03 junho 2009

Cidadãos honrados


 


Gostaria de falar da cidade como teatro da vida; do desenho urbano, que se vai modificando ao longo dos tempos, como cenário; dos enredos da evolução social e urbana, como sucessivos textos; da tão diversa roupagem que a cobre, como figurinos; dos decisores que nela actuam segundo papeis previamente distribuídos, mas sempre em aberto, como actores; dos poderes e contra-poderes, às vezes em conflito com texto e cenário, como encenadores; e dos cidadãos que detêm o poder de a todo o momento subverter a cena, como actores-autores de uma peça que, por mais que se escreva, está sempre já escrita e por escrever. (Helena Roseta)


 


A cidade, a sua organização, os seus habitantes, o poder que têm ou a que se submetem, o espaço público, fechado ou aberto, os templos, o poder, o teatro.


 


Como se transformam as cidades, como nos transformamos a nós, como nos transformam as cidades? Que significa o crescer da urbe em volta de becos, em volta dos operários, em volta de ruelas? Que significam os estrangeiros, os povoadores, os que chegam de fora?


 


Que significa planear, conceber, reformar, determinar, ordenar?


 


Onde está o palco, onde estão os actores, as imagens, os templos?


 


Onde está a cidadania, o poder dos habitantes honrados das cidades de hoje, iguais, desumanizadas, envelhecidas, insalubres, decrépitas, que não servem os seus cidadãos? Como podemos nós ser os argumentistas das peças multirraciais das cidades de hoje?


 


Uma conferência entre cruzamentos de imagens, de olhares, entre o desenho e a construção das cidades e o salão nobre do Teatro D. Maria II, conduzida pela Arquitecta Helena Roseta, cidadã honrada e mulher de muitos caminhos e de muitas interrogações, numa excelente iniciativa do Teatro com Cruzamentos. Foi ontem, ao fim da tarde, mas haverá mais.


  



 

31 maio 2009

Smooth

 


 



(Santana & Rob Thomas)


 


 


Man, it's a hot one

Like seven inches from the midday sun

Well, I hear you whispering in the words, to melt everyone

But you stay so cool

My muñequita, my Spanish Harlem, Mona Lisa

You're my reason for reason

The step in my groove


 


Pre-Chorus

And if you said this life ain't good enough

I would give my world to lift you up

I could change my life to better suit your mood

'Cause you're so smooth


 


Chorus

And it's just like the ocean under the moon

Oh, it's the same as the emotion that I get from you

You got the kind of lovin' that can be so smooth, yeah

Give me your heart, make it real

Or else forget about it


 


But I'll tell you one thing

If you would leave it would be a crying shame

In every breath and every word

I hear your name calling me out

Out from the barrio

You hear my rhythm on your radio

You feel the turning of the world, so soft and slow

Turning you round... and round


 


Pre-Chorus

And if you said this life ain't good enough

I would give my world to lift you up

I could change my life to better suit your mood

'Cause you're so smooth


 


Chorus x 2

And it's just like the ocean under the moon

Oh, it's the same as the emotion that I get from you

You got the kind of lovin' that can be so smooth, yeah

Give me your heart, make it real

Or else forget about it


Or else forget about it

Or else forget about it

 

Passaporte

 


Mesmo estando em total desacordo com Maria Filomena Mónica no que diz respeito ao conceito de avaliação, não deixo de lhe apreciar a escrita.


 


Acabei de ler o seu "passaporte". No estilo irónico e mordaz que a caracterizam, Maria Filomena Mónica brinca com as suas características de turista irritada com a massificação, com o seu elitismo e a sua exigência de conforto, levando-nos a vários sítios, desde aos seus locais de infância até ao Cairo.


 


Sempre bem documentada, não perde a oportunidade de contar histórias a propósito da História.


 


Adorei o epíteto de meteorito à Casa da Música do Porto, assim como a sua apreciação de Lisboa e de Córdova.


 


Um bom companheiro de insónias, este pequeno livro de crónicas, com algumas fotografias excelentes, particularmente a de Lisboa.


 



 

Subjectividade e meritocracia

 



 


No seguimento da entrevista de José Gil e da manifestação dos professores vi, de raspão, uma intervenção de Maria Filomena Mónica ontem, na RTPN, se não estou em erro.


 


Mas o que ouvi deixou-me perplexa. Dizia Maria Filomena Mónica que a avaliação tem de ser subjectiva, que tinha pedido a reforma antecipada porque o ministério queria que ela preenchesse uns formulários e que ela se recusava.


 


Não consigo perceber como é que Maria Filomena Mónica foi avaliada e avaliou ao longo destes anos todos, os conhecimentos, as publicações, os curricula de tantos quantos se cruzaram o seu caminho. Foi pela cor dos olhos, pelo que vestiam, pelo som dos apelidos? Como é que ela própria foi avaliada? Por testes, em que tinha que responder a perguntas iguais às dos seus colegas, que tinham uma grelha de avaliação e que, no fim, somavam um determinado valor? Ou pelos ares de inteligência ou de indigência mental que tinham?


 


Como se pode ser a favor da meritocracia se não há formas de comparar e avaliar? Como se comparam e avaliam procedimentos, atitudes, conhecimentos, aptidões, sem que se tende uma objectividade exemplar? Como se pode dar possibilidade a quem é avaliado de contestar a própria avaliação, se esta não seja o mais clara e transparente possível?


 


É claro que há, e deve haver, algum lugar para a subjectividade. Avaliar pressupõe responsabilidade do avaliador e, por muito que se seja objectivo, as pessoas não são computadores. Essa responsabilidade deve ser assumida e quem avalia deverá prestar contas da sua avaliação.


 


Como é possível alguém que se diz democrata e meritocrata defender uma forma de avaliação que permite um poder discricionário sobre quem está a ser avaliado?


 


Maria Filomena Mónica defende o indefensável, fala de uma escola que já não existe, se é que alguma vez existiu. E se o diagnóstico é que este é um problema que tem oitocentos anos, de certeza que não estaria à espera que alguém o resolvesse em quatro. Muito menos ela própria, cujas ideias não se percebem se são para este século ou para o XIX, onde ela confessa que vive na maior parte do tempo.

 

30 maio 2009

Dos medos de Manuela Ferreira Leite

 


Dos chips... das matrículas:


 


Mas obrigatório? Então eu agora de cada vez que vou para um lado tenho a certeza de que alguém sabe onde é que eu estou? Então eu já tenho medo de ouvir o telemóvel com medo de estar a ser escutada, agora ainda vou ter medo de sair de casa com medo de ser seguida?


 



 

Conteúdos

 



 


Li a entrevista que José Gil deu ao Público e não concordo com quase nada do que diz.


 


José Gil centra o seu pensamento naquilo a que ele chama a deterioração da relação afectiva entre os alunos e os professores e relaciona-a com a implementação de um sistema de avaliação com parâmetros objectivos. Penso que se referia à avaliação em geral.


 


A quebra dessa relação afectiva tem vido a concretizar-se há imenso tempo e, na minha opinião, com a alteração das relações afectivas entre adultos, crianças e adolescentes que se iniciou dentro das famílias e extravasou para os outros domínios sociais, e também com a evolução dos métodos e das oportunidades de aprendizagens fora do modelo escolar.


 


José Gil assume que este tipo de avaliação reduz a criatividade e afasta os professores mais capazes, pelo que não percebo se, nesta fase, se está a referir à avaliação de desempenho dos professores. José Gil afirma concretamente que este ministério piorou muitíssimo a educação precisamente pelo facto de ter insistido na avaliação parametrizada, por não ter ouvido os professores, por ter usado o autoritarismo como arma económica.


 


Não poderia estar mais em desacordo. Esta legislatura tentou valorizar o papel do professor, organizando um estatuto de carreira que distinguisse o mérito, assumindo que a escola pública deve estar ao serviço dos alunos e não dos professores, tentando mudar a atitude de uma classe até agora desprestigiada e desprezada não pelos alunos, mas pela sociedade em geral.


 


Parece-me uma avaliação demasiado subjectiva, a de José Gil.




Há, no entanto, um parágrafo em que concordamos:




A escola já não era boa. A escola precisa de reformas, é necessário pensar uma avaliação, mas para pensar uma avaliação temos primeiro que pensar em conteúdos. A primeira das coisas a fazer é revalorizar os professores, agora. A relação geral dos alunos relativamente ao saber é de rejeição. A ideia do professor como alguém que abre as portas para o mundo acabou ou está em vias de acabar. Isto tem de ser restaurado.

 


Adenda: ler também José Teófilo Duarte -  E agora Gil?

Makin' Whoopee

 


 



Dr. John & Rickie Lee Jones


 


Another bride Another June

Another sunny honey moon

another season, another reason

for makin' whoopie


 


Alot of shoes, alot of rice

the groom is nervous. he answers twice

its really Killin’ that he's so willin'

To make whoopee


 


Picture a little love nest

down where the roses cling

picture that same sweet love nest

Think what a year can bring


 


He's washing dishes and baby cloths

He's so ambitious he even sows

but don't forget folks thats what you get folks

for makin’ whoopee


 


Another year or maybe less

what's this I hear? Well can't you guess

She feels neglected and he's suspected

of makin' whoopee


 


She sits alone most every night

He doesn't phone her he doesn't write

he says he's busy but she say's "is he?"

He's makin' whoopee


 


He doesn't make much money

only five thousand per

some judge who thinks he's funny

says you'll pay six to her


 


he says now judge suppose I fail

the judge says budge right into jail

you better keep her I think it's cheeper

then makin’ whoopee


 


you better keep her

I know it's cheaper than makin' whoopee

 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...