21 março 2010

Reequacionar a Europa

 


Manuel Alegre fez um excelente discurso. Não um discurso de quem quer ser Presidente, pois é um discurso programático para uma legislatura. Mas frontal, sem medo de assumir as suas opções e as críticas ao PS com as quais, em muitos aspectos estou totalmente de acordo.


 


Mas há um problema de base nas críticas de Manuel Alegre. Se são os ditames do Banco Central Europeu que nos orientam a política, se são as ordens de um capitalismo sem regras, de soluções velhas de recurso para a salvação económica, que já experimentámos e das quais já provámos a amargura e a ineficácia, talvez seja altura de acabar com tabus à esquerda e à direita e questionar se é esta a Europa que queremos, se é esta a Europa que nos serve.


 


E no entanto, foi esta a Europa que o deputado Manuel Alegre tem aprovado e aprovou, nomeadamente quando votou o Tratado de Lisboa. É esta Europa que nos impõe uma determinada forma de encarar o défice e de abordar a quebra das despesas e o aumento das receitas, que Manuel Alegre, como deputado português, fez questão de ratificar.


 


Talvez valha a pena pensarmos na reavaliação de tudo. A começar pelo modelo que queremos para a nossa sociedade. A começar por ter a certeza de que a economia deve estar ao serviço dos cidadãos.

 

20 março 2010

Beijo de saudade

 



Tito Paris & Mariza


 


 


Ondas sagradas do Tejo

Deixa-me beijar as tuas águas

Deixa-me dar-te um beijo

Um beijo de mágoa

Um beijo de saudade

Para levar ao mar e o mar à minha terra


 


Nha terra ê quêl piquinino

È Cabo Verde, quêl quê di meu

Terra que na mar parcê um minino

È fidjo d'oceano

È fidjo di céu

Terra di nha mãe

Terra di nha cretcheu


 


Nas tuas ondas cristalinas

Deixa-me dar-te um beijo

Na tua boca de menina


Deixa-me dar-te um beijo, óh Tejo

 


Um beijo de mágoa

Um beijo de saudade

Para levar ao mar e o mar à minha terra


 


Na bôs onda cristalina

Na tua boca de menina

Um beijo de mágoa

Pá bô levá mar, pá mar leval'nha terra

Pá bô levá mar, pá mar leval'nha terra


 

19 março 2010

Ciclos

 



Wordle


 

Chumbo

 



Michael Olszewski


 


Deixo que as letras se formem no branco letras pretas vivas desejosas de se escreverem. Saem assim depressa e levemente mesmo que escrevam pedras e sono e chumbo e dor. Pedras de chumbo que dormem com dor. Sono de pedras com chumbo de cor. Palavras sem tino nem nexo só palavras que me saem e me pesam.


 


Depois há os dedos as teclas os sinais as vírgulas os pontos finais. Aqueles que uns gostam e outros riem gozam desprezam. Não se podem ignorar aqueles que torcem as bocas em risos sem som só grandeza frígida condensada no alto da arrogância de quem se pensa único. Por isso me arrogo o mesmo direito a mesma sombra de riso no canto da boca. Leio não gosto leio apago leio quero não ler dormir afundar o corpo até ao peso da terra quebrar os magmas as árvores rasgar-me pelos mares que atravessam de um ao outro lado a desesperança.


 


Fecho os olhos a boca volto do avesso o grito retraio o som silenciado perante tantas letras tantas palavras que nos custam a pele os nervos que desligam a mente sem muita dor muito peso muito chumbo.

Um dia como os outros (46)

 


(...) Este pode ser o momento de viragem deste governo. Ou Sócrates toma a coisa a peito, mostra quem manda e mostra que o programa eleitoral é para cumprir - e pode recuperar a iniciativa política, redesenhando a equação própria do PS e os desafios que ela deve colocar aos outros partidos e forças sociais (incluindo sindicatos e patronato); ou o PS, Sócrates, o grupo parlamentar e os fazedores de opinião socialista calam a boca por conveniência - e acabou a festa, pá. A partir daqui será sempre a cair. O outro dirá "porreiro", mas já sem o "pá", claro. (...)


 

Um dia como os outros (45)

 


(...) Não falo do modo como esta opção contradiz o programa eleitoral com que o PS se apresentou às eleições, nem sequer do que esta escassez de recursos representará num país pobre como o nosso, quando o desemprego se manterá a níveis socialmente intoleráveis. O que está em causa é também uma questão de identidade partidária. (...)





(...) Em última análise acaba com uma lógica de direitos de cidadania e faz regressar a política de combate à pobreza aos apoios discricionários com que rompeu no passado. A mensagem é clara: as pessoas ficam para o fim.(...)


 

17 março 2010

Sem limites

 


Depois do ministro Teixeira dos Santos ter feito uma comunicação ao país, quanto a mim coberto de razão, sobre a alteração à lei das finanças regionais, aprovada por toda a oposição parlamentar, o Presidente da República decidiu promulgar a nova lei. E o PS congratulou-se com esta medida.


 


A incoerência tem limites. Qual vai ser a posição do ministro das Finanças? Isto para não falar outra vez do PEC, muito bem dissecado também por Paulo Pedroso.


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...