29 novembro 2008

Violência gratuita

Tenho tentado perceber mais este atentado terrorista.


 


Tenho tentado perceber porque é que 25 homens jovens ocupam lugares turísticos e desatam a matar pessoas. Se o alvo eram os ricos estrangeiros transformou-se em indianos, não sei se ricos se pobres.


 


Gente que ri e que chora, que ama e odeia, que come, que dorme, que vive, sobrevive e mata.


 


Tenho tentado ouvir notícias, comentários, explicações. De onde vieram, quem eram, se pertenciam a celas de uma organização globalizada, se eram amadores, fundamentalistas, um braço da Al Qaeda.


 


Não consigo perceber e penso que nunca o conseguirei.


 


Desafio musical

Este desafio é um dos mais engraçados que já me colocaram na blogosfera. Ricardo S lembrou-se de mim e eu vou tentar corresponder:


 


 


 



  • Disponibilizar uma foto minha – a Marisa Monte é muito mais mais bonita!

  • Escolher um cantor ou banda – Marisa Monte

  • Responder às questões com músicas desse(a) cantor ou banda;

  • Passar o desafio a quatro bloggers.


 


 



(dança da solidão, com Paulinho da Viola)


 



  1. És homem ou mulher? - Aquela

  2. Descreve-te - Preciso me encontrar

  3. O que pensam as pessoas de ti? - Não é fácil

  4. Como descreves o teu último relacionamento? - Ainda lembro

  5. Descreve o estado actual da tua relação - É você

  6. Onde querias estar agora? - Vilarejo

  7. O que pensas a respeito do amor? - Infinito particular

  8. Como é a tua vida? - Pra ser sincero

  9. O que pedirias se pudesses ter só um desejo? - Cantinho escondido

  10. Escreve uma frase sábia - Mais um na multidão


E agora que se desenvencilhem!



 

27 novembro 2008

Balbúrdia da corte

Apesar de totalmente esvaziadas as razões das queixas da FENPROF contra este modelo de avaliação do desempenho, em desespero de descredibilização total e mostrando as verdadeiras razões da luta, já ninguém aguenta mais ouvir falar nesta impossibilidade, nesta pressão do ministério, nesta defesa da escola pública.


 


Assim vamos dia a dia, com o Ministro das Finanças a ser o único que não vê motivos para alterar as previsões em que baseou o orçamento de estado para o próximo ano, com Durão Barroso a tentar sobreviver politicamente, aproveitando um fato que nunca lhe assentou bem mas que ele veste com gosto.


 


Tudo se especula e se desconfia, de tudo fazemos comissões de inquérito que se perdem na memória dos tempos, trucidam-se e mastigam-se os assuntos até à exaustão.


 


O pior é mesmo o desemprego e o fantasma da crise social, da penúria, da miséria, que já vemos tão longe, que a maior parte de nós nunca conheceu.


 


O pior é mesmo a balbúrdia da corte, que até parece um absurdo jogo de bobos.

Olhar


(escultura de Gustav Vigeland: Vigeland State Park)


 


 


Enchemos as bocas os braços as mãos

de queixas e tempo desocupado.

Deveríamos olhar mais a lua que o chão.


 


Farto-me do cansaço dos meus próprios passos

farto-me de palavras ruidosas inodoras.

Deveríamos olhar mais a lua que o chão.

23 novembro 2008

Lágrimas Negras

 


 



 


Letra e música de Miguel Matamoros


Cantam Diego el Cigala & Bebo Valdés


 


Aunque tu

me has dejado en el abandono

aunque ya

se han muerto todas mis ilusiones.


 


En vez de despedirme

con Justo encono

en mis sueños te colmo

en mis sueños te colmo

de bendiciones.


 


Sufro la inmensa pena de tu extravio

lloro el dolor profundo

de tu partida

y lloro sin que sepas

que el llanto mio

tiene lagrimas negras

tiene lagrimas negras

como mi vida.


 


Tu me quieres dejar

yo no puedo vivir

contigo me voy mi negra

aunque me cueste el morir


 


Tu me quieres dejar

yo no quiero sufrir

contigo me voy mi santa

aunque me cueste el morir.

Andar de bicicleta

As alternativas em relação ao transporte individual com o uso de bicicletas é muito interessante, se o andar de bicicleta fizer parte dos hábitos culturais dos povos e das pessoas, o que tem a ver inevitavelmente com a geografia do terreno.


 


É engraçado compararmos, quando viajamos pela Europa, os locais onde se anda de bicicleta, desde muito pequeno a adulto jovem ou velho, o facto de se utilizarem as bicicletas como transporte e até como veículo de encontros amorosos, com as imagens que temos de filmes que se reportam aos anos de 1940 e 1950, por exemplo nos filmes europeus que retratam a II Grande Guerra ou o pós guerra.


 


Os locais em que a bicicleta servia como meio de transporte habitual são os mesmos de hoje, talvez um pouco mais alargados nuns sítios e menos noutros, porque o acesso ao automóvel e a consciencialização ecológica se modificaram.


 


Mas em cidades com grandes desníveis de terreno nunca houve, mesmo quando não existiam carros, uma grande profusão de bicicletas. Talvez em Lisboa, um exemplo flagrante, fosse mais fácil e rentável investir em bons, frequentes e pouco poluentes transportes públicos, como eléctricos de maior velocidade, tróleis e metro.


 


Verdade seja dita isso dentro da cidade de Lisboa já há uma boa oferta de transportes públicos. O problema está na ligação entre as periferias e as grandes cidades. Aí sim faltam investimentos em alternativas credíveis, confortáveis, fáceis de usar, mais rápidas e mais económicas que os automóveis. E na zona da grande Lisboa, por muitos minutos verdes, consciências ecológicas e estilos de vida saudável não serão as bicicletas a resolver o problema.


 


A vida que as marca

Rituais diários que marcadores biológicos não estudados associaram à mulher.


 


Rituais diários que gerações culturais de homens dominadores e desdenhosos que sempre associaram as mulheres a seres submissos, manipuladores e diabólicos.


 


Rituais tão fora de moda que já voltaram à moda.


 


Rituais de gestos mecânicos, não valorizados, não quantificados, não remunerados que atiram a mulher para as franjas de trabalhos não reconhecidamente pesados.


 


Rituais que obrigam a mulher a estar presa aos seus próprios medos.


 


A violência contra as mulheres é quase um não acontecimento.


 



(foto de Rodrigo Cabrita; Dn - 22/11/2008)

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...