15 abril 2008

Sisters of mercy


 


Oh the sisters of mercy, they are not departed or gone.
They were waiting for me when I thought that I just can't go on.
And they brought me their comfort and later they brought me this song.
Oh I hope you run into them, you who've been travelling so long.

Yes you who must leave everything that you cannot control.
It begins with your family, but soon it comes around to your soul.
Well I've been where you're hanging, I think I can see how you're pinned:
When you're not feeling holy, your loneliness says that you've sinned.

Well they lay down beside me, I made my confession to them.
They touched both my eyes and I touched the dew on their hem.
If your life is a leaf that the seasons tear off and condemn
they will bind you with love that is graceful and green as a stem.

When I left they were sleeping, I hope you run into them soon.
Don't turn on the lights, you can read their address by the moon.
And you won't make me jealous if I hear that they sweetened your night:
We weren't lovers like that and besides it would still be all right,
We weren't lovers like that and besides it would still be all right.


 


(Leonard Cohen: sisters of mercy)

A Madeira e o Jardim

Alberto João Jardim soma e segue e continua. Mas isso já não me espanta. O desbocamento, a grosseria e o sentido de posse que tem do cargo que ocupa e para o qual tem sido sucessivamente eleito, valha a verdade, não é novidade. Mas ele ultrapassa-se sempre a si próprio.

O que também não é novo, embora não deixe de ser inédito, é o apoucamento que os mais altos representantes da nação aceitam desta personagem de opereta. Primeiro Jaime Gama, Presidente da Assembleia da República, depois os próprios deputados da Assembleia Regional da Madeira, que após um estremeção de ofensa não faltaram ao jantar solene oferecido ao Presidente, e por fim o Presidente da República que aceitou esta afronta ao país e a todos os cidadãos, ao regime democrático e à dignidade do cargo.

Alberto João Jardim recebeu na sua corte o Sr. Silva que, por acaso e lateralmente, é o Presidente desta República a que o Presidente Regional da Madeira transformou em bananas.

Adenda: vale a pena ler as declarações de Manuel Alegre e os posts de Medeiros Ferreira.

13 abril 2008

Dentro da vida

Não estamos preparados para nada:


certamente que não para viver


Dentro da vida vamos escolher


o erro certo ou a certeza errada


 


Que nos redime dessa magoada


agitação do amor em que prazer


nem sempre é o que fica de querer


ser o amador e ser a coisa amada?


 


Porque ninguém nos salva de não ser


também de ser já nada nos resgata


Não estamos preparados para o nada:


certamente que não para morrer


 


(poema de Gastão Cruz)


 



(pintura de Judith Goldstein: The Tree of Life and Death)

Campos

Os vivos sobrevivem, condição


simples de quem será sobrevivido


 


Olhando os campos verdes do inverno


é como se no escasso coração


 


da minha vida o sangue recebido


de quem antes viveu ficasse eterno


 


até à minha morte e, depois dela,


noutros sobreviventes esse rio,


 


não meu e meu ainda, perdurasse


E os campos, que não vela


 


nenhuma névoa humana, o mesmo rio


do meu sangue para sempre inundasse


 


(poema de Gastão Cruz)


 



(pintura de Carry Ackroid : Green Fields )

Enquanto

Enquanto não estamos preparados
para o canto da lareira
o adormecimento trôpego
de xailes e barbas brancas
enquanto não chegarmos à beira
do afundar das cadeiras
do ensurdecer de mudez
enquanto olharmos o tempo
de lado sacudindo inércias
saberemos atar as mãos
que manteremos apertadas
por sementes e ramos verdes
entre pássaros aninhados.


 



(pintura de Andrew Newman : Long House West of Lancaster , III)

Democracia individualizada

Tenho acompanhado, com alguma estupefacção, a polémica à volta da contratação de Fernanda Câncio para um programa da RTP2 .


 


O PSD, que tanto se preocupa com a qualidade desta democracia, com o medo instalado na sociedade portuguesa, com as perseguições por delito de opinião, empenha-se agora em desacreditar totalmente a função nobre de político.


 


Este PSD junta uma incompatibilidade: o ter relacionamentos pessoais com os detentores de cargos públicos.


 


Não se sabe exactamente até que tipo de relacionamento se deve estender a incompatibilidade: namorado (a)? Irmão (ã)? Pai (mãe)? Filho (a)? Primo (a), do 1º, do 2º grau? Ex-mulher (marido)?


 


Mais uma proposta de lei a apresentar na Assembleia da República: o melhor mesmo é os políticos serem ascetas, orfãos , solitários e autistas, totalmente consagrados à pátria.


 


Extraordinário.


 


Adenda: este post foi refeito pois tinha pressupostos errados. As minhas desculpas a quem já o tinha lido.

12 abril 2008

Andy Newman

Andrey Newman expõe de novo na galeria Arte Periférica. Dei com ele, literalmente, por acaso.


 


A sua pintura é lindíssima.


 



(Acending Road, Carme)


 


(Back Street, St. Ives)                                           

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...