08 setembro 2007

Oposição (1)

Alerta do PCP relativamente à política deste governo (em 2007) do PS:
  • trata-se de uma política de cujo conteúdo essencial emergem sinais de iniludível cariz fascizante
  • política de direita
  • o governo PSD/José Sócrates leva essa ofensiva mais longe e mais fundo do que qualquer governo anterior e confere-lhe uma tónica crescentemente antidemocrática
  • ataque feroz aos direitos dos trabalhadores
  • liberdades políticas, designadamente à liberdade de expressão e de opinião
  • direitos, liberdades e garantias dos cidadãos
  • independência e soberania nacional
  • (o governo escolhe) como alvo prioritário os valores de Abril que venceram o fascismo
  • os perigos que espreitam a democracia do país são por demais evidentes
  • luta das massas trabalhadoras
  • travar a tentativa perigosa do Governo e do PS para descaracterizar a Constituição laboral
  • contra a injustiça e a insegurança
  • com o PCP, por um Portugal de futuro

Penso que o PCP e a Festa do Avante se transformaram numa celebração do tipo dos festejos da Nossa Senhora da Rocha, de tal forma típicos e genuínos que são, com os seus rituais de linguagem e música, a sua mística, o seu enlevo. Jerónimo de Sousa é um verdadeiro filho do proletariado, que fala às massas trabalhadoras contra os perigos do fascismo, o avanço do grande capital e a luta pela defesa das conquistas de Abril.

E assim vai a nossa oposição de esquerda.

Atrevimento

Ao fim de algum tempo, em que se tinha tornado uma rotina o hábito de viver com chama morna, arrastada pela vertigem do tempo, atrevo-me a abrir os olhos, sentir as nuvens como carícias, orientar o aparente caos que me envolve, a ter coragem de gozar esta felicidade.


(pintura de Natasha Wescoat: blossoming happiness)

Remunerações e carreiras no SNS

Segundo uma notícia do Expresso (01/09), de que tive conhecimento através do blogue Saúde SA, o Ministro da Saúde terá criado um grupo de trabalho para avaliar as carreiras e remunerações no SNS, no âmbito da reforma do Estado.

Faço votos para que o trabalho seja rápido e eficiente, pois é imperativo que se reestruturam as carreiras específicas dos trabalhadores da saúde, acabando com os inúmeros subsídios, horas extraordinárias e outro tipo de suplementos, que poderão chegar a quase 40% do vencimento base.

Esperemos que o novo regime, conjugado com o sistema de avaliação de desempenho, possa servir para definir remunerações dignas, que correspondam ao trabalho desenvolvido, ao desempenho e à responsabilidade inerente a cada função.

Náusea

O caso do desaparecimento de Madeleine McCann, por muito que queira manter-me afastado dele, teima em permanecer como um ruído ensurdecedor de imagens conflituais, emoções escondidas e náusea.

Náusea pelo circo montado à volta do rapto ou morte da criança, dos pais, do peluche, dos amigos, das polícias, dos jornais, das televisões, do site, dos balões, das flores, das fitas amarelas, das orações, do Vaticano, das entrevistas, dos cães, do cheiro a morte, do sangue no carro, dos laboratórios forenses, dos opinantes advogados, dos comentadores psicólogos, dos peritos médicos, dos populares que apoiam e apalpam e choram e gritam, dos populares que apupam e vaiam e insultam e gritam.

Não sei o que se passou, mas a hipocrisia de tudo e de todos é chocante, assim como ver as feras a espreitarem as presas e a afiar as garras antes de as abocanharem.

07 setembro 2007

Nessun Dorma

Nessun dorma! Nessun dorma!
Tu pure, o, Principessa,
nella tua fredda stanza,
guardi le stelle
che fremono d'amore
e di speranza.

Ma il mio mistero e chiuso in me,
il nome mio nessun sapra!
No, no, sulla tua bocca lo diro
quando la luce splendera!

Ed il mio bacio sciogliera il silenzio
che ti fa mia!

(Il nome suo nessun sapra!...
e noi dovrem, ahime, morir!)

Dilegua, o notte!
Tramontate, stelle!
Tramontate, stelle!
All'alba vincero!
vincero, vincero!


(Puccini; Ian Pollock: Pavarotti)

06 setembro 2007

Sal

De lado como as aves
oblíquo desejo nocturno
descanso os olhos.

Sabes-me a sal.


(pintura de Nick Ashby: Night Birds)

Cadeia

Desenhamos as mãos na mesa
numa cadeia incandescente
dedos madeira
olhos
cansados da distância
do azul que somos por fora
sempre fora
desta cadeia evanescente.

(mobiliário desenhado por Kendall LeCompte: Patio Table and Chairs)

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...