(pintura de William Gropper: Politicos)
Há na sociedade portuguesa a crença generalizada que a direita representa a sobriedade, o rigor, a competência, enfim, a fase adulta de uma democracia responsável, enquanto a esquerda representará o entusiasmo pueril, o idealismo puro e sem realismo, a negligência e o compadrio, a anarquia e a falta de sentido do dever.
O governo socialista demonstrou a inadequação desse tipo de classificações, pois aliou o dinamismo, a competência, o sentido do rigor e do serviço público, aos objectivos de solidariedade, de melhoria da qualificação, da formação e da igualdade de oportunidades.
As forças políticas à sua direita tiveram que readaptar o discurso, criticando o rumo da governação, acenando com a estatização e governamentalização da vida pública, a falta de liberdade e a menorização de quem defendia as reformas, tentando esvaziá-las de conteúdo. Assim, tentando colar ao governo a imagem de publicidade sem execução, de coveiro da liberdade e da sociedade civil, colocaram-se ao lado dos protestos das corporações, chamando ao governo e aos seus ministros arrogantes, prepotentes e autoritários, nunca conseguindo ultrapassar este discurso nem apresentar alternativas.
Às forças políticas à sua esquerda só restava brandir os fantasmas do regresso do salazarismo, da repressão, da falta de liberdade, da reacção, pois um governo que se preocupava com avaliações de desempenho e cumprimentos de orçamentos só podia ser de direita, retrógrado e fascista.
Daí a extraordinária aliança entre os partidos à esquerda e à direita do PS a que se assistiu durante estes últimos quatro anos e que está ao rubro nesta campanha. Não interessa discutir projectos, apresentar alternativas, comparar resultados. Não interessa perceber qual a diferença entre as visões do mundo de quem se apresenta a votos. Apenas se discute o carácter dos intervenientes, transformando a pré-campanha em ataques pessoais mesquinhos, achincalhando-se órgãos de soberania, inaceitável numa democracia.
Nota: também aqui.
Engano-me muitas vezes. Porém, consigo Sofia,não me enganei. O quadrado que defende não é o do poeta.
ResponderEliminarCumprimentos
O quadrado que defendo é de quem se respeita, apesar das diferenças. Ao contrário do Luís, penso que o poeta faz parte deste quadrado. Ao contrário do Luís que se engana muitas vezes, não se tendo enganado comigo, eu enganei-me uma vez a mais, porque me enganei consigo.
EliminarSofia, não se enganou uma vez a mais. Nem uma vez mais. Nem uma vez. A Sofia não se engana e é muito respeitadora. Deixe lá o poeta em paz e puxe pela imaginação para um postzito que vá um pouco mais além da trivia propagandística do partido do governo.
EliminarLuís, para acabar esta desagradável troca de comentários, deixe-me dizer-lhe que não lhe pedi, nem lhe reconheço, qualquer tipo de ascendente para definir de quem é o quadrado que defendo, ou para sugerir os temas dos meus postes.
EliminarLá diz o ditado: “Presunção e água benta cada qual toma a que quer.” Aqui dispensam-se uma e outra.
Sofia, sempre pensei que de vez em quando gostasse de um comentário no seu quadrado. Qualquer coisa que lhe fortalecesse a convicção.
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