14 agosto 2009

Memórias Laurentinas

 



 


Durante muitos anos resisti a ler Agustina Bessa Luís.


 


Tentei ler algumas das suas crónicas que não me diziam nada. Tentei ver alguns dos filmes de Manoel de Oliveira (Francisca, Vale Abraão) e não passei dos primeiros 15 minutos. Tudo me parecia sem sentido embora a própria Agustina me interessasse pela forma como falava de si, da sua vida e da sua obra. Uma mulher interessantíssima.


 


Devo agradecer ao meu filho mais velho o mergulho que dei ao ler Memórias Laurentinas.


 


A escrita de Agustina Bessa Luís é do melhor que tenho lido. Segue os meandros do pensamento, avançando e recuando, pegando nas personagens em diversas alturas, em diferentes épocas, olhando-as de lados opostos ou complementares, assumindo a narrativa dentro da história, que é o que menos importa.


 


O que importa em Agustina Bessa Luís é o vício de quem a lê.


 


Memórias Laurentinas são meio autobiográficas, partem de um diário escrito por seu avô materno, Lourenço Guedes Ferreira, e deambulam com a família por terras de Espanha, Angola, Argentina, pelos amigos, pelos primos, pelas termas, pelo Douro, pelo lado esquerdo da cama.


 


Não me posso perdoar por esta tão tardia descoberta. Vou ver se recupero o tempo perdido.

 



 

6 comentários:

  1. E mesmo adequadas, sendo nestas alturas as festividades de São Lourenço...

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  2. Bem vinda ao clube.
    Rui Nunes (outro autor de culto, juntamente com a Maria Gabriela Llansol) diz que temos, na época contemporânea (séc. XIX e XX) dois grandes escritores: Camilo Castelo Branco e Agustina Bessa- Luís.
    Que, como saberá, está "feita" um vegetal.
    Sobrevive.
    Parece que, de quando em vez, ouve, fala, mas deixou de escrever faz já mais de dois anos.
    Agustina Bessa-Luís é como à frase do Pessoa, para a Coca-Cola (que nunca chegou a ser utilizada...):
    - Primeiro estranha-se e, depois, entranha-se.
    Boas leituras agustinianas.
    José Albergaria
    PS - Ela tem quase uma centena de obras, entre ficção, crónica, ensaio, pensamentos...
    A Guimarães esta a reeditar tudo: "Opera Omnia".

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  3. reflexo08:33

    eu sou uma fan incondicionl da Agustina.Ainda bem que começou a descobrir uma grande escritora.

    nao posso concordar consigo quando diz que "e' o vicio de quem a le",apenas pela leitura de um livro.



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    Respostas
    1. Reflexo, talvez não me tenha feito perceber. A escrita de Agustina é viciante, ou seja, lê-se pela forma como escreve mais do que pela história que conta.

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  4. Iniciei-me na obra de Agustina com A Sibila, que já reli não sei quantas vezes, e de que gosto mais do que de alguns livros posteriores, como Vale Abraão ou Ordens Menores. As suas conversas com a Maria João Seixas foram também uma delícia para conhecer a mulher que é Agustina Bessa Luís.

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  5. Anónimo20:20

    O passo seguinte é ver o 'Vale Abraão' do Manoel de Oliveira. Uma obra-prima definitiva...

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