28 agosto 2011

Tempo suspenso

 



Tiago Taron 


 


Ao fim da tarde, no burburinho do Bairro Alto, deambulando pelo Príncipe Real, devagar e contida em conversa silenciosa com quem me acompanha. Temos o tempo suspenso nas memórias reencontradas, vogamos sem rumo pelas percepções do outro eu, devagar, umas vezes subindo e outras descendo, pelas ruas do Bairro Alto.


 


Quem somos nem nós sabemos, os intrincados processos de entrelaço decorrem sem deles nos apercebermos. Um olhar aqui, outro acolá, em demanda de uma Fábrica de Chapéus, larga, de anúncio amarelo, jovem e tradicional a um tempo. Experimentam-se chapéus como quem toca ao de leve em confidências, umas mais floridas, outras mais cinzentas, de copa alta ou aba curta, sempre sem entregas histriónicas.


 


As portas das casas velhas escondem a vida que por ali habita sem sobressaltos visíveis. Paredes vivas que contam histórias de amizade e iniciação, mesas que servem mais do que simples refeições, cruzamos a tarde que abafa, antes do regresso ao quotidiano.

27 agosto 2011

I saved the world today




Eurythmics



Monday finds you like a bomb
That's been left ticking there too long
You're bleeding
Some days there's nothing left to learn
>From the point of no return
You're leaving

Hey hey I saved the world today
Everybody's happy now
The bad things gone away
And everybody's happy now
The good thing's here to stay
Please let it stay

There's a million mouths to feed
And I've got everything I need
I'm breathing
And there's a hurting thing inside
But I've got everything to hide
I'm grieving

Hey hey I saved the world today
Everybody's happy now
The bad things gone away
And everybody's happy now
The good thing's here to stay
Please let it stay

Let it stay
Let it stay
Doo doo doo doo doo the good thing

Hey hey I saved the world today
Everybody's happy now
The bad things gone away
And everybody's happy now
The good thing's here to stay
Please let it stay


Neste meu retiro, longe de tudo e de todos

 



Mário Máximo


 


Neste meu retiro, longe de tudo e de todos,


e sobretudo longe de mim,


tento o reencontro com as fontes.


O reencontro com as palavras do verbo


que aceitou criar-me.


Há em todos os regressos um segredo.


E é nessa demanda que descubro


a força e a razão para tão longo afastamento.


E vou descobrindo o sentido do meu


novo teorema: quanto mais longe do mundo, mais


perto de mim.

That's what friends are for

 



Dionne Warwick & Steve Wonder


Gladys Knight & Elton John 


 


And I 
Never thought I'd feel this way
And as far as I'm concerned I'm glad I got the chance to say
That I do believe I love you 

And if I should ever go away
Well then close your eyes and try to feel the way we do today
And than if you can't remember.....


Chorus:


Keep smilin'
Keep shinin'
Knowin' you can always count on me 
for sure
that's what friends are for
In good times
And bad times
I'll be on your side forever more
That's what friends are for


Well you came and open me


And now there's so much more I see
And so by the way I thank you....

Ohhh and then 
For the times when we're apart
Well just close your eyes and know
These words are comming from my heart
And then if you can't remember....Ohhhhh

Um desespero cândido exala dos meus instantes mais solitários

 



Mário Máximo


 


Um desespero cândido exala dos meus instantes mais solitários.


Um desespero de criança perdida ou, pior do que isso,


de criança abandonada.


É nessas alturas que algo de especial e sereno tem de ser feito.


Aprendi a deixar que as horas se esgotem


minimizando o tempo


e a inevitável angústia de o ver e sentir passar


em desespero.


Não podemos permitir que a ansiedade nos vença.


Sob pena de o desespero se tornar a nossa única condição.

26 agosto 2011

Choque histórico e colossal

 


Este governo tem tiques de linguagem idênticos a Francisco Louçã. É tudo colossal, desde o desvio nas contas públicas ao esforço de quem paga impostos extraordinários, e histórico, como o exemplo dos cortes nas despesas do estado.


 


Colossal e histórico é também a incapacidade dos diferentes e sucessivos líderes do PSD e Primeiros-ministros (do PS e PSD) incapazes de lidar com o histórico e colossal desplante de Alberto João Jardim.


 


Há também os choques, desde o fiscal ao reformista.


 


O BE terá que mudar de linguagem e de estilo. Esta coligação governamental é a revolução permanente, em directo.

23 agosto 2011

Um dia como os outros (94)


(...) O cancelamento das máquinas de pagamento automático, (...) deve-se, claro, à queda das vendas e ao Fisco. A pressão fiscal a que todos começam a estar submetidos num ambiente recessivo vai tornar a famosa curva de Laffer uma realidade na sua vertente menos desejável - sobem os impostos, cai a receita mais do que era esperado pela recessão. (...)


 


(...) A queda do consumo que reflecte as decisões dos pequenos comerciantes de desistirem das máquinas de pagamento electrónico é uma tendência certa que só podemos esperar que se agrave. Já menos certa é a subida das exportações. Espelho da conjuntura de crescimento do resto do mundo, o aumento das vendas para o exterior pode estar ameaçado com as nuvens que se começam a ver no horizonte financeiro. Uma recessão nos Estados Unidos, um abrandamento na Alemanha e uma aterragem brusca na China significam para Portugal contagiar a crise às empresas que exportam. Mas é isto que os investidores estão, neste Agosto, a profetizar. (...)


 


Helena Garrido


 


 


 


(...) Quanto às saídas, todos os dias aparecem conselheiros: que deveríamos iniciar uma purga de óleo de rícino e depois voltar a comer, mas só dieta, desmantelando o estado social que levou gerações a construir; que deveríamos deixar de investir em infra-estruturas, luxos a que não temos direito, mesmo que altamente subsidiados pela Europa; que deveríamos oferecer aos chineses a nossa dívida; que deveríamos adoptar uma diplomacia económica agressiva, vendendo mais para o Atlântico Sul, sem repararmos que, todo junto, ele não chega a 10% do que vendemos; há quem se lembre da China e Índia, sem sabermos como produzir sustentadamente para mercados que tudo absorvem, mas exigem continuidade e dimensão; e finalmente que deveríamos abandonar a zona euro, com ou sem negociação prévia, tornando as nossas exportações mais competitivas, sem fazer as contas ao custo da componente importada em tantos produtos de fraco valor acrescentado. (...)


 


António Correia de Campos


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...