Manuel Alegre fez um excelente discurso. Não um discurso de quem quer ser Presidente, pois é um discurso programático para uma legislatura. Mas frontal, sem medo de assumir as suas opções e as críticas ao PS com as quais, em muitos aspectos estou totalmente de acordo.
Mas há um problema de base nas críticas de Manuel Alegre. Se são os ditames do Banco Central Europeu que nos orientam a política, se são as ordens de um capitalismo sem regras, de soluções velhas de recurso para a salvação económica, que já experimentámos e das quais já provámos a amargura e a ineficácia, talvez seja altura de acabar com tabus à esquerda e à direita e questionar se é esta a Europa que queremos, se é esta a Europa que nos serve.
E no entanto, foi esta a Europa que o deputado Manuel Alegre tem aprovado e aprovou, nomeadamente quando votou o Tratado de Lisboa. É esta Europa que nos impõe uma determinada forma de encarar o défice e de abordar a quebra das despesas e o aumento das receitas, que Manuel Alegre, como deputado português, fez questão de ratificar.
Talvez valha a pena pensarmos na reavaliação de tudo. A começar pelo modelo que queremos para a nossa sociedade. A começar por ter a certeza de que a economia deve estar ao serviço dos cidadãos.
Também acho que é por aqui que se tem de começar, porque o PEC é uma consequência da Europa que temos.
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