27 agosto 2011

Um desespero cândido exala dos meus instantes mais solitários

 



Mário Máximo


 


Um desespero cândido exala dos meus instantes mais solitários.


Um desespero de criança perdida ou, pior do que isso,


de criança abandonada.


É nessas alturas que algo de especial e sereno tem de ser feito.


Aprendi a deixar que as horas se esgotem


minimizando o tempo


e a inevitável angústia de o ver e sentir passar


em desespero.


Não podemos permitir que a ansiedade nos vença.


Sob pena de o desespero se tornar a nossa única condição.

26 agosto 2011

Choque histórico e colossal

 


Este governo tem tiques de linguagem idênticos a Francisco Louçã. É tudo colossal, desde o desvio nas contas públicas ao esforço de quem paga impostos extraordinários, e histórico, como o exemplo dos cortes nas despesas do estado.


 


Colossal e histórico é também a incapacidade dos diferentes e sucessivos líderes do PSD e Primeiros-ministros (do PS e PSD) incapazes de lidar com o histórico e colossal desplante de Alberto João Jardim.


 


Há também os choques, desde o fiscal ao reformista.


 


O BE terá que mudar de linguagem e de estilo. Esta coligação governamental é a revolução permanente, em directo.

23 agosto 2011

Um dia como os outros (94)


(...) O cancelamento das máquinas de pagamento automático, (...) deve-se, claro, à queda das vendas e ao Fisco. A pressão fiscal a que todos começam a estar submetidos num ambiente recessivo vai tornar a famosa curva de Laffer uma realidade na sua vertente menos desejável - sobem os impostos, cai a receita mais do que era esperado pela recessão. (...)


 


(...) A queda do consumo que reflecte as decisões dos pequenos comerciantes de desistirem das máquinas de pagamento electrónico é uma tendência certa que só podemos esperar que se agrave. Já menos certa é a subida das exportações. Espelho da conjuntura de crescimento do resto do mundo, o aumento das vendas para o exterior pode estar ameaçado com as nuvens que se começam a ver no horizonte financeiro. Uma recessão nos Estados Unidos, um abrandamento na Alemanha e uma aterragem brusca na China significam para Portugal contagiar a crise às empresas que exportam. Mas é isto que os investidores estão, neste Agosto, a profetizar. (...)


 


Helena Garrido


 


 


 


(...) Quanto às saídas, todos os dias aparecem conselheiros: que deveríamos iniciar uma purga de óleo de rícino e depois voltar a comer, mas só dieta, desmantelando o estado social que levou gerações a construir; que deveríamos deixar de investir em infra-estruturas, luxos a que não temos direito, mesmo que altamente subsidiados pela Europa; que deveríamos oferecer aos chineses a nossa dívida; que deveríamos adoptar uma diplomacia económica agressiva, vendendo mais para o Atlântico Sul, sem repararmos que, todo junto, ele não chega a 10% do que vendemos; há quem se lembre da China e Índia, sem sabermos como produzir sustentadamente para mercados que tudo absorvem, mas exigem continuidade e dimensão; e finalmente que deveríamos abandonar a zona euro, com ou sem negociação prévia, tornando as nossas exportações mais competitivas, sem fazer as contas ao custo da componente importada em tantos produtos de fraco valor acrescentado. (...)


 


António Correia de Campos


 

Plano inclinado

 


As notícias sobre a execução orçamental são as que se esperavam - reduzem-se as receitas por causa da recessão económica, o que faz com que os impostos que aumentaram não rendam o que o governo esperava.


 


Infelizmente não são novidades. Também não é novidade que o desvio orçamental a que o Primeiro-ministro aludiu para justificar o imposto extraordinário (13º mês) não existe nem nunca existiu. É tudo bastante visual, de facto.


 


Novidade será as facturas que Miguel Relvas descobriu serem descobertas pelos deputados, caso eles as queiram visualizar.


 


E qual vai ser a solução? Desistimos dos investimentos, desistimos do Estado Social, enfim, do Estado, aumentamos os impostos, as privatizações aí estão. Qual vai ser a solução?


 


E a Europa?

22 agosto 2011

Avaliação rigorosa

 


A propósito de algumas das medidas anunciadas pelo Ministério da Saúde, é importante que Paulo Macedo esclareça a forma como vai fazer os cortes nas despesas hospitalares.


 


Os recursos humanos podem ser redundantes nalgumas áreas de alguns hospitais e serem absolutamente diminutos, mesmo insuficientes, noutras áreas e noutros hospitais.


 


É essencial que se perceba, em cada Hospital, porque se contratam médicos, enfermeiros, técnicos, auxiliares e administrativos, porque se pagam horas extraordinárias. Há serviços que sem essas horas e sem esses contratos deixam de cumprir os requisitos mínimos de qualidade para atenderem e tratarem doentes. Como há outros serviços que se deveriam fundir. Mas uma fusão significa um espaço único para um grupo de pessoas, ao contrário de algumas fusões feitas num passado recente que mantém os vários serviços, levando os médicos a correr a cidade de hospital para hospital, o que redunda no contrário do pretendido.


 


Estas reorganizações devem basear-se em avaliações rigorosas, caso a caso, sob pena de se inviabilizarem cuidados essenciais aos doentes do SNS.


 

21 agosto 2011

Thunder road



Bruce Springsteen & Melissa Etheridge


 


 


The screen door slams


Mary' dress waves


Like a vision she dances across the porch


As the radio plays


Roy Orbison singing for the lonely


Hey that's me and I want you only


Don't turn me home again


I just can't face myself alone again


Don't run back inside


Darling you know just what I'm here for


So you're scared and you're thinking


That maybe we ain't that young anymore


Show a little faith there's magic in the night


You ain't a beauty but hey you're alright


Oh and that's alright with me


 


You can hide 'neath your covers


And study your pain


Make crosses from your lovers


Throw roses in the rain


Waste your summer praying in vain


For a saviour to rise from these streets


Well now I'm no hero


That's understood


All the redemption I can offer girl


Is beneath this dirty hood


With a chance to make it good somehow


Hey what else can we do now ?


Except roll down the window


And let the wind blow


Back your hair


Well the night's busting open


These two lanes will take us anywhere


We got one last chance to make it real


To trade in these wings on some wheels


Climb in back


Heaven's waiting on down the tracks


Oh-oh come take my hand


We're riding out tonight to case the promised land


Oh-oh Thunder Road oh Thunder Road


Lying out there like a killer in the sun


Hey I know it's late we can make it if we run


Oh Thunder Road sit tight take hold


Thunder Road


 


Well I got this guitar


And I learned how to make it talk


And my car's out back


If you're ready to take that long walk


From your front porch to my front seat


The door's open but the ride it ain't free


And I know you're lonely


For words that I ain't spoken


But tonight we'll be free


All the promises'll be broken


There were ghosts in the eyes


Of all the boys you sent away


They haunt this dusty beach road


In the skeleton frames of burned out Chevrolets


They scream your name at night in the street


Your graduation gown lies in rags at their feet


And in the lonely cool before dawn


You hear their engines roaring on


But when you get to the porch they're gone


On the wind so Mary climb in


It's town full of losers


And I'm pulling out of here to win


 


Um dia como os outros (93)


(...) Agora um Governo de coligação de partidos à direita do espectro político e um Ministério da Saúde onde pontificam, segundo a imprensa, homens conotados com a Opus Dei, ambos zelosos no cumprir de compromissos rubricados com entidades financeiras e políticas internacionais, decidem, em dois singelos meses:



  • acabar com a experiência das PPP na área da Saúde e reavaliar as existentes

  • racionalizar a capacidade instalada no SNS quanto a Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica, dando uma machadada de dimensões ainda difíceis de calcular nos convencionados

  • fazer um cerco à prestação de serviços no SNS

  • introduzir Normas de Orientação Clínica

  • obrigar à redução das horas extra o que levará, obrigatoriamente, ao encerramento e fusão de serviços, incluindo Urgências


Não sabemos o que se seguirá embora o guião seja conhecido.


Todas as medidas listadas defendem objectivamente o SNS e foram tomadas por quem foi acusado de o ir destruir.


Conhecem, na História recente, maior ironia ideológica?


 


Carlos Arroz

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...