22 agosto 2009

Minimalismos









 



 


Ainda a propósito da entrevista a Manuela Ferreira Leite, vale a pena ouvir também a última entrevista a Medina Carreira.


 


Poderiam fazer ambos um governo, com o mesmo programa escrito numa folha A4, curto, incisivo, exequível. Medina Carreira tem como prioridade nomear uma comissão para estudar em 3 meses o motivo porque não há investimento estrangeiro em Portugal. Também nomearia uma comissão para estudar em 3 meses como acabar com a corrupção.


 


Ambos minimalistas, sintéticos, sem desperdício de recursos públicos. Assim, com um governo orientado pelo Presidente da República, dos únicos políticos que não é corrupto, com os princípios de Manuela Ferreira Leite e os estudos de Medina Carreira o país, seguramente, seria salvo.


 


Nota: Também aqui.


 






Uma questão de princípio













 



 


Estive a ouvir com toda a atenção a entrevista que Manuela Ferreira Leite concedeu a Judite de Sousa. Ao contrário de Ana Paula Fitas penso que é uma entrevista bastante esclarecedora sobre o seu pensamento político, a forma como tem desenvolvido a pré campanha e a estratégia que está subjacente à próxima disputa eleitoral.


 


Manuela Ferreira Leite considera-se uma pessoa de princípios e declara que nada fará que possa ferir esses princípios e que tudo fará com base nesses mesmos princípios. Ficamos a saber que os seus princípios incluem não se pronunciar sobre aspectos de justiça, no que diz respeito à actuação de António Preto.


 


Ficamos a saber que considera haver asfixia democrática causada pelo governo socialista, em que as pessoas têm medo de participar seja no que for, têm medo de se pronunciar contra o governo, não se importando que os seus apoiantes lancem suspeitas e insinuações sobre as motivações de quem apoia o governo e o PS. Ficamos a saber que não lhe interesse saber se há ou não escutas na Presidência da República, apenas lhe interessando que as pessoas achem que há.


 


Votar em Manuela Ferreira Leite fere os princípios da transparência e do debate de ideias. Alguém a que, por princípio, só lhe interessem murmúrios e boatos em vez de factos e responsabilização, está muito afastada dos princípios fundadores de um estado de direito e democrático.


 


É pois uma questão de princípio não votar em Manuela Ferreira Leite.


 


Nota: também aqui.


 


 

21 agosto 2009

Debates de Verão (15)

 


 


Segunda semana de debates de blogue, no Diário Económico: hoje Porfírio Silva pelo SIMplex:


  


Ousar governar





(...) No mundo do trabalho, essencial à realização da maioria dos portugueses, isto pede o reforço do diálogo social. Dois cinismos ameaçam esta opção. Um aponta para casos de evidente manipulação de lutas laborais para depreciar a representação dos trabalhadores. Outro pretende que a existência de empregadores autoritários e fracassos negociais são obstáculo universal à negociação. O problema é que o cinismo custa caro. A abordagem da direita teve a sua ilustração no descalabro da contratação colectiva em 2004, com uma quebra (face a 2003) de 53% no número de convenções e de 60% nos trabalhadores abrangidos: os valores mais baixos em vinte anos. Sem quaisquer ganhos para a competitividade. Já o governo PS visou renovar as relações de trabalho e abrir-lhes novas perspectivas: impedir a caducidade acelerada dos contratos colectivos; melhorar os mecanismos de arbitragem; submeter os aspectos críticos da adaptabilidade à negociação colectiva e não individual. Os resultados positivos começam a sentir-se: apesar da crise, os primeiros meses de 2009 estão entre os melhores períodos homólogos deste século, (convenções publicadas e trabalhadores abrangidos), podendo ser activados processos antes bloqueados. (...)


 


 e Joaquim Blancard Cruz, pelo Jamais.


 

Nuvem de palavras

 



 


Defender o Quadrado


em


http://www.wordle.net/


 

19 agosto 2009

A extraordinária aliança













 



(pintura de William Gropper: Politicos)


 


Há na sociedade portuguesa a crença generalizada que a direita representa a sobriedade, o rigor, a competência, enfim, a fase adulta de uma democracia responsável, enquanto a esquerda representará o entusiasmo pueril, o idealismo puro e sem realismo, a negligência e o compadrio, a anarquia e a falta de sentido do dever.


 


O governo socialista demonstrou a inadequação desse tipo de classificações, pois aliou o dinamismo, a competência, o sentido do rigor e do serviço público, aos objectivos de solidariedade, de melhoria da qualificação, da formação e da igualdade de oportunidades.


 


As forças políticas à sua direita tiveram que readaptar o discurso, criticando o rumo da governação, acenando com a estatização e governamentalização da vida pública, a falta de liberdade e a menorização de quem defendia as reformas, tentando esvaziá-las de conteúdo. Assim, tentando colar ao governo a imagem de publicidade sem execução, de coveiro da liberdade e da sociedade civil, colocaram-se ao lado dos protestos das corporações, chamando ao governo e aos seus ministros arrogantes, prepotentes e autoritários, nunca conseguindo ultrapassar este discurso nem apresentar alternativas.


 


Às forças políticas à sua esquerda só restava brandir os fantasmas do regresso do salazarismo, da repressão, da falta de liberdade, da reacção, pois um governo que se preocupava com avaliações de desempenho e cumprimentos de orçamentos só podia ser de direita, retrógrado e fascista.


 


Daí a extraordinária aliança entre os partidos à esquerda e à direita do PS a que se assistiu durante estes últimos quatro anos e que está ao rubro nesta campanha. Não interessa discutir projectos, apresentar alternativas, comparar resultados. Não interessa perceber qual a diferença entre as visões do mundo de quem se apresenta a votos. Apenas se discute o carácter dos intervenientes, transformando a pré-campanha em ataques pessoais mesquinhos, achincalhando-se órgãos de soberania, inaceitável numa democracia.


Nota: também aqui.


 

Setas

 



pintura de Nathaniel Davis: arrows


 


1.

Atravesso o corpo como uma seta

olho para a seta sem o corpo

e para o corpo sem a seta

verifico o vazio da seta no corpo

e a ausência do corpo na seta.

Uma vez atravessado

uma vez retirada

entorno o corpo

e reciclo a seta.




2.

Amo as palavras na sua crueza de letras aguadas

pelo som puro de quem saboreia

o silêncio que se instala com a lua

o ar meigo e manso que nos rodeia.

 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...