Finalmente libertaram Ingrid Betancourt!
(tomei conhecimento aqui)
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
José Sócrates safou-se bastante bem. Está em campanha eleitoral, explicou os problemas da crise internacional, soube introduzir as alterações e as benesses que vai distribuir agora. Foi contido, incisivo, pragmático e pragmático.
Respondeu bem às obras públicas, nomeadamente ao TGV, ao aeroporto (que foi um enorme imbróglio), às barragens e às auto-estradas, respondeu bem ao discurso derrotista e populista da crise e do drama. Respondeu menos bem à crise dos camionistas e à forma como tem reagido às contestações sociais.
O estudo de uma sobretaxa às mais valias das petrolíferas, o aumento das deduções das taxas de juro à habitação e a alteração do IMI, foram um enorme golpe para calar o BE e o PCP. A leitura das propostas do PCP foi mortal para este. Mas Sócrates não precisa de matar o PCP, ele próprio o faz continuamente.
Cinquenta vezes Sócrates em vez de uma só Manuela Ferreira Leite.
Ou seja, a Dra. Manuela Ferreira Leite considera que não faz ideia nenhuma dos encargos dos vários investimentos públicos que o governo vai fazer, mesmo tendo estado em governos que decidiram esses mesmos investimentos públicos, alguns em compromisso com outros países e com co-financiamento da UE, coisa a que não respondeu, o que vai fazer ao tal dinheiro de Bruxelas.
Também acha que o país, que atingiu o valor mais baixo de défice dos últimos anos, ao contrário do que aconteceu quando foi Ministra das Finanças, que o país está mais endividado do que nunca. Estaria a referir-se às famílias, ao Estado?
Quanto à redução do défice, afinal as contas públicas já não são prioritárias. Só no tempo dela é que eram, embora não o tenha conseguido fazer.
Enfim, os pobres podem ficar descansados, os velhos pobres e os novos pobres, porque a Dra. Manuela Ferreira Leite, que dá o dito por não dito em tudo, vai agora em socorro da emergência social, que ela sabe, e todos nós sabemos que existe, embora não haja estudos, o que é uma pena, e embora os relatórios sobre a pobreza não digam exactamente isso.
Todos devem ter acesso ao SNS mas quem pode deve pagar mais do que quem não pode. Como é que isso se faz? Divide-se a classe média, não sei para quê, porque não explicou. Afirma peremptória que Correia de Campos tinha razão nos seus objectivos (lembremo-nos que Correia de Campos sempre defendeu a redução do desperdício, a racionalização dos custos mas, e acima de tudo, a universalidade do SNS), mas não tinha razão na forma, porque fechou serviços onde não havia alternativas.
A Dra. Manuela Ferreira Leite quer ganhar as eleições com maioria absoluta. É contra o bloco central – concordamos numa coisa!
Quem não gostava do populismo a Santana Lopes e de Luís Filipe Menezes é capaz de gostar um pouco mais deste. Enfim, sempre é uma mulher na política, que fica tão bem nesta nossa sociedade tão machista!
(pintura de Laurie Zagon: warm changes)
Pesa-me o ar
este amarelo pardo
amolecida a vontade de mudar
pesa-me a espera
da inevitabilidade de mudar.
A partir de agora, e sempre que algum médico for agredido nos serviços de urgência de um hospital, fecham-se as urgências; sempre que algum funcionário das finanças for insultado, deixa de se cobrar impostos.
A falta de juízo destes titulares de um órgão de soberania é realmente inédita. E a falta que faz.
Nota: vale a pena ler Ferreira Fernandes e Nuno Brederode dos Santos, ambos no DN on-line.
Manuela Ferreira Leite tem gerido as suas funções como líder do PSD, não gerindo.
A ideia peregrina de tornar a dar o dito por não dito no caso dos investimentos públicos, leia-se TGV e novo aeroporto, por parte de quem teve responsabilidades políticas e executivas na decisão de avançar, e na definição dos traçados e das localizações, é mais uma machadada na credibilidade dos actores políticos.
E as novas palavras de ordem como emergência social não justificam nada. O mais triste é que ninguém acredita que esta posição seja ditada por convicções mas apenas por oportunismo político.
Será esta a credibilidade que se quer contrapor a Sócrates?
Vai ser interessantíssimo observar Pacheco Pereira e António Costa na Quadratura do Círculo, muito interessante mesmo.
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...