07 fevereiro 2009

Hibernação

Precisava que os dias tivessem muito mais horas e que cada minuto se prolongasse por 90 segundos. Amontoam-se obrigações, compromisso e ideias, que no turbilhão e na catadupa do trabalho se perdem por entre o tumulto da secretária.


 


Já tentei agendas, notas e papelinhos que inexoravelmente se perdem, esquecendo-me sucessivamente de consultar os plannings onde tento registar o que tenho para fazer.


 


Com tudo isso nem tenho tido ânimo de comentar os acontecimentos que não se esquecem de acontecer, mesmo que não haja acontecimentos ou que estes aconteçam por vontade dos criadores de acontecimentos, em vez de por existência própria.


 


Muito se fala do medo existente na nossa sociedade e, mais precisamente, do medo existente no PS. Pobre PS que tão medrosos militantes tem. Pobre PS que tão malheiros militantes tem.


 


Se isto é o retrato do resto dos partidos, do resto do país, bem podemos continuar nesta vida em que se debatem factos que não se sabem se existem ou não, suspeitas de corrupção e famílias de políticos, em vez de ir ao âmago das questões.


 


Há corrupção na nossa sociedade, há uma ineficácia atroz do nosso sistema de justiça, há um desgaste e um cansaço de todos perante tanto barulho para nada.


 


Os dinheiros públicos, as decisões dos governantes, etc., devem estar sob escrutínio público e o jornalismo livre e responsável é essencial na democracia. Mas quem escrutina as informações veiculadas pelo jornalismo se o sistema judicial não funciona?


 


O debate político está parado, esperemos que apenas em hibernação.


 


Sendo assim, vou aproveitando os 60 segundos de cada minuto para me dedicar aos múltiplos afazeres que me abafam. Vá lá que o dia hoje parece mais brilhante.

 

2 comentários:

  1. Para substituir agendas, notas e papelinhos existe, há muitos anos, no mercado, um dispositivo, que cabe no bolso de uma camisa/blusa, para gravar as ideias que surgem. É só carregar no botão, explicar a ideia e desligar. Dá para mais de uma hora de gravação para, com tempo, se poder ouvir e anotar. Numa hora cabem mil ideias.

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