10 fevereiro 2009

Dignidade no trabalho

 



(pintura de Aleta Gudelski: Laundry Day)


 


Nesta época de crise financeira e económica, antecedida por uma época de lucros desmedidos e inexplicáveis de algumas empresas, de fusões e de despedimentos, deslocalizações e precariedade laboral, o desemprego crescente, a nova pobreza e o descontentamento social mostram à evidência que a globalização deve assentar, tal como hoje foi enfatizou Juan Somavia, Director-geral da OIT, em valores de dignidade humana e de dignidade no trabalho.


 


São necessárias acções conjuntas a nível internacional, porque a intolerância e a xenofobia já começaram a manifestar-se, arrepiando só o imaginarmos a existência de 50 milhões de desempregados. É uma época em que os oportunismos e as falências fraudulentas vão crescer, em que haverá a tentação do regresso ao trabalho de escravo.


 


Temos agora que olhar para os outros e para nós, de nos perguntarmos o que podemos fazer do nosso emprego, como é importante dignificarmos o trabalho com esforço e profissionalismo, até porque temos a capacidade de desenvolver uma actividade, de termos uma remuneração mensal e de podermos participar activamente na sociedade, o que está a ser negado a cada vez mais pessoas.


 


O trabalho é um direito de todos os cidadãos e é um dever que cumprimos para nós próprios e para os outros. Convém que não nos esquecermos desse princípio.

 

07 fevereiro 2009

Thelonius Monk

 



 


 "Round Midnight" - Thelonius Monk Quartet

Aerofone

Há uma coisa que queria dizer, antes que me esqueça:


 


Neste momento está em votação o Aerofone e o nomeados são:


acordeão, bandoneón, clarinete, fagote, flauta, gaita-de-fole, oboé, orgão, trompa, trompete e saxofone.


 


E, já agora, alguém me explica para que serve o Twitter?


 

Promessas

Acabei de ouvir na TSF que o Primeiro-Ministro assume o casamento entre homossexuais e a regionalização eram uma bandeiras para a próxima legislatura.


 


Não consigo entender a falta de seriedade de Sócrates. O PS inviabilizou na Assembleia da República uma lei para a regularização deste assunto, em Outubro do ano passado!


 


E quanto ao referendo, depois de ter prometido um em relação ao Tratado de Lisboa, como poderemos nós acreditar num próximo para a regionalização?


 


A falta de oposição à direita é mesmo uma tragédia. As soluções únicas começam a impor-se com as únicas soluções. Nem no PSD nem no PS se vislumbram alternativas a José Sócrates. E o BE anda à procura de quem queira convergir mas parece que as convergências estão a arredar-se, até porque eles próprios se enredam nas divergências.


 


E depois o Presidente admira-se da falta de interesse pela política.


 

Artigos de opinião

Mesmo assim, nestas manhãs de sábados em que tento restaurar a cabeça, leio jornais.


 


Destaco 2 artigos dos quais não tenho links disponíveis:



  • "Carta aberta a Augusto Santos Silva e Manuel Alegre", de Henrique Neto - Público, pág. 38

  • "Ganância", de José Pacheco Pereira - Público, pág. 39.

Hibernação

Precisava que os dias tivessem muito mais horas e que cada minuto se prolongasse por 90 segundos. Amontoam-se obrigações, compromisso e ideias, que no turbilhão e na catadupa do trabalho se perdem por entre o tumulto da secretária.


 


Já tentei agendas, notas e papelinhos que inexoravelmente se perdem, esquecendo-me sucessivamente de consultar os plannings onde tento registar o que tenho para fazer.


 


Com tudo isso nem tenho tido ânimo de comentar os acontecimentos que não se esquecem de acontecer, mesmo que não haja acontecimentos ou que estes aconteçam por vontade dos criadores de acontecimentos, em vez de por existência própria.


 


Muito se fala do medo existente na nossa sociedade e, mais precisamente, do medo existente no PS. Pobre PS que tão medrosos militantes tem. Pobre PS que tão malheiros militantes tem.


 


Se isto é o retrato do resto dos partidos, do resto do país, bem podemos continuar nesta vida em que se debatem factos que não se sabem se existem ou não, suspeitas de corrupção e famílias de políticos, em vez de ir ao âmago das questões.


 


Há corrupção na nossa sociedade, há uma ineficácia atroz do nosso sistema de justiça, há um desgaste e um cansaço de todos perante tanto barulho para nada.


 


Os dinheiros públicos, as decisões dos governantes, etc., devem estar sob escrutínio público e o jornalismo livre e responsável é essencial na democracia. Mas quem escrutina as informações veiculadas pelo jornalismo se o sistema judicial não funciona?


 


O debate político está parado, esperemos que apenas em hibernação.


 


Sendo assim, vou aproveitando os 60 segundos de cada minuto para me dedicar aos múltiplos afazeres que me abafam. Vá lá que o dia hoje parece mais brilhante.

 

05 fevereiro 2009

Traulitadas

O estilo trauliteiro do Ministro dos Assuntos Parlamentares demonstra que ele decerto levou uma traulitada na cabeça.


 


Deve ser por isso que têm medo, os militantes socialistas, das traulitadas de Santos Silva. Manuel Alegre vai mantendo o estilo reserva moral do PS até ao bocejo.


 


No país em grande e caótica cavalgada para uma crise que se alimenta das traulitadas dos bancos, dos empresários e dos desgraçados que regressarão das terras para onde emigraram, ouvimos as esperanças governativas e o seus comentadores e opositores destratarem-se, falando de medo e de situacionismo, em linguagem desadequada e cansativa.


 


Chega e sobra para o aumento da desesperança.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...