Naquele lugar vazio à minha mesaestão os amáveis fantasmas familiares
os simpáticos defuntos que nos acompanham
para lá do amor e da raiva
dos desencontros da carne e do espírito.
Naquele lugar vazio à minha mesa
estão os fantasmas que ignoramos
os ausentes presentes que não se esquecem
para lá do amor e da raiva
entre cruzamentos desabrigados da alma.
Naquele lugar vazio à minha mesa
estão os olhares escondidos
que serenamente me contemplam
para lá do amor e da raiva
entre silêncios imutáveis rios de distância.
(ilustração de Filipe Franco: romãs)

