16 agosto 2009

Dos oportunismos múltiplos

 


De facto não percebo a escolha de Carolina Patrocínio como mandatária para a juventude.


 


Mas percebo ainda menos as declarações de Manuela Ferreira em relação ao aumento do desemprego. Percebo ainda menos o oportunismo político dessas declarações, esquecendo a grave crise internacional que vivemos desde há cerca de 1 ano, os níveis de desemprego por essa Europa fora (Espanha está em 18,3%). Não entendo como é que uma candidata a Primeira-Ministra, uma pessoa que já foi Ministra das Finanças, desvaloriza a luz ao fundo do túnel que é o facto do país ter saído da recessão técnica, por muito cauteloso que se deva estar.


 


Apesar de não perceber os critérios das escolhas da mandatária para a juventude, custa-me ainda mais perceber a falta de rigor e o oportunismo de quem escolhe a Verdade como lema, mas que tão pouco o persegue.


 


E convenhamos, a credibilidade de uma candidata a chefiar o governo do país é muitíssimo mais importante do que todas as grainhas de que Carolina Patrocínio não gosta.


 


Já agora, se ainda não o entenderam, este é um blogue plural onde cada um escreve o que pensa, mesmo criticando as opções de campanha do PS. Teria sido interessante (e prova de desinteresse) e talvez importante para o PSD, o apelo ao cerrar de fileiras lançado por Pacheco Pereira, na campanha de 2005.


 


Nota: Também aqui.


 

15 agosto 2009

Mandatária para a juventude (1)

 


Não percebo a função de uma mandatária para a juventude como Carolina Patrocínio, não percebo em que é que representa o PS e o que é que poderá representar para os jovens ela ser a mandatária do PS.


 


Será que o PS pensa que os jovens se revêem na Carolina Patrocínio? Que a têm como referência de vida? Quais são as ideias políticas de Carolina Patrocínio? Que tem ela a dizer aos jovens sobre as escolhas que estão em jogo nas eleições legislativas? Quais os pensamentos de Carolina Patrocínio sobre o acto eleitoral, sobre a educação, sobre os media? Que tem Carolina Patrocínio a partilhar, em termos políticos, com os jovens deste país?


 


Sinceramente, penso que a grande maioria dos jovens portugueses terá anseios, expectativas e dificuldades bem diferentes dos de Carolina Patrocínio. Se a escolha foi efectuada, como parece, pelo simples facto de ser jovem, bonita e risonha, o PS perde credibilidade perante os jovens e os velhos, os bonitos e os feios, os risonhos e os sisudos.


 


Nota: também aqui.


 

Votar à esquerda

 


Para quem ainda tivesse dúvidas, o BE e o PCP, pelas vozes de Fernando Rosas e de Jerónimo de Sousa, na sequência da entrevista de Ferro Rodrigues, confirmaram a indisponibilidade de ambos para fazerem qualquer coligação com o PS, pré ou pós eleitoral.


 


Para quem ainda pensa que o voto à esquerda do PS pode levar a um governo de coligação com os partidos de esquerda, pode render-se à realidade: votar no BE ou no PCP é aumentar a possibilidade de haver um governo de coligação de direita.


 


Para quem ainda pudesse sonhar com uma coligação entre as esquerdas plurais, fica a saber que a pluralidade está dentro do PS, pois os partidos à sua esquerda são monolíticos, não compreenderam que o tempo não volta para trás, mantendo o conforto da oposição por oposição, que  não serve o país nem os seus cidadãos.


 


Nas próximas legislativas quem quiser um governo de esquerda votará PS, quem quiser um governo de direita terá quatro partidos à escolha: PSD, CDS, BE ou PCP.


 


Nota: Também aqui.


 

First time

 



Wynton Marsalis


He and She


 

14 agosto 2009

Memórias Laurentinas

 



 


Durante muitos anos resisti a ler Agustina Bessa Luís.


 


Tentei ler algumas das suas crónicas que não me diziam nada. Tentei ver alguns dos filmes de Manoel de Oliveira (Francisca, Vale Abraão) e não passei dos primeiros 15 minutos. Tudo me parecia sem sentido embora a própria Agustina me interessasse pela forma como falava de si, da sua vida e da sua obra. Uma mulher interessantíssima.


 


Devo agradecer ao meu filho mais velho o mergulho que dei ao ler Memórias Laurentinas.


 


A escrita de Agustina Bessa Luís é do melhor que tenho lido. Segue os meandros do pensamento, avançando e recuando, pegando nas personagens em diversas alturas, em diferentes épocas, olhando-as de lados opostos ou complementares, assumindo a narrativa dentro da história, que é o que menos importa.


 


O que importa em Agustina Bessa Luís é o vício de quem a lê.


 


Memórias Laurentinas são meio autobiográficas, partem de um diário escrito por seu avô materno, Lourenço Guedes Ferreira, e deambulam com a família por terras de Espanha, Angola, Argentina, pelos amigos, pelos primos, pelas termas, pelo Douro, pelo lado esquerdo da cama.


 


Não me posso perdoar por esta tão tardia descoberta. Vou ver se recupero o tempo perdido.

 



 

Adiós Nonino

 



Quinteto de Tango La Zerilla


Astor Piazzolla


 

Debates de Verão (10)

 


 


Continuam os combates com penas: hoje Tiago Julião Neves pelo SIMplex:


  


De vento e poupa




(...) O investimento em energias renováveis permite aumentar a segurança de abastecimento, reduzir a importação de energia do estrangeiro, aliviar o défice da balança de pagamentos, e reduzir a exposição à volatilidade de preços dos recursos não renováveis.




A diversificação inerente à promoção das energias renováveis cria condições para o desenvolvimento de um ‘cluster' tecnológico de futuro, capaz de gerar emprego qualificado e com elevado potencial exportador. Enquanto a descentralização da produção que está associada às energias verdes possibilita que a criação de emprego e a geração de riqueza sejam repartidas de forma mais homogénea pelo território nacional. (...)
 


 


 e José Eduardo Martins, pelo Jamais.


 

Conversas matinais

Deitada no sofá, obedecendo ao seu pedido, sinto as mãozinhas pequenas em festas, nos meus pés.      - Estou a pôr creme à vovó (carinha so...