21 fevereiro 2010

Regressemos à governação

 


 


 


Por intermédio do Saúde SA fui ler a intervenção da Ministra Ana Jorge na sessão de discussão do OE 2010.


 


É um discurso interessante mas, quanto a mim, pouco esclarecedor da forma como se vão atingir as metas a que o governo se propõe.


 


Por um lado é muito importante voltar a falar-se da sustentabilidade do SNS que se tinha mais ou menos abandonado aquando da demissão de Correia de Campos. Assim, a ênfase na melhoria da eficiência da gestão, quando se fala na redução da despesa, parece-me indiscutível. No entanto, em que é que o investimento nos processos de contratualização dos cuidados de saúde primários e hospitalares melhora a eficiência dos serviços prestados, não se percebe. Tal como é muito pouco perceptível o significado de uma implementação gradual e progressiva dos mecanismos de avaliação hospitalar. Esses mecanismos já deveriam ter sido implementados, até porque não se entende como se avalia a gestão, a sua eficiência, o grau de cumprimento do que é contratualizado, etc., sem que haja uma criteriosa monitorização dos indicadores de qualidade e de organização.


 


Os serviços partilhados (compras e tecnologia informática), prescrição electrónica de medicamentos e unidoses são tudo objectivos do início da anterior legislatura, adiados todos os anos. Será que é desta vez que vamos assistir à sua implementação?


 


O problema dos recursos humanos em saúde é um daqueles em que o discurso político está longe da prática. Para se dotarem os serviços de saúde de médicos, que é a classe profissional com maior escassez de recursos, há que assumir que é necessário alterar muita inércia nas organizações existentes, como os horários de trabalho, a repartição e distribuição dos médicos das unidades em que são excedentários para as que são deficitárias, reestruturação das carreiras médicas com remodelação dos salários praticados, separação entre prestação de serviços público e privado, etc. Além disso não se podem estrangular as unidades de saúde impondo-lhes crescimento zero ou negativo para a rubrica dos recursos humanos. Isso aumentará a precariedade e a dificuldade de formar e diferenciar equipas de trabalho.


 


O Plano Nacional de Saúde 2011/2016 está já em preparação. Poderá ser acompanhada neste site e entrará, posteriormente, em consulta pública. Os grandes temas orientadores serão:



  1. A promoção da cidadania

  2. As políticas públicas saudáveis

  3. A equidade e o acesso adequado aos cuidados de saúde

  4. A qualidade dos cuidados


Regressemos à política, regressemos às reformas estruturais, regressemos ao que importa aos cidadãos. Espero deste governo socialista, numa área que tem estado adormecida e anestesiada, primeiro com a preocupação de apaziguamento do populismo, depois com a pandemia da gripe A e, ultimamente, com a maledicência e a coscuvilhice endémicas, a efectiva e justa governação. Foi para isso que o elegemos, já basta de responder ao diz-que-diz-que dos últimos meses, mais mortal que qualquer pandemia.

 

20 fevereiro 2010

Abril é macho

 



 


Militares de Abril: casamento gay é «aberração»

Impressionante

 



Temporal na Madeira


 

Um dia como os outros (35)

 


(...) Vantagem: Carlos Santos contou onde vai a Câmara Corporativa, feita por gente que tem o gosto pela bufaria anónima, buscar tanta informação, por vezes informação sobre adversários políticos: directamente aos gabinetes do poder. Vantagem: um blogue de bufaria depende de bufos. (...)





(...) Resumindo: distingo entre os que dão o seu nome por combates, mesmo que não concorde com eles, e os migueis abrantes desta vida e as suas fontes de gabinete. Mas vão-me perdoar: ver o Câmara Corporativa falar de bufos só mesmo para rir. (...)


 


(...) quanto ao miguel abrantes, sei quem é. como se chama, e o que faz; tenho o número de telefone dele e encontro-o de vez em quando. conheci-o, como já disse, no sim no referendo e por causa do sim no referendo. através do convite do daniel oliveira, portanto -- pode-se dizer que conheci o miguel abrantes através do daniel oliveira. sim, o daniel oliveira, como muitas outras pessoas que hoje escrevem coisas indignas sobre o miguel abrantes, já viu o miguel abrantes. esqueceu-se da cara dele, talvez tenha até esquecido o que ele faz e o telemóvel dele. (...)


 


(...) Estive duas vezes com o Miguel Abrantes: num jantar e num prós e contras (que foi quando o conheci pessoalmente). Só uma vez me disse o nome dele (quando se apresenou, nos bastidores do P&C), coisa que, lamentavelmente, não decorei. No meu telemovel (entretanto perdido com tantos contactos, como sabes porque tive de pedir a muita gente ajuda para recuperar contactos) o nome que tinha, talvez por facilidade, foi sempre "Miguel Abrantes" (...)


 

Expectativa

 


O aparecimento de uma candidatura presidencial completamente diferente das que estavam previstas pode ser uma oportunidade de debate sério.


 


O discurso do apartidarismo pode soar a populismo e demagogia, mas também pode apenas significar que há uma vontade genuína de romper com vícios dos vários aparelhismos.


 


Ainda falta algum tempo e veremos o discurso e as opiniões que se vão desenvolver. Penso que Fernando Nobre pode ir buscar votos a vários quadrantes políticos, não só à esquerda.


 


Estou na expectativa.


 

Temporal na Madeira

 



 


A tragédia bateu-nos à porta. Este tem sido um Inverno demasiado mau. Sejamos solidários com a Madeira.

Comissão para Avaliação do Carácter

 



Contemplation, Perseverance, Imagination, and Free Will


The Castle of Perseverance


 


Torna-se público o último decreto do Comité para a Moralização da Política:


 


A partir da data da publicação deste decreto, toda e qualquer pessoa que deseje erguer a sua voz contrária à linha oficial do partido da oposição, deverá entregar o seu computador, a chave da sua casa, o código do seu pensamento, a impressão genética da sua consciência, que ficará proprietária da recém-formada Comissão para Avaliação do Carácter (CAC).





Sempre que a CAC achar necessário, qualquer palavra, pensamento ou acto, serão objectos de análise, escrutínio e publicitação, não sendo do domínio privado nada que a CAC assim não considere.





Publique-se.


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...