Tom Kennedy - CBC
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
6 de Junho de 1944
The hopes and prayers of liberty-loving people everywhere march with you.
(General Dwight D. Eisenhower - mensagem do dia D)
Votar em branco, nulo, num qualquer partido político, grande, pequeno, antigo, moderno, com mulheres, com homens, com ambos, defensores dos casamentos gay, defensores das famílias tradicionais, amigos do ambiente, dos charutos, das comezainas, das caminhadas, ascetas, bruxos, comediantes, prostitutas, felizes ou macambúzios, aprendizes de Medina Carreira, Maria Filomena Mónica, José Manuel Fernandes, Manuela Moura Guedes, Marinho Pinto ou Rogério Alves, Ana Gomes ou Manuel Alegre, fãs de Louça, detractores dos Portas, seja em quem for e como for, é preciso votar.
Votar é um exercício de liberdade, de cidadania, de poder. Votar é assumir a responsabilidade de decidir, de tomar parte na resolução e de não ser parte do problema.
Gostam de maiorias absolutas? Gostam de minorias relativas? De coligações, de centros, de esquerdas ou direitas, uma só ou múltiplas? Da Europa, do tratado, do referendo? Gostam de paz, de divisões que multiplicam, de movimentos monárquicos ou anárquicos? Gostam de discutir e de exigir dos outros a resolução dos nossos problemas?
É preciso votar. Não gostar da campanha, não gostar dos candidatos, não gostar de nada não é desculpa. Votem e digam que não gostam: no voto.
Não desperdicemos uma ocasião de dizermos de nossa justiça. Uma ocasião que se traduz num grupo de deputados que irá ditar muito do que nos vai acontecer nos próximos anos. Não se demitam dessa função.
Vamos votar com sol ou com chuva, de fato de gala ou de fato de banho. Vamos livremente votar.
A campanha eleitoral foi paupérrima, principalmente da parte do PS e do PSD. A estratégia de Paulo Rangel foi a vencedora, tendo o PS deixado arrastar-se para uma campanha que nada teve a ver com os temas europeus, enredando-se em golpes baixos e manobras de diversão. Vital Moreira foi muito pior candidato do que se julgava, Paulo Rangel foi muito melhor candidato do que se julgava.
Se o PS ganhar, mesmo que por pouco, coisa que ninguém esperava há 2 meses, será importante para preparar a vitória em Outubro.
O PSD já ganhou, mesmo que perca, como tudo indica, as eleições. Paulo Rangel será, muito provavelmente, uma séria ameaça aos eternos candidatos à liderança do PSD. A vitória, seja qual for o resultado, será dele, a não ser que, ao contrário de tudo o que se prevê, o PSD tiver um mau resultado.
O PCP e o BE disputam o mesmo espaço. Não sei quem sairá vencedor.
Os restantes pequenos partidos são uma incógnita. Talvez haja muitos votos de protesto em partidos que parecem ter poucas hipóteses de conseguirem mais do que escassas percentagens. Pode haver surpresas extremistas desagradáveis.
Aconteça o que acontecer, o que é preciso é votar.
Acredito que em todas as épocas haja luta e desconfiança entre gerações. Os mais velhos vivem a ilusão de que estão a tentar cumprir as suas utopias, os mais novos vivem na ilusão de que irão construir um mundo melhor. Frequentemente esses dois mundos têm dificuldade em substituir-se naturalmente e surgem conflitos fratricidas dentro de grupos que parecem ter a mesma ideologia.
No PS está a fazer-se a substituição de uma geração que recebeu o 25 de Abril, que construiu o regime democrático, que governou com os paradigmas e com os movimentos e as ideias desses anos.
Passaram 30 anos e embora haja valores que unem as diferentes gerações, a ideia de democracia pluralista, de estado servidor e garante de direitos fundamentais, a solidariedade, há grandes diferenças nas formas de gerir esse estado, de equilibrar uma sociedade competitiva, de perceber a inexistência de igualdades totalitárias mas garantindo o acesso às mesmas oportunidades, de encarar a sustentabilidade dos sistemas sociais que enformam e são o suporte do bem-estar e da paz social.
Há outros meios, outra velocidade, outras tecnologias, outras preocupações, outros problemas. Há o terrorismo, as desigualdades, o crescer dos fanatismos, o espreitar da xenofobia e do racismo como novos-velhos valores sociais, a solidão, o envelhecimento populacional, a violência, o imediatismo, a voracidade.
Nos outros partidos, em maior ou menor grau, as lutas são semelhantes. Continuo a pensar que o PS é o que mais garante a manutenção dos valores universais em que acredito, com uma visão mais realista e empreendedora da nossa sociedade.
Por isso, cumprindo a primeira volta das legislativas, vou votar no PS.
William Hodges
Neste profundo degelo
neste emaranhado novelo
da dor fina do cansaço
da insone desilusão,
nesta ganga de pedras
nos membros nos olhos
neste encolher de pétalas
deito-me por dentro do mundo
e cavo cada vez mais fundo
o tempo de me esconder.
Gostaria de falar da cidade como teatro da vida; do desenho urbano, que se vai modificando ao longo dos tempos, como cenário; dos enredos da evolução social e urbana, como sucessivos textos; da tão diversa roupagem que a cobre, como figurinos; dos decisores que nela actuam segundo papeis previamente distribuídos, mas sempre em aberto, como actores; dos poderes e contra-poderes, às vezes em conflito com texto e cenário, como encenadores; e dos cidadãos que detêm o poder de a todo o momento subverter a cena, como actores-autores de uma peça que, por mais que se escreva, está sempre já escrita e por escrever. (Helena Roseta)
A cidade, a sua organização, os seus habitantes, o poder que têm ou a que se submetem, o espaço público, fechado ou aberto, os templos, o poder, o teatro.
Como se transformam as cidades, como nos transformamos a nós, como nos transformam as cidades? Que significa o crescer da urbe em volta de becos, em volta dos operários, em volta de ruelas? Que significam os estrangeiros, os povoadores, os que chegam de fora?
Que significa planear, conceber, reformar, determinar, ordenar?
Onde está o palco, onde estão os actores, as imagens, os templos?
Onde está a cidadania, o poder dos habitantes honrados das cidades de hoje, iguais, desumanizadas, envelhecidas, insalubres, decrépitas, que não servem os seus cidadãos? Como podemos nós ser os argumentistas das peças multirraciais das cidades de hoje?
Uma conferência entre cruzamentos de imagens, de olhares, entre o desenho e a construção das cidades e o salão nobre do Teatro D. Maria II, conduzida pela Arquitecta Helena Roseta, cidadã honrada e mulher de muitos caminhos e de muitas interrogações, numa excelente iniciativa do Teatro com Cruzamentos. Foi ontem, ao fim da tarde, mas haverá mais.
Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...