07 novembro 2009

Um dia como os outros (5)

 


Obama tenta um último esforço para conseguir a aprovação da reforma da saúde, a prioridade da política interna desta administração até ao fim do ano.


 


Os Democratas estão sozinhos, pois os Republicanos votarão contra a reforma.


 


(Também aqui)


 

IN I

 



Juliette Binoche & Akram Khan

Pontes

 



escultura de John Northington

The Bridge


 


Vou pensando no assunto

naqueles segundos que atravessam o cérebro

quase sem querer

alguma palavra algum perfume algum livro aberto

alguma página muitas vezes relida.


 


Vou adiando a decisão

pulsações mais aceleradas a destempo

tremor ligeiro na memória saltos de imaginação

fotografias do que penso que será.


 


Vou alternando a revolta com a dor

o assentimento com a negação

vou saboreando a ignorância do que ainda não decidi

a certeza de não voltar mais ao princípio.


 


Nunca volto ao princípio

nunca retomo ou recomeço.

Sempre já coloquei mais uma pedra

sempre já passei mais um dia

sempre já atravessei mais uma ponte

sem outro lado sem outra margem.


 


Sempre aguardo que apareças

com ou sem nevoeiro sol chuva

braços em concha

sempre te espero.

 

A voz do Tejo

 


Este é um disco imprescindível.


 


Este é um fado lindíssimo.


 


Com os maiores agradecimentos ao meu explicador, aqui fica.


 


Espero que gostem.


 



Rão Kyao & Camané

05 novembro 2009

Ándeme yo caliente / Y ríase la gente

 


poema de Luis de Góngora y Argote (1581)

foto de David Ruiz Bueso:

mañanas de invierno

 

Ándeme yo caliente

  Y ríase la gente.


 

 Traten otros del gobierno

Del mundo y sus monarquías,

Mientras gobiernan mis días

Mantequillas y pan tierno,

Y las mañanas de invierno

Naranjada y aguardiente,

  Y ríase la gente.

 


 Coma en dorada vajilla

El príncipe mil cuidados,

Cómo píldoras dorados;

Que yo en mi pobre mesilla

Quiero más una morcilla

Que en el asador reviente,

  Y ríase la gente.


 


 Cuando cubra las montañas

De blanca nieve el enero,

Tenga yo lleno el brasero

De bellotas y castañas,

Y quien las dulces patrañas

Del Rey que rabió me cuente,

  Y ríase la gente.


 


 Busque muy en hora buena

El mercader nuevos soles;

Yo conchas y caracoles

Entre la menuda arena,

Escuchando a Filomena

Sobre el chopo de la fuente,

  Y ríase la gente.


 


 Pase a media noche el mar,

Y arda en amorosa llama

Leandro por ver a su Dama;

Que yo más quiero pasar

Del golfo de mi lagar

La blanca o roja corriente,

  Y ríase la gente.


 


 Pues Amor es tan cruel,

Que de Príamo y su amada

Hace tálamo una espada,

Do se junten ella y él,

Sea mi Tisbe un pastel,

Y la espada sea mi diente,

  Y ríase la gente


 


 




 


(Mais uma prenda)


 

Boca do mundo

 



Mesa


 


 


Se a chama chega,

E ninguém chega à chama

De que vale arder?

Se o barco parte sem velas,

De que serve a maré?


 


Não se mostra o trajecto

A quem parte para se perder

Não se dá boleia

A quem precisa de ir a pé


 


E é como quando pensas que estás a chegar

E não deste um passo


 


Onde estou, nada mais pode crescer

Eu sou assim, uma fênix a arder

São só os meus erros, é toda a minha culpa


 


Hoje até o ar anda cansado

Preciso de um enigma

Para pôr fim ao propor

Não sei o que me deu, não costumo estar assim

Desco a rua que passa, rente à boca do mundo


 


Sinto a vida que passa

E os rumores que circulam na boca do mundo


 


Onde estou, nada mais pode crescer

Eu sou assim, uma fénix a arder

São só os meus erros, é toda a minha culpa

E é tudo o que faço

E é todo o meu cansaço


 


Por fim, por fim...


 


Onde estou, nada mais pode crescer

Eu sou assim, uma fênix a arder


Onde estou, nada mais pode crescer

Eu sou assim, uma fénix a arder

São só os meus erros, é toda a minha culpa

É tudo o que faço

E é todo o meu cansaço


 


E é tudo o que faço

E é todo o meu cansaço


 


Por fim, por fim...


 


Sinto a vida que passa

Na boca do mundo, não se sabe quem é quem...


 

Um dia como os outros (4)

 


Armando Vara suspendeu o mandato de Vice-Presidente do BCP, atitude que só o dignifica. Outros, noutras empresas, poderiam seguir-lhe o exemplo.


 


(Também aqui)


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...