13 novembro 2010

O Mapa da Pedra

 



 


A quem esteve, presente ou ausente, a quem gostaria de ter estado, a quem anunciou e divulgou o Ciclo da Pedra, o meu muito obrigada.


 

Explicação da Pedra


 


 


Esticamos os ramos


abraçamos os dias


esquecemo-nos que o tempo não existe


apenas o ar a terra o fogo a água


apenas a metamorfose da terra


dos rios da luz dos pássaros


apenas a transformação da dor num tecido firme


branco imóvel


na pedra.


 


Rompemos as redes as linhas


traçamos limites arestas esquinas


arquitectos da solidão num mundo de cor e gritos


na confusão dos sentidos hiper-estimulados.


Abrimos os poros


somamos enzimas


degradamos a vida


depuramos a morte.


 


Nos jardins dos silêncios que julgamos eternos


erguem-se as fontes da rigidez suprema


o vazio


o abandono.


Olhamos em volta e percebemos granitos soberbos.


Quem são?


 


Nem sempre sabemos dos ácidos reciclados


dos cristais de pureza guardados lá dentro.


Nem sempre descobrimos


a fenda fatal que corta e expõe a alma o fundo.


Nem sempre queremos a ferida o sangue


estilete que aguarda a pele desnuda.


 


No fim


se ele existe


segue a erosão permanente


nas costas nas mãos nas dobras da vida


na concha na pérola.


Areias mais grossas areias finíssimas


povoam as praias povoam os ventos.


Somos nós que descremos na posse na carne


sementes e pedras acasos em ciclos perpétuos


que unem aquilo que sempre e teimosamente desprezamos.

10 novembro 2010

Ciclo da Pedra


 


No Palácio dos Aciprestes


com apresentação de Ricardo Leite Pinto;


colaboração de Manuel d'Oliveira (guitarra) e de Maria Celeste Pereira (leitura de poemas).


 

Juros

Afinal parece que a aprovação do OE 2011 era irrelevante para os juros da dívida. Os comentadores esforçam-se por arranjar justificações para a contínua subida dos juros da dívida e todos nós nos vamos habituando a viver sobressaltados pelas fúrias dos mercados.


 


É engraçadíssimo utilizarmos palavras que correspondem a conceitos que, para a maior parte de nós, não fazem qualquer sentido. Na realidade está tudo certo: falamos com ar grave e sério de tudo, sem entendermos nada.


 


Mas também não é preciso. O que as pessoas intuem é que a vida se vai complicar.

07 novembro 2010

Destempo

 



Armand Pierre Fernandez: L'Heure de Tous


 


 


Contra o tempo que vem


no tempo que foi também


há tempo de mais a mais


no tempo que a menos convém.


 


Sem tempo para o tempo que será


nas asas que o tempo fechou


abrimos o tempo que virá


e a seu tempo soará.


 

Ponto de luz






 


canta Sara Tavares


 


Escutando no vento
Tua voz secreta
Que me sopra por dentro
Deixa-me ser só seu
No teu colo eu me entrego,
Para que me nutras
E me envolvas
Deixa-me ser só seu


 


Um ponto de luz
Que me seduz
Aceso na alma
Um ponto de luz que me conduz
Aceso na alma


 


Por trás dessa nuvem
Ardendo no céu
O fogo do sol raia
Eternamente quente
Liberta-me a mente
Liberta-me a mente


 


Um ponto de luz que me seduz aceso na alma
Um ponto de luz que me seduz aceso na alma


 

Democracia criminalizada

 


Cada vez percebo menos e me preocupo mais com a ideia de democracia que tem Passos Coelho. É que o populismo tem limites. A responsabilidade dos governantes eleitos é política. É através de eleições livres que se responsabilizam os políticos. Passos Coelho acaba de legitimar a mistura da política com a justiça.


 


Realmente, é urgente renovar as nossas elites políticas.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...