Evelien Lohbeck: silhuette
O apelo à participação da sociedade civil na vida política do país serve apenas quando essa sociedade civil não está interessada em participar.
O anúncio da candidatura de Fernando Nobre é disso um exemplo. É um homem que vem de fora da esfera dos partidos, que tem uma ampla e reconhecida participação de cidadania em organizações humanitárias, tem opiniões políticas sobre vários assuntos, que muitos desconhecem porque também nunca se interessaram em conhecer, assume uma postura apartidária e apolítica mas não anti-política. Fala em valores de humanidade e solidariedade, fala na moralização da vida pública, no conceito de nação, no respeito pelos valores da identidade nacional, nos valores éticos, na avaliação que tem de si próprio e daquilo em que pode contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos seus concidadãos.
Um discurso não muito diferente daquele que Manuel Alegre teve quando se candidatou em 2005, e que eu apoiei entusiasmadamente. Também ele apelou aos movimentos cívicos apartidários e suprapartidários, para a sociedade civil que não se revisse nos jogos aparelhísticos que resultaram na escolha de Mário Soares como candidato oficial do PS. Também ele se revia nos valores éticos e humanísticos, na solidariedade entre gerações, no papel de todos quantos quisessem fazer parte integrante de uma cidadania interventora, em Portugal como nação historicamente resistente e indissolúvel, nos valores da pátria e no sentido do dever. No entanto Manuel Alegre é militante do PS e sempre foi um actor político e partidário no pós-25 de Abril, como já o era no tempo da ditadura o que, obviamente, não representa qualquer problema.
No entanto já se ouviram várias vozes que entendem o apartidarismo de Fernando Nobre como uma crítica à democracia representativa assente em partidos políticos, já se ouvem críticas pelo facto de Fernando Nobre não ter um pensamento político, já se declaram incredulidades pelos apoios que foi dando, ao longo da sua vida, e pelos arrependimentos e desilusões que manifesta. Já se diz que a sua experiência e actividade nas ONG, nomeadamente na AMI, a sua presença e actuação em tantos locais de catástrofe, a sua capacidade de decisão e a sua generosidade, não são bases para um bom mandato presidencial.
Se há alguém que podemos considerar emanar da tão falada e tão desejada sociedade civil é Fernando Nobre. Não o eleger é um direito que os cidadãos têm, mas menorizar a importância da sua candidatura é demonstrar que, afinal, não queremos a sociedade civil imiscuída na política.
SOBRE A TEMÁTICA DO POST-IT DE SOFIA LOUREIRO DOS SANTOS "INTERVENÇÃO POLÍTICA E SOCIEDADE CIVIL"
ResponderEliminar00- Espero que o aparente acidente informático de ontem, não tenha tido consequências gravosas, de perda de dados , etc..
Passei, ontem, pelo blog, na esperança de ver pontuada a indisponibilidade dos Sindicatos da Função Pública para monitorarem, na companhia dos organismos do Aparelho de Estado, a avaliação das adesões às greves. Mau grado nosso, esses Sindicatos, preferem a INVERDADE e pretendem ficar com as mãos livres para prossegirem a MANIPULAÇÃO.
Ou seja, não pertendem o Aprofundamento da Democracia. Verifico, hoje, que o blog e a Sua Autora já pontuaram essa questão. Sairam os Sindicatos fragilizados na rejeição da monitorização conjunta das adesões às greves.
01- O texto “Intervenção Política e Sociedade Civil” debruça-se sobre o amago da Democracia.
E compara a atual campanha presidêncial de F. Nobre com a campanha de M. Alegre, nos idos 2005.
02- Não é possível deixar de anotar vários pontos comuns nas duas posturas, a de agora de Nobre e a de Alegre de 2005, sendo pacífico que Alegre ainda não corrigiu devidamente, o tiro. Estamos sempre em presença de uma menorização da Democracia Representativa, no tom populista e seguindo de perto o “senso comum”.
03- A questão da Importância da estruturação e organização da Sociedade Civil, é crucial para o fortalecimento do Controlo Democrático, no exercício do PODER.
04- Os problemas da Candidatura de F. Nobre não residem na alegada origem na Sociedade Civil, à margem da vida Partidária. Residem, sim, na sua postura acusatória dos Partidos Políticos, e na incompreensação da globalidade da Democracia Representativa.
05- Nobre menoriza a Democracia Representativa, faz uma leitura catastrofista do País, e preconiza técnicas em uso nas Catástrofes para serem modelo da intervenção na vida política do País Uma extrapolação, essa sim, catastrófica.
06- Andam mal os que sub-alternizam essa Candidatura esquecendo fazer-lhe uma rigorosa crítica política, pois será sempre centrada nas opções políticas deste, e de qualquer outro Candidato, que tudo terá de se centrar.
07- A Sociedade Civil afirma-se, se abraçar o legado da Revolução Francesa, consagrado na Democracia Representativa, onde os Partidos Políticos são o suporte básico.
08- Concluindo. O que diferencia a minha posição da de Nobre e da de Alegre é simples. Enquanto ambos denunciam um Divórcio entre os Partidos Políticos e a Sociedade Civil, eu tomo boa nota de tal divórcio, aproveitando os alertas, para preconizar um intenso trabalho no seio dos Partidos Políticos, em particular no Partido Socialista- mais sensível ao tema que os demais- no sentido de democratizeram a sua vivência interna e simultaneamente entrosarem as suas práticas e a sua teorização política com a Sociedade Civil.
09- Contra a denúcia gratuita, inconsequente e de sabor populista, próxima do “senso comum”, do Divórcio Partidos Políticos versus Sociedade Civil.
10- A favor da recomposição, modernização, democratização e ligação articulada da Vida Partidária com a Vida da Sociedade Civil.
Cordiais e Afáveis Saudações Democráticas, Republicanas e Socialistas de
ACÁCIO LIMA