20 dezembro 2009

Afectos

 



(Tiny Pilot: Random Love)


 


Às vezes ouço alguns programas de rádio em que se entrevistam várias pessoas de vários quadrantes, profissionais, políticos e culturais, sobre as sugestões de ocupação de fins-de-semana e/ou horas de lazer.


 


Nesta época são unânimes as que se insurgem contra o horror das lojas cheias, a enormidade e quantidade de ofertas inúteis para quem já não sabe o que desejar, a obscenidade de dinheiro gasto sem qualquer função, os exageros gastronómicos e as suas consequências nas periclitantes dietas hipocalóricas.


 


Se assim é, cada vez percebo menos os sacrifícios que as mesmas pessoas fazem, porque elas assim o confessam, engrossando as hordas de consumistas disparatados nesta época natalícia. Se assim é, porque não mudamos os nossos hábitos restaurando a demonstração dos afectos, retomando o cuidado com os outros, naquilo que a eles diz respeito, nas suas necessidades e gostos, nas suas sensibilidades?


 

Concerto de Branderbourg nº 6, 1

 



Bach - Concerto Brandenbourg nº 6, 1


Claudio Abbado


Orquestra Mozart de Bolonha

Dez livros que não mudaram a minha vida

 


 


 


Dez livros que não mudaram a minha vida (sabe-se lá porquê) - desafiou-me desta vez o Porfírio. Na verdade, muitos mais há que não mudaram a minha vida e muito poucos me mudaram.


 


A lista aqui vai: 



  1. Um mundo para Julius – Alfredo Bryce Echenique

  2. Rio das Flores – Miguel Sousa Tavares

  3. Os dias acabam sempre por voltar – Angelo Rinaldi

  4. Amor e Sexualidade no Ocidente – Georges Duby

  5. História das Lágrimas – Anne Vincent-Buffault

  6. Cadernos de Guerra (1939 – 1940) – Jean-Paul Sartre

  7. A História Secreta – Donna Tartt

  8. Ghostwalk - Na pista de Newton – Rebecca Stott

  9. Ainda estamos casados – Garrison Keillor

  10. Os seres felizes – Marcos Giralt Torrente


Diz o Porfírio que devo enviar este desafio a outros bloguers. É claro que está convidado quem quiser. Gostaria, no entanto, de nomear alguns:



E segue o desafio.


 

Um dia como os outros (18)

 


Foi ontem libertado um homem que passou 35 anos preso nos Estados Unidos, depois de um exame de ADN comprovar a sua inocência. (...)


 


E ainda há quem defenda a pena de morte.


 


(Também aqui)


 

Inverno como deve ser





 



 

19 dezembro 2009

Demissão tardia

 



 


Na sequência de queixas de eventuais pressões que Lopes da Mota teria exercido sobre os magistrados que investigavam o Freeport, este foi sujeito a um processo disciplinar e suspenso por 30 dias. A seguir pediu a sua demissão do Eurojust.


 


Sem prejuízo do resultado do recurso que o seu advogado vai interpor, esta demissão só peca por tardia. Neste momento já não tinha alternativa.


 


Continuam a faltar esclarecimentos importantes: Lopes da Mota agiu por conta própria ou essas pressões foram encomendadas? Por quem e com que razão?


 


Esperemos os novos desenvolvimentos deste caso e o encerramento do Freeport que, apesar de andar arredado das notícias de primeira página e de abertura dos telejornais, continua sem uma conclusão.


 


(Também aqui)


 


Adenda: encerramento do caso Freeport e não do Freeport, como bem notou JNR.


 

Insinuações e suspeitas

 



 


No último programa da Quadratura do Círculo, a propósito da transferência, em 2010, da Red Bull Air Race para Lisboa, Pacheco Pereira questionou António Costa e acusou a CML e o governo de receberem patrocínios de empresas estatais. Deselegante, arruaceiro, prepotente e arrogante, levantou suspeitas sobre o comportamento do governo e de António Costa, como Presidente da CML, que lhe respondeu indignado, duramente, esclarecendo que tinha sido a própria empresa a requer que a dita corrida fosse em Lisboa.


 


Não sei se é uma derrota política para o Porto e para Rui Rio, porque as motivações podem ser apenas a largura do rio Douro em comparação com a largura do rio Tejo. É, de certeza, um revés económico para o Porto e para Gaia.


 


Mas Pacheco Pereira fez uma demonstração ao vivo do que tinha sido a estratégia do PSD na campanha eleitoral para as legislativas. E quando diz que as pessoas estão fartas de José Sócrates, o que as pessoas disseram nas urnas é que estão fartas desta estratégia de insinuações e suspeitas, dos ataques ao carácter, da falta de sentido cívico e da falta de ética. O que as pessoas disseram, alto e bom som, é que estão fartas deste PSD.


 


(Também aqui)


 

Os pacotes

Sábado Há sempre uma forma mais ou menos enviesada de falar de coisas pouco simpáticas. Além disso, hoje em dia privilegiam-se epítetos mais...