16 maio 2009

Com dedicatória

 



(autor desconhecido)


 


Não temos o hábito de nos voltarmos

nos anos paralelos que vivemos

não temos o hábito de fotografarmos

gestos do amor silêncios amargos

não temos o hábito de nos trocarmos

em objectos mais ou menos habituais.


 


Habitualmente sou eu e és tu

mas temos o hábito de sermos nós.


 

É você

 


Já há 22 anos.


 



(Tribalistas)


 


É você

Só você

Que na vida vai comigo agora

Nós dois na floresta e no salão

Nada mais

Deita no meu peito e me devora

Na vida só resta seguir

Um risco, um passo, um gesto rio afora


 


É você

Só você

Que invadiu o centro do espelho

Nós dois na biblioteca e no saguão

Ninguém mais

Deita no meu leito e se demora

Na vida só resta seguir

Um risco, um passo, um gesto rio afora

Na vida só resta seguir

Um ritmo, um pacto e o resto rio afora


 

15 maio 2009

As 15 séries (ou mesmo 12) favoritas

As minhas séries favoritas, logo 15, que são muitas? Vamos lá a ver:



  • Clayhanger – Adorei esta série dramática, do que me lembro dela, de um rigor interpretativo totalmente britânico, um pai aterrador e castrador, uma irmã solícita, silenciosa e maternal, um rapaz de uma timidez e sensibilidade doentias, uma mulher estranha e diferente, que casa com um assassino, que reencontra o rapaz apaixonado e faz da vida dele um romance (é uma das frases do filme, deliciosamente pirosa).

  • Holocaust – Tudo o que se relaciona com o Holocausto e a 2ª guerra mundial é, para mim, de grande interesse. Esta série tinha todos os ingredientes para me prender, começando pelo excelente grupo de actores.

  • The World at War – Uma série indispensável que vi e revi. Quando resolveram oferecer-me o DVD encomendado na Amazon, sem legendas… foi publicado pelo Expresso um mês depois! Admirável e arrepiante, desde a voz de Laurence Olivier às imagens, à música, um documentário impressionante da loucura se uma parte do século XX.

  • Les enquêtes du commissaire Maigret – Mais uma série de culto, com a atmosfera do Sena e de Paris, o cachimbo e o cinzento da alma humana.

  • Allo ‘ Allo! – Listen very carefully, I shall say this only once!

  • Gabriela – A telenovela que me revelou o Brasil e Jorge Amado. Gostei também muito da telenovela seguinte, mas nenhuma foi tão memorável como esta.

  • All in the Family – Comédia de costumes intemporal. Há por aí muitas Ediths e muitos meatheads, muitos Archie Bunkers à nossa volta

  • Colditz - Semana após semana a torcer pelos prisioneiros britânicos.

  • O Tal Canal – Herman José fez uma revolução nos programas de humor portugueses. É um clássico.

  • ER – A série sobre médicos e medicina mais bem conseguida que eu conheço, muitíssimo melhor que Houses e semelhantes.

  • Silent Witness – O silêncio da morte ecoa pelos vidos. Excelentíssima série sobre os mistérios que levam a matar e a viver.

  • The Muppet Show – Uma série difícil de caracterizar, imperdível.


Afinal só me lembrei de 12!


 


E agora lanço a bola à Donagata, à MDSOL e ao A. Teixeira.

 



 

H1N1

 


A gripe não sazonal de tipo A (vírus H1N1) registou até hoje, em todo o mundo, segundo os dados fornecidos pela Organização Mundial de Saúde, 7520 casos, dos quais 65 foram mortais, ou seja, apresenta uma mortalidade de 0,8%.


 


Apesar deste índice de mortalidade ser semelhante ao da gripe comum ou sazonal, o problema destas pandemias é a possibilidade de haver cruzamentos e misturas de vários tipos de vírus, o que pode aumentar (ou diminuir) a perigosidade.


 


É prudente que todos estejamos alerta e que sigamos os procedimentos indicados, de forma a evitar, o mais possível, a disseminação da gripe. Como em tudo, o conhecimento é uma arma poderosíssima contra todos os males. Não há como nos mantermos informados sobre o que se passa.


 


Deixo aqui alguns sites em actualização permanente:



  • OMS - Organização Mundial de Saúde

  • CDC - Centro de Controlo e Prevenção de Doenças

  • DGS - Direcção Geral de Saúde



 


 

Amarras

 


Manuel Alegre não vai sair do PS. Vai continuar a dizer e a fazer o que lhe apetecer.


 


Acho que faz bem. Não sei é se quem alimentou esperanças de uma rotura no PS, tentando colar-se a ele para tirar dividendos políticos, como tem feito o BE, ou por pensar que é necessário outro partido mais à esquerda do PS, está assim tão feliz.


 


Não sei se esta permanência de Manuel Alegre no PS tem tradução no número de votantes no PS, mas parece-me que terá influência numa hipotética votação em Manuel Alegre, caso considere candidatar-se de novo a Presidente da República.


 

Demissões

Tenho lido e ouvido inúmeros argumentos a favor e contra a demissão de Lopes da Mota do seu cargo no Eurojust.


 


Sem que se adiantem as conclusões de um processo disciplinar  que vai agora começar e por muito que seja verdade que não há motivos formais para que Lopes da Mota seja suspenso, é óbvio que o facto de se manter em funções afecta a imagem do governo, muito especialmente a do Primeiro-ministro.


 


Fui daquelas que não acreditou na existência de pressões. Pense-se o que se pensar da robustez psicológica dos magistrados, parece-me indesmentível que as conversas de Lopes da Mota com os seus colegas parecem ter sido mais do que meras trocas de opiniões.


 


É claro que será o processo disciplinar que deverá apurar se essas conversas e essas pressões teriam intenções ilegítimas. Mas o facto de se ter avançado para um processo significa que há fortes indícios de que há matéria para procedimento disciplinar. E mais importante e significativo, caso tenha havido pressões ilegítimas, se elas foram sugeridas por alguém do governo ou do PS. Até hoje é mesmo a mais grave suspeita que pende sobre Sócrates. Porque se se prova que as pressões foram encomendadas, podemos legitimamente perguntar porquê, por quem e porque razão.


 


Devemos deixar que a justiça funcione. Mas até para o próprio Lopes da Mota a atitude mais digna seria a demissão até que tudo se esclarecesse. Tal como Dias Loureiro arrasta com ele o Presidente da República, Lopes da Mota trás atrelado o Primeiro-ministro.


 


Esperemos que o inquérito seja rápido e credível. Doa a quem doer.

 

13 maio 2009

De graus

 



(pintura de Mary Burke: blue steps)


 


Nos degraus que vou descendo

estádios em graus ascendentes

altos e sonoros desistentes.


 


Nos degraus que vou subindo

em estádios plenos de esforço

dor em graus de silêncio.


 


Nos degraus que me imponho

os graus que me compõem

sobem e descem sem estádios

intermédios.

 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...