Num país em que se fazem grandes encontros e cimeiras vão-se esquecendo os problemas internos, ou faz-se o possível para não falar deles.
A discussão que se não faz sobre o papel do estado, sobre a escolha daquilo que o estado português deve ou não deve assegurar aos seus cidadãos, essa decisão que ninguém quer claramente assumir, esse é verdadeiramente um assunto de divisão ideológica que este governo deveria esclarecer.
Enquanto se assiste à amálgama em que se transformam os serviços públicos, cada vez mais turva e mais mole, haver hospitais que proíbem consultas a quem não pagou as taxas moderadoras, ou que apaguem ficheiros a quem tem dívidas de taxas moderadoras, é vergonhoso e merece que nos revoltemos.
Está definitivamente demonstrado que quem não tiver dinheiro para pagar as taxas moderadoras não tem direito às consultas no serviço nacional de saúde. E isso é intolerável porque divide os cidadãos em estratos dependentes do poder económico.
E não vale a pena sermos ingénuos e falsamente moralistas invocando o estatuto de caloteiros. Quem necessitar de pagar taxas moderadoras para as análises de rotina, marcadores tumorais, ECG, TAC, e consultas de especialidade, para além dos medicamentos e dos transportes até aos hospitais ou centros de saúde, principalmente se viver com baixos ordenados, fica mesmo a dever as taxas moderadoras.
Espero que o Sr. Ministro da Saúde seja veemente na condenação a esta vergonhosa visão da prestação de serviços públicos, já que célere foi pouco.
A discussão que se não faz sobre o papel do estado, sobre a escolha daquilo que o estado português deve ou não deve assegurar aos seus cidadãos, essa decisão que ninguém quer claramente assumir, esse é verdadeiramente um assunto de divisão ideológica que este governo deveria esclarecer.
Enquanto se assiste à amálgama em que se transformam os serviços públicos, cada vez mais turva e mais mole, haver hospitais que proíbem consultas a quem não pagou as taxas moderadoras, ou que apaguem ficheiros a quem tem dívidas de taxas moderadoras, é vergonhoso e merece que nos revoltemos.
Está definitivamente demonstrado que quem não tiver dinheiro para pagar as taxas moderadoras não tem direito às consultas no serviço nacional de saúde. E isso é intolerável porque divide os cidadãos em estratos dependentes do poder económico.
E não vale a pena sermos ingénuos e falsamente moralistas invocando o estatuto de caloteiros. Quem necessitar de pagar taxas moderadoras para as análises de rotina, marcadores tumorais, ECG, TAC, e consultas de especialidade, para além dos medicamentos e dos transportes até aos hospitais ou centros de saúde, principalmente se viver com baixos ordenados, fica mesmo a dever as taxas moderadoras.
Espero que o Sr. Ministro da Saúde seja veemente na condenação a esta vergonhosa visão da prestação de serviços públicos, já que célere foi pouco.
O problema, Sofia, é saber quem pode e quem não pode pagar. Se for pela declaração de rendimentos, são sempre os mesmos. Se for pelo RMG, rebaptizado RSI, há muitos que o recebem sem a ele terem direito. Se forem só os do complemento solidário, há muita gente que terá de pagar e não pode. Então como? Eu não vejo solução, a não ser um eficaz combate na fuga ao fisco e a acção moralizadora dos médicos, que têm condições de saber quem usa o SNS e quem dele abusa. Mas não creio que os médicos concordem com isso - eu, se fosse médico, não concordava. Talvez o ministério devesse lançar um concurso de ideias não remunerado. Quem tivesse a ideia luminosa da medida justa, poderia ter uma sala com o seu nome num hospital público de referência.
ResponderEliminarNo fundo, no fundo, o problema é filosófico: deve ou não admitir-se que a saúde deve ser gratuita ou tendencialmente gratuita. No fundo, no fundo, eu acho que é para ter saúde, educação, justiça e segurança que pago impostos.
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