24 novembro 2010

Um dia como os outros (72)

 



O 29 de Setembro era para todos? Era. Pretérito imperfeito. Ontem, na discussão da especialidade do OE 2011, PS e PSD (o partido de Passos com o rabo entre as pernas) aprovaram uma norma de excepção: «Os trabalhadores das empresas públicas de capital exclusiva ou maioritariamente público, das entidades públicas empresariais e das entidades que integram o sector empresarial regional ou municipal...», vão ter os cortes salariais adaptados à sua natureza empresarial. O beneplácito de Passos Coelho é claro: Todas as empresas que estão numa área de competição, de concorrência, que vivem no mercado com outras empresas, têm de obedecer, não às mesmas regras dos institutos públicos ou da Administração Central, mas às regras do mercado. Confirma-se: a Caixa é um Estado dentro do Estado.


 


Também ontem, o ministro da Justiça deu a conhecer as alterações ao Estatuto dos Magistrados Judiciais e do Ministério Público. De acordo com as novas normas, «os magistrados com 60 anos e uma carreira contributiva de 36 podem jubilar-se sem penalização salarial.» Andam a brincar connosco?


 


Mas que quadros são esses que a Caixa Geral de Depósitos tanto teme perder? E qual é o problema de haver dezenas de conselheiros do Supremo Tribunal de Justiça a pedir jubilação antecipada? O país não tem 600 mil desempregados? Comentadores iluminados não dizem todos os dias que um em cada dez licenciados emigra? Está na altura de dar emprego a essa gente.


 


Eduardo Pitta

23 novembro 2010

A greve geral

 


Tenho lido em vários blogues o apelo à greve geral acompanhado da expressão sem medo. O recurso à greve é um direito de todos os trabalhadores e esta greve tem sido amplamente divulgada pelos vários órgãos de comunicação social, quase como uma incitação subliminar à adesão.


 


Pelo contrário, não fazer greve é olhado como uma capitulação às ameaças do grande capital, como uma desistência e uma cedência aos especuladores.


 


Poucas vezes terá tido a população tantas razões para o descontentamento. Uma crise internacional que, ao contrário do que parecia, fez regressar a austeridade, os cortes salariais, o aumento do desemprego. No entanto, será que a greve geral de amanhã é a melhor forma de mostrar o descontentamento e a desilusão, numa altura de grande aperto orçamental e de grande dívida pública? Além disso, qual o governo alternativo que não tomaria nenhuma destas medidas?


 


Não farei greve, considero a greve inoportuna e um enorme prejuízo para o país.


 

21 novembro 2010

Enfrentar (enfeitando) a crise



 


Verifico que há bastantes blogues criados para ensinar e estimular a poupança, que em tempos de crise se impõe.


 


O Natal é um excelente momento de teste às nossas capacidades criativas e à nossa resistência ao consumismo. Regressam o faça você mesmo, as malhas caseiras, sapatinhos de dormir, compotas, azeites aromáticos, reciclagem de latas, papéis e frascos variados, livros de cozinha, jogos didácticos, bonecos de trapos e algodão.


 


E porque não um desafio a blogues e bloguistas para puxarem pela imaginação e partilharem uma ideia natalícia bem poupada e adaptada à austeridade mais espartana? Vale tudo: desde ideias para prendas a orçamento reduzido a decorações sem gastar dinheiro, passando por ceias saudáveis, saborosas e em conta.


 


Dirijo-me a todos os que quiserem, mas lanço o desafio a algumas almas bem dispostas, porque a boa disposição (ainda) não paga imposto.


Animais de grande porte

 



 


Acordei hoje com uma notícia que deixou a locutora da TSF à beira de um incontrolável ataque de riso. Um comboio descarrilou, na zona de Niza, felizmente sem ferir qualquer dos 45 passageiros. Fiquei foi sem saber se os animais de grande porte que se atravessaram na linha, causando o acidente, também ficaram ilesos.


 

20 novembro 2010

Irrelevância

 



 


As eleições presidenciais estão transformadas numa inevitabilidade fútil, da qual os cidadãos se alheiam e bocejam.


 


Cavaco Silva será o vencedor antecipado e esperado, não aclamado nem por aqueles que fazem parte da sua natural base de apoio. Manuel Alegre está reduzido a uma voz sonante que cada vez se cala mais, sem inspiração nem capacidade para desfazer o que desfez nestes anos em que passeou o seu milhão de eleitores. Fernando Nobre esvaziou-se numa mão cheia de boas intenções e populismo anti-política e anti-políticos. Francisco Lopes é como um boneco de artesanato de má qualidade, nesta feira decrépita, em que os candidatos não brilham nem têm ninguém que por eles brilhe.


 


Desta irrelevância presidencial, gastamos o tempo a gritar pelo FMI e a lamentarmo-nos de tudo e de todos. Estão de regresso os embriões do totalitarismo, da xenofobia e do racismo. Quem diria, após uma crise que relançou a esperança do regresso ideológico? Quem diria depois de Obama dizer que sim, que podia?


 

Empregos precários e vitalícios

 



Alev Ozkaynak: Birds


 


A crise internacional tem alterado as relações entre os cidadãos e o poder político, entre o Estado, a definição das suas funções e a sociedade civil, entre os trabalhadores e o patronato.


 


O direito ao trabalho deixou de estar na agenda política dos partidos que se dizem de esquerda. O trabalho é, hoje em dia, um privilégio e uma sorte de poucos e o desespero de muitos. Quando se fala de legislação laboral há algumas frases feitas que perderam o seu significado, mas que continuam a ser repetidas, por sindicatos e associações patronais, como se o tempo e a realidade não se tivessem interposto.


 


Chegamos sempre a limites, a extremos, de que não sabemos como sair. Enquanto existem hordas de jovens qualificados à espera de uma oportunidade para iniciarem a sua vida adulta, para darem o seu contributo à sociedade, em termos de criatividade, produtividade e plenitude, todos os dias nos confrontamos com pessoas entrincheiradas nos seus inamovíveis direitos, que são sempre o descanso, a possibilidade de não progredirem, de não se esforçarem, de gozarem as pausas, as folgas, as férias, as dores de barriga, os estremecimentos dos adolescentes, os cigarros e os cafés acompanhantes.


 


Os postos de trabalho estão preenchidos por inúmeras pessoas que não estudam, que não se preocupam, que não se realizam, que não se responsabilizam. Enquanto isso os jovens aceitam estágios voluntários, remunerações ridículas, horas de transportes públicos, madrugadas e noitadas, formações várias, exigências e incompreensões, trabalho quantas vezes de escravo, a incerteza de meses, anos, décadas se preciso for, para assegurarem um cantinho de luz.


 


Dia 24 de Novembro teremos uma greve geral contra a crise, contra a austeridade, contra a redução de ordenados. Gostaria de ouvir os sindicatos contra os empregos vitalícios para quem não quer nem nunca quererá entender o trabalho como um direito e um dever e reivindicarem esses empregos para quem tem vontade de construir qualquer coisa.


 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...