07 março 2010

Intervenção política e sociedade civil

 



Evelien Lohbeck: silhuette


 


O apelo à participação da sociedade civil na vida política do país serve apenas quando essa sociedade civil não está interessada em participar.


 


O anúncio da candidatura de Fernando Nobre é disso um exemplo. É um homem que vem de fora da esfera dos partidos, que tem uma ampla e reconhecida participação de cidadania em organizações humanitárias, tem opiniões políticas sobre vários assuntos, que muitos desconhecem porque também nunca se interessaram em conhecer, assume uma postura apartidária e apolítica mas não anti-política. Fala em valores de humanidade e solidariedade, fala na moralização da vida pública, no conceito de nação, no respeito pelos valores da identidade nacional, nos valores éticos, na avaliação que tem de si próprio e daquilo em que pode contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos seus concidadãos.


 


Um discurso não muito diferente daquele que Manuel Alegre teve quando se candidatou em 2005, e que eu apoiei entusiasmadamente. Também ele apelou aos movimentos cívicos apartidários e suprapartidários, para a sociedade civil que não se revisse nos jogos aparelhísticos que resultaram na escolha de Mário Soares como candidato oficial do PS. Também ele se revia nos valores éticos e humanísticos, na solidariedade entre gerações, no papel de todos quantos quisessem fazer parte integrante de uma cidadania interventora, em Portugal como nação historicamente resistente e indissolúvel, nos valores da pátria e no sentido do dever. No entanto Manuel Alegre é militante do PS e sempre foi um actor político e partidário no pós-25 de Abril, como já o era no tempo da ditadura o que, obviamente, não representa qualquer problema.


 


No entanto já se ouviram várias vozes que entendem o apartidarismo de Fernando Nobre como uma crítica à democracia representativa assente em partidos políticos, já se ouvem críticas pelo facto de Fernando Nobre não ter um pensamento político, já se declaram incredulidades pelos apoios que foi dando, ao longo da sua vida, e pelos arrependimentos e desilusões que manifesta. Já se diz que a sua experiência e actividade nas ONG, nomeadamente na AMI, a sua presença e actuação em tantos locais de catástrofe, a sua capacidade de decisão e a sua generosidade, não são bases para um bom mandato presidencial.


 


Se há alguém que podemos considerar emanar da tão falada e tão desejada sociedade civil é Fernando Nobre. Não o eleger é um direito que os cidadãos têm, mas menorizar a importância da sua candidatura é demonstrar que, afinal, não queremos a sociedade civil imiscuída na política.

 

04 março 2010

Um dia como os outros (41)

 


(...) Mas a esperança continua longe de morrer. A prazo, as empresas terão de rever as estratégias porque caçar búfalos deixou de ser uma função diz Filomena Mónica, que conclui: As coisas têm mudado, muito lentamente, mas têm mudado. Vão é mudando a zero vírgula 23 pontos percentuais por ano.


 

Um dia como os outros (40)

 


O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, afirma que houve má fé na comparação entre a situação económica de Portugal, Espanha e Grécia e instou analistas internacionais, agências e imprensa económica a olhar para indicadores objectivos. (...)





(...) No momento de adesão ao euro, lembrou o Presidente da República, a Grécia apresentava uma dívida de 100 por cento relativamente ao seu produto interno bruto, que é agora de 120 por cento. As estatísticas oficiais da Grécia não são fiáveis - o próprio governo [grego] o reconheceu -, pelo que o desequilíbrio das suas contas públicas é de 12 ou 13 por cento, o dobro do que se supunha. Nada disso ocorre em Espanha e em Portugal, frisou Cavaco Silva, exemplificando que a dívida pública espanhola é baixa, tão baixa como a da Alemanha ou da França, e que a de Portugal é mais baixa do que a da Bélgica, da Itália e, claro, da Grécia. Penso que houve alguma dose de má fé nesta comparação, afirmou Cavaco Silva ao jornal catalão. (...)


 

Pasmo

 



Bullying


 


Doem-me os ossos a língua

a míngua

a dor do desprezo

o medo

a chuva o pasmo

o sarcasmo

do mundo.

Enterro-me no fundo

nas pedras no lodo


desfaço-me todo


desapareço.


 

Garcia Pereira - o novo assessor governamental

 



 


(...) E isso a que alguns chamam liberdade de informação, não passará do toque a finados do Estado de Direito democrático e da própria democracia. (...)


 

03 março 2010

A nossa luta sindical

 


Com um défice superior a 9% (que aumentou para fazer face à profunda crise mundial dos 2 últimos anos), com um desemprego superior a 10% e ainda a crescer, os Funcionários Públicos vão fazer greve amanhã porque não aceitam o congelamento dos seus salários, porque estão contra o seu sistema de avaliação de desempenho, porque estão contra o ataque às suas conquistas irreversíveis dos trabalhadores.


 


É difícil assistir a maior autismo, irresponsabilidade e corporativismo. A solidariedade dos sindicatos  dos trabalhadores da Função Pública é apenas com eles próprios. O resto do país não lhes interessa.


 

Esclarecimento



Este é o texto de Ana Vidigal, publicado hoje pelo Público, em Cartas à Directora (pág.34), a propósito do último artigo de Pacheco Pereira: Um estranho Verão entre eleições:


 


Tendo tido conhecimento que o colaborador do blogue Jamais Dr. José Pacheco Pereira publicou no jornal que V. Ex.ª dirige um artigo de opinião em que afi rmava que o blogue Simplex utilizou “informação com origem no Governo [...] preparada por assessores e usando os recursos em bases de dados e outros disponíveis na Rede Informática do Governo”, passo a esclarecer:


Colaborei no blogue Simplex. Fi-lo com o intuito de apoiar o Partido Socialista. Nunca nenhum dirigente do mesmo partido ou qualquer membro ou assessor do Governo me contactou directa ou indirectamente. Nunca tive acesso à rede informática do Governo e muito menos utilizei recursos do Estado ou do Partido Socialista.


A minha colaboração foi pro bono e terminou no dia 27 de Setembro de 2009. Mais informo, e mantendo o “espírito dos meus posts no Simplex”, que o único Rato com que privo… é o Mickey.

Ana Vidigal

artista plástica


 

Os pacotes

Sábado Há sempre uma forma mais ou menos enviesada de falar de coisas pouco simpáticas. Além disso, hoje em dia privilegiam-se epítetos mais...