Vi ontem o segundo episódio do programa de António Barreto (Portugal, Um Retrato Social), que desde que foi anunciado andei a perseguir, tendo perdido ingloriamente o primeiro episódio.
De facto, Portugal modificou-se muitíssimo neste últimos 40, 50 anos. As ambições, as expectativas, as oportunidades que os filhos dos carpinteiros, dos lavradores, dos homens e mulheres que povoavam o campo, pobres e analfabetos, as diferenças entre os géneros, a influência da Igreja nos usos, nos costumes e na consciência colectiva, o respeitinho, mudaram radicalmente e em pouco tempo.
Apesar das diversas crises, económica, educativa, judicial e outras, sucessivas e duradouras, Portugal é, hoje em dia, um país onde se vive melhor, com infra-estruturas, em que há maior igualdade de oportunidades para todos, independentemente do meio sócio económico em que se vive.
No entanto a perpetuação do sistema educativo tal como está, com os preconceitos pseudo esquerdistas, a falta de rigor e disciplina, o aligeiramento dos curricula, a desculpabilização e paternalismo da ignorância, pode novamente subverter o objectivo de igualizar as oportunidades, independentemente do poder económico e social.
Um dos maiores desafios do nosso país é precisamente esse: a melhoria da qualificação e a motivação das aprendizagens, sem ceder ao populismo do chamado eduquês. Isso é condenar os filhos dos iletrados a iletrados quase obrigatórios, apenas porque o estado não zela por esse direito e não faz o seu dever.