16 novembro 2008

Andreas Scholl

 



(Vivaldi - Sabat Mater)

Muerte del Angel

 



(Astor Piazzolla)

Momentos




(aguarela de Graham Swain)


 


Há momentos

em que a terra respira superficialmente

guarda gotas do suor dos tempos,


 


nessas mesmas horas em que adormecemos

e a desilusão se extingue

nas carícias que trocamos.

Labirinto


(aguarela - preto e branco - Roger Hayward)


 


 


Vamos perder-nos

por dentro do deserto

que abrimos

entre as pedras do amor

que percorremos

vamos perder-nos

no labirinto em

que nos vislumbramos

pelos passos pelos erros

pelos momentos

dos sublimes encontros.

Sem título


poema de Inês Torres


pintura de Braddy Romero Ricalde: the poet's dream


 


 


Não entendo a minha natureza de poeta,

nem me sei categorizar nessa condição.

Devo ser poeta das estrelas ou das coisas,

dos dias ou talvez dos sonhos, ou das árvores de outono.

Não sei bem.

Se calhar nem sou poeta,

sou só e sou sozinha.

E isso faz-me escrever.

Biografía


((poema de Gabriel Celaya)


 


La vida que murmura. La vida abierta.

La vida sonriente y siempre inquieta.

La vida que huye volviendo la cabeza,

tentadora o quizá, sólo niña traviesa.

La vida sin más. La vida ciega

que quiere ser vivida sin mayores consecuencias,

sin hacer aspavientos, sin históricas histerias,

sin dolores trascendentes ni alegrías triunfales,

ligera, sólo ligera, sencillamente bella

o lo que así solemos llamar en la tierra.

15 novembro 2008

Da unicidade

Quem não tem memória, não tem história


 


Em 14 de Janeiro de 1975, o PCP convocou uma manifestação em defesa da unicidade sindical. Nesse dia, em comunicado, a Comissão Política do CC do PCP, escrevia:


 



  • «A unicidade sindical foi amplamente discutida pelas massas trabalhadoras. Ninguém de boa fé pode contestar a esmagadora aprovação que lhe foi dada. Esta aprovação e as novas adesões que a todo o momento se vão registando da parte do movimento popular fazem da consagração da unicidade sindical a expressão de uma vontade do povo democraticamente manifestada. A manifestação que hoje tem lugar em Lisboa deve ser olhada corno uma inequívoca afirmação da vontade dos trabalhadores de que a unicidade sindical seja inscrita na lei.»


 


A manifestação convocada pelo PCP encheu as ruas de Lisboa. Em resposta, a 16 de Janeiro, num comício do PS, Salgado Zenha, não se atemorizou e enfrentou a «rua», afrontando a unicidade sindical, a qual não foi consagrada na lei, como «a vontade do povo democraticamente manifestada» exigia. Naqueles dias, dizer, como Manuel Alegre diz hoje, «não se pode tapar os ouvidos aos protestos» tinha sido fatal para a democracia. E o ontem e o hoje podem não ser muito diferentes. Sejamos claros, se alguém mudou não foi o PCP.


 


Tomás Vasques

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...