Bach - Concerto Brandenbourg nº 6, 2
Claudio Abbado
Orquestra Mozart de Bolonha
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Bach - Concerto Brandenbourg nº 6, 2
Claudio Abbado
Orquestra Mozart de Bolonha
Brian Kershisnik - Nativity
Nunca percebi porque se deseja um Santo Natal. Mesmo quem é cristão, quem acredite que Jesus é filho de Deus, que veio ao mundo para nos salvar, como santifica o Natal?
Que faz um Natal mais santificado que outro? A quantidade ou qualidade das iguarias, o número de presentes que se espalham pelo chão, as horas que se passam na cozinha, o desperdício e a gula frenética que varre todas as almas e, principalmente todos os corpos?
O que é um Natal Santo? A pobreza a que não chega a roupa, a comida, o carinho? A solidão, a tristeza, o desespero? Os ódios e os ressentimentos familiares, os velhos que adormecem isolados, as carrinhas das boas vontades, aquelas que têm dias e horas marcadas?
Todos os anos me pergunto o que é um Santo Natal, quando as pessoas mo desejam, eu que não sou mesmo nada santa, que vejo esta época como um hino à hipocrisia generalizada, como a festa de tudo o que é contrário aos sentimentos e actos de solidariedade descomprometida, de genuína vontade de abrir os braços e tentar abraçar o mundo.
Pois eu desejo que neste Natal todos os que vivem de incertezas práticas e objectivas ou apenas de sentimentos contraditórios, aqueles escuros e pesados que tantas vezes nos assaltam, possam olhar para si e encontrar forças para se animar, ou ao seu amigo, ao seu vizinho, ao seu familiar e, ao acordar no dia seguinte, naquele dia em que já se esqueceram os votos de paz e felicidade, consigam procurar uma solução.
Pois eu espero que todos os que todas as noites de todo o ano velam silenciosamente pelo doce articulado da sociedade, tenham alguns momentos de calma e convívio. Eles é que são os Santos dos nossos Natais.
(Também aqui)
Aqui está uma bela prenda de Natal e uma viragem histórica na política de saúde americana.
(Também aqui)
Pois no nosso Natal desistimos do peru assado, com ou sem recheio.
O problema nem sequer era o peru, que eu despachadamente ia comprar já assado, recheado e enfeitado à casa da esquina, mas dos acompanhamentos.
Como já disse, sou um bocado criativa, às vezes em demasia. Como o peru não me dava trabalho, achava que devia caprichar no arroz, nas batatas palha, nas couvinhas de Bruxelas salteadas.
No primeiro Natal organizado em minha casa o arroz, sabiamente confeccionado pelo cozinheiro mais apreciado lá de casa, com nozes, pinhões, passas de uva, bem árabe, estava absolutamente delicioso, apenas com o pormenor de não ter um átomo de sal.
No segundo Natal resolvi que couves de Bruxelas salteadas eram um toque de requinte saudável nos acompanhamentos do peru. Temperei-as com sal e pimenta e salteei-as em azeite e alho. Esqueci-me porém de um passo preparatório que foi o de cozer as ditas couves, que ficaram salteadas mas cruas.
No terceiro Natal arrisquei uma coisa que nunca tinha feito – batata frita palha. Também nunca mais fiz. A verdade é que depois de fritar os fios de batata, penso que através de um utensílio inútil que andava pela cozinha, o resultado foi uma bola gordurenta de fios de batata colados uns aos outros, de tal maneira pouco apetitosos que nem foram à mesa.
Desisti de melhorar a ementa. Hoje em dia, para além da aletria e das rabanadas, do bacalhau cozido com batatas e grão, o dia 25 é palco de várias tentativas peruanas ou outras, mas com os acompanhamentos habituais, testados em casas seculares. As filhoses e os sonhos são contributos anuais indispensáveis, a cargo das gerações anteriores.
A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) admitiu hoje não assinar o acordo com o Ministério da Educação e regressar à contestação (...)
Pois, algo me dizia que a satisfação da FENPROF ia ser efémera. Parece que esta Ministra continua a apostar em vários patamares da carreira.
(Também aqui)
Não é preciso mais para desmascarar mais um conjunto de notícias falsas cujo objectivo foi denegrir a imagem do governo e de José Sócrates.
Em Novembro fomos inundados com notícias da revista Sábado e com denúncias do Director do Sol em como o governo tinha privilegiado os jornais da boa imprensa - DN, DE e JN - penalizando os outros, nomeadamente o Sol e o Público. Pacheco Pereira falou e acusou, Luís Campos Ferreira, em nome do PSD, pedia explicações.
Afinal os dados não eram bem esses chegando-se à brilhante conclusão que quem tinha ganho mais com a publicidade era o CM e a revista Sábado.
Mais uma vez, gostava de ouvir os acusadores pedirem desculpa pelo erro. Mas posso esperar sentada.
(Também aqui)
Pois o doce da temporada demorou a materializar-se na minha cabeça. Não gosto muito de cozinhar nem o faço muitas vezes. Cá em casa até preferem que o não faça, embora sejam de uma injustiça de bradar aos céus.
No fundo, criticam-me a elevada criatividade quando preferem coisas mais amenas, ortodoxas, iguais a sempre. Por isso dou largas à minha imaginação na altura de confeccionar as prendas natalícias.
Pois este ano, depois de uma tarde a lutar com uma abóbora enorme mas bastante oca, cheguei à conclusão que precisava de aumentar o número de frascos de doce. Pensei em pêras rocha, que já me serviram para um Natal de compota com noz e gengibre, uma especialidade.
No entretanto apareceram-me em casa alguns litros de jeropiga, de várias e boas proveniências. Pareceu-me que, se havia um doce maravilhoso que dava pelo nome de pêras bêbedas, em que se cozem as ditas em vinho tinto, açúcar e canela, porque não haveria eu de fazer uma compota usando a jeropiga?
Num dos últimos sábados lá fui eu em demanda de 6 quilos de pêras rocha, limão miolo de noz e gengibre, que não havia. Paciência, desiste-se do gengibre.
Armada de uma balança de cozinha e muita paciência, descasquei aquelas pêras todas. O peso das cascas e das sementes é enorme, tendo ficado apenas com 3,6K de pêras aos bocadinhos. Espremi algumas laranjas que tinha e misturei o sumo (400ml) com 1L de jeropiga. Misturei com as pêras e resolvi deixá-las cozer durante 5 minutos na jeropiga com sumo de laranja e 5 paus de canela. Depois juntei 2,5K de açúcar (0,5K açúcar por 1K/1L de fruta/jeropiga, respectivamente - tive que misturar açúcar branco e amarelo porque não tinha branco que chegasse) e sumo de 4 limões (por causa da pectina que a pêra não tem).
A seguir esperei o mais pacientemente que pude pelo famigerado ponto de estrada. Ao fim da tarde lá consegui fazer a estrada e conduzi rapidamente a compota para os frascos.
Podem acreditar que está divinal. Os cabazes já estão compostinhos.
Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...