14 agosto 2009

Reordenamento e redistribuição populacional









 


A desertificação do interior do país é uma realidade que não tem parado de crescer com o proporcional alargamento das grandes capitais, a desumanização, o desenraizamento e a proliferação de guetos sociais.


 


Paralelamente não tem havido um redimensionamento da administração pública, adequando os serviços às reais necessidades, tendo-se iniciado uma reestruturação da distribuição do parque escolar e dos serviços de urgência e de maternidades que tendem a reflectir essa realidade, com os critérios de optimização e da qualidade dos serviços que se prestam.


 


É com tristeza que as freguesias e os concelhos mais afastados vêm partir os seus, sentindo-se abandonados à sua sorte. Mas o problema é que a ausência de emprego e de expectativas conduz a população a mover-se para o litoral, em busca de novas oportunidades.


 


A aposta nas novas tecnologias, na banda larga, na massificação e facilitação do acesso à internet, na flexibilização dos horários de trabalho com o recurso a teletrabalho nas áreas em que isso é possível, no desenvolvimento de teleconferências, nas consultas de referência por via electrónica, na partilha de dúvidas e de resolução de problemas pelo avanço da tecnologia informática, podem ser utilizadas para reanimar o interior desertificado.


 


Se houver boa acessibilidade rodoviária, se existirem transportes rápidos e pouco poluentes, facilitando a mobilidade dos cidadãos entre os centros e as periferias, é possível que haja migração de uma parte da população para cidades mais pequenas, com outro tipo de ofertas a nível de qualidade de vida, que multiplicarão actividades culturais, de comércio e de serviços. Será possível, num futuro próximo, viver calmamente numa cidade do interior e trabalhar em rede com parceiros em múltiplas localidades.


 


A aposta numa rede de transportes ferroviários, numa rede rodoviária de qualidade e nas novas tecnologias podem ser a chave para uma reunificação de todo o tecido nacional e uma enorme melhoria na qualidade de vida dos cidadãos.


 


Nota: também aqui.


 






12 agosto 2009

Algosto (3)

 



Vicente Amigo: tres notas para decir te quiero


 


 


 


A quietude de uma noite de Agosto, em baixo de um mar de estrelas.


 


Boa companhia, bom vinho, boa comida, o barulho das cigarras e uma musiquinha do filme que passam ao ar livre.


 


Momentos de êxtase num Algarve demasiado cheio, demasiado barulhento, demasiado embrutecido, estes ninhos de puro prazer.


 


Estar de férias é poder estar contigo, neste reduto de mansidão.


 



 

Fado, Fátima e Sintra

 



(pegadas de dinossauros; pedreira do Galinha)


 


Portugal é um país com um excelente clima, uma gastronomia quase única, pelo menos a nível de doçaria, com praia, campo, turismo rural, turismo radical, ofertas de concertos e espectáculos com artistas internacionais, ruínas de tempos imemoriais, estátuas, conventos, igrejas, castelos, cavernas, pistas de dinossauros, pintura rupestre, campos de golf, museus, artesanato riquíssimo, enfim, inúmeras de possibilidades para exploração dos operadores turísticos.


 


É por isso com mágoa e espanto que leio notícias como Sintra, Fátima e fado são os postais de Portugal. Portugal não é o mesmo de há 40 anos. Parece-me irreal a forma como não se consegue inovar na imagem de um país que sofreu tantas mudanças e que tem tanto para oferecer. A imagem de Portugal é feita também por quem nos visita. A insistência no bom velho Portugal, inamovível e imutável, faz transparecer uma enorme resistência ao risco e à inovação, faz perceber como é artificial e empobrecedora a mensagem e a vivência de um sector que deveria estar interessado em diversificar as ofertas.


 


Não se podem oferecer aos turistas rotas de vinhos, rotas de gastronomia, circuitos de regiões, fundados nas belezas naturais, nos acontecimentos históricos, sei lá?


 


Fado, Fátima e Sintra? Que pobreza.

 

Debates de Verão (8)













 



 


Continuam os combates com pena: hoje Carlos Santos pelo SIMplex:


 


 


O activo dominante




(...) No mercado político, o PS é um activo dominante: de risco baixo, com um panfleto informativo detalhado, e com retorno elevado. Outros produtos terão outras características. Mas, em geral, não é neste tipo de activo que procuramos investir?


 


 


e Maria João Marques, pelo Jamais.


 


 

11 agosto 2009

Bonemine e Abraracourcix (2)

 



 


Na verdade, eu adoro o meu Abraracourcix,


o meu Rechoncha.


 

Dos incêndios florestais










 


A oposição ao governo e ao PS tenta, de todas as formas que conhece, exceptuando propor alternativas à política até agora seguida, criar casos e factos políticos, com manobras de diversão para esconder a falta de projectos políticos credíveis.


 


Foram várias as tentativas: a alegada falsificação das estatísticas relacionadas com os incêndios, a desvalorização do Parlamento, a não nomeação do Prof. Lobo Antunes para o novo CNECV, o recenseamento automático através do cartão do cidadão, que me lembre. Até agora nenhuma delas funcionou.


 


Mas eis que voltamos ao tema de Verão por excelência, mas que tem vindo a ser esquecido pelos jornais nos últimos tempos. Quando falta assunto, volta-se ao número de incêndios e à área ardida, habitualmente para culpar algum governante. Este ano, e com certeza não por acaso, Jaime Silva apareceno Público, na rubrica Sobe e Desce da última página (link não disponível), com a seta para baixo por causa da área ardida em incêndios deste ano, que é superior à dos anos anteriores, é mesmo superior à totalidade da área ardida no ano passado.


 


Também outras pessoas já começaram a pegar neste tema, usando-o como (mais) um dos falhanços do governo.


 


Mas seria muito interessante que se analisassem as estatísticas que constam do Relatório Provisório de Incêndios Florestais, disponível no site da Autoridade Florestal Nacional - Defesa da Floresta, e que analisa os dados disponíveis deste ano em comparação com a média dos anos de 1999 a 2008, e os dados deste ano, mês a mês, comparando-os também com a média dos dados de 1999 a 2008.


 


Se olharmos para os dados em gráfico, em número de ocorrências:


 







e em total de área ardida (em hectares):


 


 


 


podemos perceber que, a seguir a um ano de 2005 catastrófico, aos anos de 1999 a 2004 mais ou menos semelhantes, em que a média de ocorrências (no período de 1 de Janeiro a 31 de Julho) variava entre 11.000 e 14.800, com excepção de 2001 (cerca 9.000), e a média de área ardida variava entre 37.000 e 135.000 hectares (com excepção de 2001 – 28.000 ha), a partir de 2006 houve uma drástica descida no que diz respeito aos 2 indicadores.


 


É verdade que este ano tem corrido pior que os anteriores, mesmo assim melhor que os anos anteriores a 2006, sendo este aumento devido a um enorme acréscimo de ocorrências e de área ardida em Março, mês anormalmente quente neste ano, que representa 35, 75% das ocorrências e 62,22% da área ardida, até 31 de Julho.


 


Há que ser sério na discussão dos reais problemas que deverão ser resolvidos. Talvez fosse preferível tentar perceber quais as medidas que se devem implementar para que, durante todo o ano, haja o mesmo alerta e a mesma capacidade de combater os incêndios que durante a época de Verão.


 


Nota: também aqui.






Conversas matinais

Deitada no sofá, obedecendo ao seu pedido, sinto as mãozinhas pequenas em festas, nos meus pés.      - Estou a pôr creme à vovó (carinha so...