16 maio 2009

Ciência e mistificação

 



 


Sempre que se anuncia uma pandemia ou a possibilidade de disseminação de uma doença infecciosa com mortalidade preocupante, perante o desconhecido há inúmeras teorias da conspiração.


 


Não é que elas não sejam interessantes e que não sejam excelentes guiões para filmes, excelentes ideias para livros de ficção científica, policiais e de espionagem.O facto das empresas envolvidas na investigação e comercialização de antivirais ganharem com as pandemias de gripe, não as transforma obrigatoriamente em grupos de malfeitores a soldo do capital, modificando geneticamente vírus assassinos, intencionalmente ou por negligência.


 


Já me chegaram por e-mail várias notícias sobre uns trabalhos interessantíssimos sobre a associação entre a doença de Alzheimer, a esclerose múltipla e o uso de adoçantes artificiais, divulgados pela Dra. Mancy Marckle. Claro que fui ao PUBMED pesquisar estes artigos mas não encontrei nada, mas mesmo nada, sobre este assunto.


 


Em relação ao vírus H1N1 também me enviaram um vídeo do Dr. Leonard Horowitz que defende que este vírus é o resultado de uma fabricação laboratorial, uma mistura entre os vírus da gripe comum, da gripe suína e da gripe aviaria, para aumentar os lucros das empresas que vendem vacinas e antivirais.


 


O Dr. Leonard Horowitz também defendeu que o vírus Ébola e o HIV teriam sido fabricados pelo governo dos EUA na preparação da guerra biológica e de genocídios. Nada ficou provado e a credibilidade deste Dentista não abunda. Mais uma vez não há registo de artigos científicos (PUBMED).


 


Finalmente um investigador australiano, Adrian Gibbs, fez um relatório em que levanta a suspeita de este vírus ter sido criado acidentalmente, em experiências para desenvolver vacinas. É suficientemente credível para desencadear uma resposta da OMS, que já afirmou não haver indícios nem provas de que isso pudesse ter acontecido.


 


Bem sei que queremos explicações para tudo, sobretudo aquelas que afastam a hipótese de haver coisas que o Homem não controla. Mas convém ser cauteloso e aceitar que os vírus, as bactérias, o magma, as placas tectónicas, os tornados, os terramotos, não são controláveis por nós.

 

Com dedicatória

 



(autor desconhecido)


 


Não temos o hábito de nos voltarmos

nos anos paralelos que vivemos

não temos o hábito de fotografarmos

gestos do amor silêncios amargos

não temos o hábito de nos trocarmos

em objectos mais ou menos habituais.


 


Habitualmente sou eu e és tu

mas temos o hábito de sermos nós.


 

É você

 


Já há 22 anos.


 



(Tribalistas)


 


É você

Só você

Que na vida vai comigo agora

Nós dois na floresta e no salão

Nada mais

Deita no meu peito e me devora

Na vida só resta seguir

Um risco, um passo, um gesto rio afora


 


É você

Só você

Que invadiu o centro do espelho

Nós dois na biblioteca e no saguão

Ninguém mais

Deita no meu leito e se demora

Na vida só resta seguir

Um risco, um passo, um gesto rio afora

Na vida só resta seguir

Um ritmo, um pacto e o resto rio afora


 

15 maio 2009

As 15 séries (ou mesmo 12) favoritas

As minhas séries favoritas, logo 15, que são muitas? Vamos lá a ver:



  • Clayhanger – Adorei esta série dramática, do que me lembro dela, de um rigor interpretativo totalmente britânico, um pai aterrador e castrador, uma irmã solícita, silenciosa e maternal, um rapaz de uma timidez e sensibilidade doentias, uma mulher estranha e diferente, que casa com um assassino, que reencontra o rapaz apaixonado e faz da vida dele um romance (é uma das frases do filme, deliciosamente pirosa).

  • Holocaust – Tudo o que se relaciona com o Holocausto e a 2ª guerra mundial é, para mim, de grande interesse. Esta série tinha todos os ingredientes para me prender, começando pelo excelente grupo de actores.

  • The World at War – Uma série indispensável que vi e revi. Quando resolveram oferecer-me o DVD encomendado na Amazon, sem legendas… foi publicado pelo Expresso um mês depois! Admirável e arrepiante, desde a voz de Laurence Olivier às imagens, à música, um documentário impressionante da loucura se uma parte do século XX.

  • Les enquêtes du commissaire Maigret – Mais uma série de culto, com a atmosfera do Sena e de Paris, o cachimbo e o cinzento da alma humana.

  • Allo ‘ Allo! – Listen very carefully, I shall say this only once!

  • Gabriela – A telenovela que me revelou o Brasil e Jorge Amado. Gostei também muito da telenovela seguinte, mas nenhuma foi tão memorável como esta.

  • All in the Family – Comédia de costumes intemporal. Há por aí muitas Ediths e muitos meatheads, muitos Archie Bunkers à nossa volta

  • Colditz - Semana após semana a torcer pelos prisioneiros britânicos.

  • O Tal Canal – Herman José fez uma revolução nos programas de humor portugueses. É um clássico.

  • ER – A série sobre médicos e medicina mais bem conseguida que eu conheço, muitíssimo melhor que Houses e semelhantes.

  • Silent Witness – O silêncio da morte ecoa pelos vidos. Excelentíssima série sobre os mistérios que levam a matar e a viver.

  • The Muppet Show – Uma série difícil de caracterizar, imperdível.


Afinal só me lembrei de 12!


 


E agora lanço a bola à Donagata, à MDSOL e ao A. Teixeira.

 



 

H1N1

 


A gripe não sazonal de tipo A (vírus H1N1) registou até hoje, em todo o mundo, segundo os dados fornecidos pela Organização Mundial de Saúde, 7520 casos, dos quais 65 foram mortais, ou seja, apresenta uma mortalidade de 0,8%.


 


Apesar deste índice de mortalidade ser semelhante ao da gripe comum ou sazonal, o problema destas pandemias é a possibilidade de haver cruzamentos e misturas de vários tipos de vírus, o que pode aumentar (ou diminuir) a perigosidade.


 


É prudente que todos estejamos alerta e que sigamos os procedimentos indicados, de forma a evitar, o mais possível, a disseminação da gripe. Como em tudo, o conhecimento é uma arma poderosíssima contra todos os males. Não há como nos mantermos informados sobre o que se passa.


 


Deixo aqui alguns sites em actualização permanente:



  • OMS - Organização Mundial de Saúde

  • CDC - Centro de Controlo e Prevenção de Doenças

  • DGS - Direcção Geral de Saúde



 


 

Amarras

 


Manuel Alegre não vai sair do PS. Vai continuar a dizer e a fazer o que lhe apetecer.


 


Acho que faz bem. Não sei é se quem alimentou esperanças de uma rotura no PS, tentando colar-se a ele para tirar dividendos políticos, como tem feito o BE, ou por pensar que é necessário outro partido mais à esquerda do PS, está assim tão feliz.


 


Não sei se esta permanência de Manuel Alegre no PS tem tradução no número de votantes no PS, mas parece-me que terá influência numa hipotética votação em Manuel Alegre, caso considere candidatar-se de novo a Presidente da República.


 

Demissões

Tenho lido e ouvido inúmeros argumentos a favor e contra a demissão de Lopes da Mota do seu cargo no Eurojust.


 


Sem que se adiantem as conclusões de um processo disciplinar  que vai agora começar e por muito que seja verdade que não há motivos formais para que Lopes da Mota seja suspenso, é óbvio que o facto de se manter em funções afecta a imagem do governo, muito especialmente a do Primeiro-ministro.


 


Fui daquelas que não acreditou na existência de pressões. Pense-se o que se pensar da robustez psicológica dos magistrados, parece-me indesmentível que as conversas de Lopes da Mota com os seus colegas parecem ter sido mais do que meras trocas de opiniões.


 


É claro que será o processo disciplinar que deverá apurar se essas conversas e essas pressões teriam intenções ilegítimas. Mas o facto de se ter avançado para um processo significa que há fortes indícios de que há matéria para procedimento disciplinar. E mais importante e significativo, caso tenha havido pressões ilegítimas, se elas foram sugeridas por alguém do governo ou do PS. Até hoje é mesmo a mais grave suspeita que pende sobre Sócrates. Porque se se prova que as pressões foram encomendadas, podemos legitimamente perguntar porquê, por quem e porque razão.


 


Devemos deixar que a justiça funcione. Mas até para o próprio Lopes da Mota a atitude mais digna seria a demissão até que tudo se esclarecesse. Tal como Dias Loureiro arrasta com ele o Presidente da República, Lopes da Mota trás atrelado o Primeiro-ministro.


 


Esperemos que o inquérito seja rápido e credível. Doa a quem doer.

 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...