A Peste foi dos livros que me mudaram. Camus foi, é, dos autores mais importantes do séclulo XX. Eduardo Graça tem sido um dos seus admiradores e melhores divulgadores, publicando uma excelente cronologia biográfica.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
A Peste foi dos livros que me mudaram. Camus foi, é, dos autores mais importantes do séclulo XX. Eduardo Graça tem sido um dos seus admiradores e melhores divulgadores, publicando uma excelente cronologia biográfica.
Jill Tatara: Paths
O ano que passou foi intenso em muitas vertentes. Para mim alargaram-se desafios pessoais e profissionais que fizeram com que o ano voasse e, simultaneamente, parecesse uma década inteira.
Foi também um ano em que me envolvi mais activamente na esfera da cidadania política, participando em blogues colectivos como o SIMpleX e o A REGRA DO JOGO.
O SIMpleX foi uma experiência interessantíssima, pelo entusiasmo e paixão de todos os participantes, numa verdadeira missão de campanha eleitoral. Conheci pessoas de grande generosidade, entrega, capacidade argumentativa e intelectual, a quem agradeço a hipótese da partilha. Fiquei também a conhecer ainda melhor o lado mais mesquinho, pidesco e de baixeza de que muitos são capazes apenas com o objectivo de denegrir o carácter de quem não conhecem, inventado e difamando sem qualquer preocupação pelos eventuais danos que possam causar.
O A REGRA DO JOGO está a ser uma experiência de debate de ideias diferente e estimulante, pelo gosto da discussão. Penso que pode ser um espaço de intervenção muito importante e aberto, pela variabilidade de temas tratados e pelas diversas opiniões.
Adivinha-se um ano cheio de combates a todos os níveis. Apesar das óbvias responsabilidades dos governantes na orientação económica, social e cultural, nenhum de nós é inocente ou está arredado do seu compromisso como pertence de uma comunidade. Cada um com o seu contributo, a verdade é que estamos todos convocados, sempre, para a tentativa de melhorar a qualidade da nossa vida, a tal busca de felicidade.
Nota - Saúdo o Eduardo Pitta pelo 5º aniversário do seu blogue, do qual sou seguidora, agradecendo-lhe a forma directa e elegante com que descreve a realidade.
(Mensagem de Ano Novo - 01.01.2010)
O discurso do Presidente da República foi um bom discurso de um Presidente. De um Presidente de direita, mas ele é de direita e foi eleito como tal. Foi um discurso previsível mas verdadeiro quanto à enumeração dos problemas do país, não tanto exactamente a nível económico, e aí considero que o Presidente não resistiu a interferir na esfera do executivo, pois o diagnóstico e perspectivas filosóficas de solução são as que ele próprio e todos os economistas da sua área repetem há muitos anos (vale a pena ler, a propósito, o artigo de Carlos Santos comentando um outro de Ricardo Reis) mas principalmente a nível dos problemas políticos que o país atravessa.
Aí chamou a atenção para a responsabilidade do governo em governar, procurando os apoios de que precisa no Parlamento e, sobretudo, pediu responsabilidade às oposições para viabilizarem opções governativas em nome das necessidades do país. Todos os comentadores partidários anuíram e se mostraram sensíveis a esse apelo. E, no entanto, é sobretudo disso que mais duvido.
A opção subliminar do Presidente por um Bloco Central é óbvia e compreensível. Mas será essa a opção do governo, terá sido essa a opção do eleitorado? Cada vez mais se afigura que os partidos à esquerda do PS, aqueles cujo apoio parlamentar seria mais natural e desejável, fazendo cumprir o resultado das legislativas, não estão interessados em viabilizar políticas exequíveis e credíveis, mas apenas em gritar bem alto a incapacidade do governo responder à crise e ao desemprego, apontando medidas que agravam o défice público, nunca explicando como poderia ser resolvido esse problema. As posições demagógicas e populistas desta esquerda impossibilitam o diálogo e a concertação à esquerda.
Estará o PSD disponível para deixar o governo governar? Estará o governo disponível para acertar políticas com a direita?
Não acompanho a opinião de Carlos Santos em relação à questão presidencial. A actuação de Manuel Alegre nos quatro anos de governo socialista não dá garantias de que ele possa ser um Presidente supra partidário e que valorize a cooperação institucional, muito pelo contrário. A minha opção será prioritariamente por um Presidente de esquerda, porque é a minha área ideológica e porque penso que contribui melhor para apontar e facilitar caminhos para uma sociedade tolerante e solidária, mas dou muita importância à equidistância e à função de árbitro que o Presidente deve ter, neste sistema semipresidencialista. Não me parece que Manuel Alegre cumpra estes últimos requisitos.
Aguardemos a opção de Manuel Alegre em relação à sua recandidatura à Presidência, assim como a existência de mais algum candidato de esquerda. Penso que as próximas eleições presidenciais dependerão também muito do ou dos candidatos que se perfilarem à direita, neste momento os mais prováveis Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa.
(Também aqui)
Danielle Hatherley: new year's eve
É sempre com um misto de nostalgia e curiosidade que acabamos o ano, por muito que esta noite tenha o minuto 23:59 igual a todas as outras noites, que o próximo ano comece com nuvens negras, previsões ventosas e cheias anunciadas.
Não há nada melhor que aprendermos a olhar a esperança como a certeza do cíclico movimento de rotação da Terra, como a órbita solar, como a vida que se renova a cada instante, sabendo por experiência própria que não há eternidades nem garantias. E o que podemos prometer a nós próprios é viver, o melhor que podemos e sabemos, na comunidade de quem amamos.
Bom Ano para todos.
(Também aqui)
É claro que, afinal, esta Ministra pode ser ainda pior do que a anterior, prometendo diálogo e negociação e apresentando um acordo de princípios em que há uma carreira estruturada em vários graus, em que a avaliação de desempenho é fundamental para a progressão na carreira, avaliação essa que inclui vários parâmetros entre os quais a observação de aulas, em que apenas os mais bem classificados, em sistemas de vagas (ou quotas), tal como em todas as outras carreiras, chegarão ao último patamar.
Para quem ainda tinha dúvidas, o diálogo de que falam os professores e os sindicatos significa apenas uma coisa - voltar ao doce remanso anterior à Ministra Maria de Lurdes Rodrigues.
Aguardo serenamente que esta Ministra mantenha como objectivo a verdadeira dignificação da profissão docente. E que rapidamente se passe a discutir outros problemas, tão importantes como este para a efectiva defesa da Escola Pública, estranhamente arredados do discurso dos protestos: os currículos, as disciplinas, as cargas horárias, os manuais escolares, os exames, etc., etc..
(Também aqui)
Clã & Sérgio Godinho
Quando
tu me vires no futebol
estarei no campo
cabeça ao sol
a avançar pé ante pé
para uma bola que está
à espera dum pontapé
à espera dum penalty
que eu vou transformar para ti
eu vou
atirar para ganhar
vou rematar
e o golo que eu fizer
ficará sempre na rede
a libertar-nos da sede
não me olhes só da bancada lateral
desce-me essa escada e vem deitar-te na grama
vem falar comigo como gente que se ama
e até não se poder mais
vamos jogar
Quando
tu me vires no music-hall
estarei no palco
cabeça ao sol
ao sol da noite das luzes
à espera dum outro sol
e que os teus olhos os uses
como quem usa um farol
não me olhes só dessa frisa lateral
desce pela cortina e acompanha-me em cena
vamos dar à perna como gente que se ama
e até não se poder mais
vamos bailar
Quando
tu me vires na televisão
estarei no écran
pés assentes no chão
a fazer publicidade
mas desta vez da verdade
mas desta vez da alegria
de duas mãos agarradas
mão a mão no dia a dia
não me olhes só desse maple estofado
desce pela antena e vem comigo ao programa
vem falar à gente como gente que se ama
e até não se poder mais
vamos cantar
E quando
à minha casa fores dar
vem devagar
e apaga-me a luz
que a luz destoutra ribalta
às vezes não me seduz
às vezes não me faz falta
às vezes não me seduz
às vezes não me faz falta
Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...