19 julho 2007

Louras




Duelo de titãs!

A Generala

Não há dúvida que Portugal tem muito boa imprensa internacional, façanhas invejáveis e invejadas!

Janelas

Medi o chão em milhares de passos,
alguns ofegantes alguns hesitantes
mas ainda não absorvi o espaço em mim.

Mergulhei em todos os milímetros das paredes
em todos os pontos assimétricos de luz
mas ainda não acendi o lume em mim.

Falta-me ainda o espanto inacabado
com que abrirei todas as manhãs
janelas de sonhos incandescentes.


(pintura de Stephen Lack: Y fish windows)

18 julho 2007

Louvação do barro

Cantarei o barro, porque nele esteve a vida
e este sangue que ferve em nosso corpo.
Meus olhos de barro pressentem o repouso
e o clarão imortal de uma outra vida.

Cantarei o barro porque foi amassada
a nossa carne do barro inconsistente
e na argila curtida e inanimada
o sopro de Deus entrou como a semente.


(poema de Marìa Manenttrad. João Cabral de Melo Neto; escultura de Rodin: mão de Deus)

15 julho 2007

Eleições intercalares de Lisboa

(Às 21:51h)

A abstenção, como se esperava, foi homérica.

Custa-me muito que se ouça, a todo o instante, o discurso dos maus políticos e da má política, quando os cidadãos se demitem de se pronunciar, se alheiam da cidadania. Era bem melhor que nos exigíssemos mais a nós próprios, em vez de carpirmos a nossa própria incapacidade de intervir.

O PSD (e Marques Mendes) perdeu tudo o que tinha a perder: perdeu pelo tempo que a Câmara levou a cair; perdeu porque não houve dissolução da Assembleia Municipal; perdeu porque Paula Teixeira da Cruz, entre outros, não avançou; perdeu porque escolheu Fernando Negrão; perdeu porque ficou em terceiro lugar; perdeu porque ficou atrás de Carmona Rodrigues.

O CDS (e Paulo Portas) perdeu tudo o que tinha a perder: perdeu porque incorporou uma estratégia de ataque a Maria José Nogueira Pinto; perdeu porque Paulo Portas não avançou; perdeu porque escolheu Telmo Correia; perdeu porque não conseguiu eleger nenhum vereador.

O BE perdeu pouco: apenas conseguiu manter um vereador.

José Sá Fernandes ganhou: os votos foram para ele, que fez um bom lugar.

Helena Roseta ganhou mais do que perdeu: conseguiu eleger mais que um vereador.

O PCP (e Ruben de Carvalho) ganhou: merecia, pela seriedade e bom trabalho desenvolvido.

Carmona Rodrigues ganhou e muito: ficou em segundo lugar depois de ter caído com a Câmara; ficou à frente do candidato do partido que lhe retirou o apoio.

O PS (e António Costa) ganhou: ganhou a Câmara; não contabilizou os votos contra o governo; foi pouco tocado pelos independentes, embora a presença de Helena Roseta o possa ter impedido de ter maioria absoluta.

Enfim, daqui a dois anos há mais.

Teorizemos

Segundo o site da meteorologia, hoje prevê-se chuva em Lisboa e uma temperatura máxima de 25ºC.

Para além do número de eleitores a mais, fantasmas, inscritos nos cadernos eleitorais de Lisboa, como, aliás, do resto do país, o que aumenta artificialmente a abstenção, tenho curiosidade em ouvir as justificações para não se votar.

Há já várias explicações, segundo os vários comentadores, que vão desde o sol, a praia, as férias, a falta de assunto para se discutir, a fraca campanha, a tristeza dos candidatos, enfim, há para todos os gostos.

Mas também há apelos que, por si só, são já uma explicação engenhosa da provável elevadíssima abstenção – a desobediência civil.

De facto é uma forma de luta teoricamente interessante, não se sabe bem é com que objectivo. Se as pessoas utilizassem essa arma para protestar (?) seria bom que quem defende semelhante opção nos esclarecesse como se deveria encarar o dia seguinte. Acabava-se com as eleições? Como se escolhiam os governantes? Não havia governantes, ou seria melhor organizar um golpe de estado, ou uma revolução, encabeçada por um herdeiro de Salazar que guiasse (e mandasse) este povo de maus costumes, esta sociedade dissoluta, em que até se fazem referendos e se aprovam leis contra a vida? Ou, pura e simplesmente, numa orgia de cada um por si, não houvesse qualquer forma de governo? Ou íamos buscar o D. Duarte Pio e restaurávamos a monarquia? Ou então o proponente da desobediência civil inaugurava a sua própria dinastia?

Gostaria de saber como se levam até à última consequência determinado tipo de ideias. Ou, pura e simplesmente, são apenas um exercício de estilo azedo, resmungão, apocalíptico, resinoso e rezingão, e não são para levar a sério?

14 julho 2007

Abandono

Sei do gozo e do infinito
de te querer
de sair do meu corpo
e fugir
para o fundo de ti.

(escultura de Camille Claudel: o abandono)

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...