14 janeiro 2010

Desluzido













Wang Nong: Misty Where RiverTurns


 






Aliso a face de vidro desluzido

olhos embaciados dúvidas espessas

escolho a pedra a meio do rio.








Espero a corrente desviada

o curso do acaso.




 

12 janeiro 2010

Dos hipotéticos complexos

 


Carlos, com a mesma simpatia e no mesmo espírito de dúvida, confesso que estou espantada com o seu post. Da minha parte nunca houve complexos em falar dos anónimos da blogosfera - esta é uma altura tão boa como qualquer outra passada ou futura. Sempre entendi este blogue como um espaço de liberdade (doutra forma não estaria cá) e nunca senti que vivêssemos (eu ou o blogue) de louvores divinos a ninguém.


 


Não percebo o que quer dizer com a hipotética existência de ”os Abrantes”. Não sei quem é o Miguel Abrantes, o Valupi nem dezenas de participantes em vários blogues. Não tenho nada contra o uso de pseudónimos nem contra o anonimato de quem publica ou de quem comenta, a não ser que o anonimato seja o álibi para o insulto e a calúnia gratuitas (o que acontece frequentemente). Se as pessoas que escrevem em blogues são assessores do governo, da oposição, jornalistas, enfermeiros, médicos, economistas, sapateiros, donos (as) de casa, electricistas, estudantes ou outra qualquer ocupação, nada os impede de escreverem e opinarem o que lhes apetece e querem.


 


Se o Miguel Abrantes tem acesso a documentos a que o Carlos Santos ou eu não temos, seguramente o Carlos Santos terá acesso a documentos que eu nem imagino que existem, tal como eu saberei procurar documentos sobre assuntos da minha profissão que o Carlos, o Miguel Abrantes ou o Pacheco Pereira desconhecem. Isso significa que não os podemos usar? Ou que se os usarmos somos suspeitos?


 


Suspeitos exactamente de quê? Aquilo que o Carlos está a sugerir é que quem trabalha para o governo não pode ter blogues nem usar os seus conhecimentos profissionais? Onde está a falta de ética dessas atitudes? Ou o Carlos e o Pacheco Pereira sabem de alguma coisa que mais ninguém sabe?


 


Carlos, aquilo que comentei sobre o post de Pacheco Pereira é que não posso aceitar que se usem insinuações para manipular a opinião, levantando suspeitas de haver pessoas que, de forma ilícita, usam blogues para desinformar, caluniar e insultar quem se opõe ao governo. Porque é isso que Pacheco Pereira diz nesse post e em vários outros que já escreveu. E parece ser esse o resultado final do seu texto, Carlos.


 


(Também aqui)


 

10 janeiro 2010

Lenda

 



 


Exagero o corpo por dentro de mim

exagero os dedos as balas os dentes

exagero os nervos num frenesim.


 


 


Encolho os olhos dentro da garrafa

sem fricção do mundo sopros de nada

faço do corpo casa de Aladim.


 


Espero por dentro sossego de monstro

estrela dolente lenda esquecida

por sapo beijada bela por fim.


 


 

A mecânica da calúnia

 



 


Pacheco Pereira continua a desenvolver a tese da asfixia democrática na blogosfera, protagonizada pelos empregados do governo que pululam em blogues colectivos, a coberto do anonimato.


 


E já os conseguiu identificar, aos blogues, assim como já lhes traçou os perfis, aos empregados que pululam – pretensos intelectuais à esquerda do PS que acham que gozam da impunidade de quem tem o poder.


 


Também lhes descodificou o estilo, feito de uma caterva de insultos, destruição dos adversários a golpes de calúnias.


 


O mais extraordinário é que tudo o que Pacheco Pereira diz acontece a quem se atreve, na blogosfera, a defender as políticas do governo, a insurgir-se contra as calúnias e os ataques ad hominem a que se sujeitam, às campanhas negras de destruição do carácter de todos os que pensam que vivem em democracia e que podem exprimir livremente as suas opiniões.


 


(Também aqui)


 

O mar em Casablanca

 



Francisco José Viegas


 


Jaime Ramos caminha mais devagar, olha o vazio em baixo das pontes, escreve os caminhos das montanhas, os caminhos que o levam até onde não quer ir.


 


Jaime Ramos está mais silencioso, ouve mais as vozes que se fixaram à sua pele, conhece bem o que não sabe que se passou, conhece melhor o que sabe que se passará.


 


Jaime Ramos envelhece e nós caminhamos, mais devagar, a seu lado.


 

Territórios de caça

 



Luís Naves


 


Um caçador de histórias salva a vida a um vizinho que o faz depositário de um dossier com fotografias e pequenos textos, poemas, fragmentos de cartas ou notas. Prisioneiros?


 


De que forma fazem estes pedaços de vidas parte da sua vida, da vida da cidade ou do país, como se misturam os sentimentos de honra, medo, ignomínia e perseguição?


 


Uma história da mistura entre as várias expressões do carácter dos homens e da memória colectiva, da responsabilidade partilhada, da constante readaptação aos sentimentos de culpa e de renovação. Um caçador de segredos e de amostras dos cinzentos que nos habitam, passada num país que ainda recupera da sombra da ditadura, numa escrita simples, elegante e sensível.

 

All you need is love

 



Lennon & McCartney


The Starbucks Love Project

156 países cantam ao mesmo tempo


 


 


Love, love, love, love, love, love, love, love, love.

There's nothing you can do that can't be done.

Nothing you can sing that can't be sung.

Nothing you can say but you can learn how to play the game

It's easy.

 


There's nothing you can make that can't be made.

No one you can save that can't be saved.

Nothing you can do but you can learn how to be you

in time - It's easy.


 


All you need is love, all you need is love,

All you need is love, love, love is all you need.

Love, love, love, love, love, love, love, love, love.

All you need is love, all you need is love,

All you need is love, love, love is all you need.

 


There's nothing you can know that isn't known.

Nothing you can see that isn't shown.

Nowhere you can be that isn't where you're meant to be.

It's easy.

 


All you need is love, all you need is love,

All you need is love, love, love is all you need.

All you need is love (all together now)

All you need is love (everybody)

All you need is love, love, love is all you need.

 

Os pacotes

Sábado Há sempre uma forma mais ou menos enviesada de falar de coisas pouco simpáticas. Além disso, hoje em dia privilegiam-se epítetos mais...