns querem colocar Sócrates no banquinho, outros inclinam-se mais para lá sentar Jardim. Não se trata de fazer julgar qualquer pessoa por crimes que tenha cometido, seja presidente de câmara ou ministro; nem, por outro lado, se trata de tirar os "poderosos" das mãos da justiça. Trata-se de recusar absolutamente misturar julgamento político com tribunais. Temos repetido que isso é uma aberração, um caminho perigoso; pensamos que a tentativa de criminalizar a política é um ataque à democracia, um extremo de demagogia e de populismo que só pode piorar as condições da nossa vida em comum. Que as musas da liberdade nos salvem de cairmos nessa tentação. (...)


 


Porfírio Silva

09 outubro 2011

Alguma coisa mudou

 


Apesar da pesada derrota do PSD na Madeira, Alberto João Jardim mantém a maioria absoluta no Parlamento. PS, PCP e BE sofreram também enormes derrotas. Pelo contrário, o CDS afirma-se como a segunda força política.


 


Não sei o que vai acontecer, mas alguma coisa está a mudar.


 

Pelo cansaço

 



Romare Bearden: Uptown Sunday Night Session


 


Vencemos pelo cansaço os dias que nos ensinam a temer.


Vencemos pela paixão que não nos segura


a mão que oferecemos a mão que agarramos


a conversa antes do café da manhã


alguém a quem passas o que também te falta.


Vencemos pela consistência das certezas impensáveis


apenas o amor a beleza que nos une


apenas duas palavras para decidir que o outro


importa muito mais que a tua queixa.


Vencemos pela solidão do silêncio


com que abrimos a porta e convidamos a entrar.


 


Vencemos pelo cansaço os dias que nos ensinam a temer


e que nós sabemos glorificar.

Caso arrumado

 



Ana Moura


 


 


Não te via há quase um mês


Chegaste e mais uma vez


Vinhas bem acompanhado


Sentaste-te à minha mesa


Como quem tem a certeza


Que somos caso arrumado


 


Ela não me queria ouvir


Mas tu pediste a sorrir


O nosso fado preferido


Fiz-te a vontade, cantei


E quando à mesa voltei


Ela já tinha saído


 


Não é a primeira vez


Que começamos a três


Eu vou cantar e depois


O nosso fado que eu canto


É sempre remédio santo


Acabamos só nós dois


 


Eu sei que tu vais voltar


P'ra de novo eu te livrar


De um caso sem solução


Vou cantar o nosso fado


Fica o teu caso arrumado


O nosso caso é que não

Memórias

 



Paul De Koninck Lab 


 


Lembramos o sabor do gelado, numa manhã de Inverno, as lágrimas do irmão, acusado injustamente, o profundo cheiro amedrontado da sala de recobro. Lembramos o gesto preciso de guardar uma chave, os dedos presos no puxador da gaveta atravancada, mas esquecemos de imediato os dias seguintes, o retirar da mesma chave da mesma gaveta, um buraco no tempo que não conseguimos preencher. Lembramos vividamente circunstâncias e situações que comprovadamente não se passaram daquela exata forma.


 


Memórias construídas pela observação e aprendizagem do que se passou depois. Memórias construídas pelos estímulos emocionais que, ao desencadearem cascatas de sinalização, secreções proteicas e alteração espacial das sinapses, nos levam a lembrar atitudes, sorrisos e sensações, nem sempre correspondentes àquelas que, após um lapso temporal e a ausência de repetição dos mesmos estímulos, nos fazem olhar para a realidade com a memória apagada, distorcida, diferente.


 


Não existem boas testemunhas, pessoas que sejam capazes de reproduzir em documentário a ocupação do seu espaço e do espaço envolvente, pela sua vida e pela dos outros, baseada em acontecimentos. Mesmo no registo documental, os ângulos com que se olha, a abertura do diafragma, a inclinação da objetiva, estão condicionadas pela nossa memória.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...