15 agosto 2009

Votar à esquerda

 


Para quem ainda tivesse dúvidas, o BE e o PCP, pelas vozes de Fernando Rosas e de Jerónimo de Sousa, na sequência da entrevista de Ferro Rodrigues, confirmaram a indisponibilidade de ambos para fazerem qualquer coligação com o PS, pré ou pós eleitoral.


 


Para quem ainda pensa que o voto à esquerda do PS pode levar a um governo de coligação com os partidos de esquerda, pode render-se à realidade: votar no BE ou no PCP é aumentar a possibilidade de haver um governo de coligação de direita.


 


Para quem ainda pudesse sonhar com uma coligação entre as esquerdas plurais, fica a saber que a pluralidade está dentro do PS, pois os partidos à sua esquerda são monolíticos, não compreenderam que o tempo não volta para trás, mantendo o conforto da oposição por oposição, que  não serve o país nem os seus cidadãos.


 


Nas próximas legislativas quem quiser um governo de esquerda votará PS, quem quiser um governo de direita terá quatro partidos à escolha: PSD, CDS, BE ou PCP.


 


Nota: Também aqui.


 

First time

 



Wynton Marsalis


He and She


 

14 agosto 2009

Memórias Laurentinas

 



 


Durante muitos anos resisti a ler Agustina Bessa Luís.


 


Tentei ler algumas das suas crónicas que não me diziam nada. Tentei ver alguns dos filmes de Manoel de Oliveira (Francisca, Vale Abraão) e não passei dos primeiros 15 minutos. Tudo me parecia sem sentido embora a própria Agustina me interessasse pela forma como falava de si, da sua vida e da sua obra. Uma mulher interessantíssima.


 


Devo agradecer ao meu filho mais velho o mergulho que dei ao ler Memórias Laurentinas.


 


A escrita de Agustina Bessa Luís é do melhor que tenho lido. Segue os meandros do pensamento, avançando e recuando, pegando nas personagens em diversas alturas, em diferentes épocas, olhando-as de lados opostos ou complementares, assumindo a narrativa dentro da história, que é o que menos importa.


 


O que importa em Agustina Bessa Luís é o vício de quem a lê.


 


Memórias Laurentinas são meio autobiográficas, partem de um diário escrito por seu avô materno, Lourenço Guedes Ferreira, e deambulam com a família por terras de Espanha, Angola, Argentina, pelos amigos, pelos primos, pelas termas, pelo Douro, pelo lado esquerdo da cama.


 


Não me posso perdoar por esta tão tardia descoberta. Vou ver se recupero o tempo perdido.

 



 

Adiós Nonino

 



Quinteto de Tango La Zerilla


Astor Piazzolla


 

Debates de Verão (10)

 


 


Continuam os combates com penas: hoje Tiago Julião Neves pelo SIMplex:


  


De vento e poupa




(...) O investimento em energias renováveis permite aumentar a segurança de abastecimento, reduzir a importação de energia do estrangeiro, aliviar o défice da balança de pagamentos, e reduzir a exposição à volatilidade de preços dos recursos não renováveis.




A diversificação inerente à promoção das energias renováveis cria condições para o desenvolvimento de um ‘cluster' tecnológico de futuro, capaz de gerar emprego qualificado e com elevado potencial exportador. Enquanto a descentralização da produção que está associada às energias verdes possibilita que a criação de emprego e a geração de riqueza sejam repartidas de forma mais homogénea pelo território nacional. (...)
 


 


 e José Eduardo Martins, pelo Jamais.


 

Reordenamento e redistribuição populacional









 


A desertificação do interior do país é uma realidade que não tem parado de crescer com o proporcional alargamento das grandes capitais, a desumanização, o desenraizamento e a proliferação de guetos sociais.


 


Paralelamente não tem havido um redimensionamento da administração pública, adequando os serviços às reais necessidades, tendo-se iniciado uma reestruturação da distribuição do parque escolar e dos serviços de urgência e de maternidades que tendem a reflectir essa realidade, com os critérios de optimização e da qualidade dos serviços que se prestam.


 


É com tristeza que as freguesias e os concelhos mais afastados vêm partir os seus, sentindo-se abandonados à sua sorte. Mas o problema é que a ausência de emprego e de expectativas conduz a população a mover-se para o litoral, em busca de novas oportunidades.


 


A aposta nas novas tecnologias, na banda larga, na massificação e facilitação do acesso à internet, na flexibilização dos horários de trabalho com o recurso a teletrabalho nas áreas em que isso é possível, no desenvolvimento de teleconferências, nas consultas de referência por via electrónica, na partilha de dúvidas e de resolução de problemas pelo avanço da tecnologia informática, podem ser utilizadas para reanimar o interior desertificado.


 


Se houver boa acessibilidade rodoviária, se existirem transportes rápidos e pouco poluentes, facilitando a mobilidade dos cidadãos entre os centros e as periferias, é possível que haja migração de uma parte da população para cidades mais pequenas, com outro tipo de ofertas a nível de qualidade de vida, que multiplicarão actividades culturais, de comércio e de serviços. Será possível, num futuro próximo, viver calmamente numa cidade do interior e trabalhar em rede com parceiros em múltiplas localidades.


 


A aposta numa rede de transportes ferroviários, numa rede rodoviária de qualidade e nas novas tecnologias podem ser a chave para uma reunificação de todo o tecido nacional e uma enorme melhoria na qualidade de vida dos cidadãos.


 


Nota: também aqui.


 






A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...