07 abril 2007

Diplomas e afins

Quase todos os dias têm saído notícias sobre o percurso académico de Sócrates, insinuando que alguém lhe arranjou o diploma sem que ele, por isso, lutasse.

Já aqui aflorei a questão, quando saiu a primeira matéria no Público, que fazia uma grande e importante investigação, concluindo apenas que a Universidade Independente poderia favorecer passagens administrativas ou de outro tipo, sem que fossem necessários quaisquer créditos de conhecimentos e de prestação de provas.

É um problema grave, tanto mais que põe em dúvida quaisquer diplomas entretanto saídos desta Universidade, portanto a credibilidade da própria Universidade e do ensino superior privado, por generalização, quantas vezes abusiva.

Espero que o primeiro-ministro esclareça o que tem a esclarecer, ou seja, que não comprou o seu diploma, que não usou a sua influência de político e homem público para obter créditos de formação que nunca teve.

Porque este é o verdadeiro problema, uma questão do carácter do cidadão José Sócrates e da forma como se usa o poder, seja ele de que tipo for e em que circunstâncias forem.

Relativamente à forma como algumas universidades funcionam e funcionaram, gostaria que todos os profissionais e pessoas com responsabilidades políticas olhassem para os seus próprios cursos e diplomas universitários. Que me lembre, houve numerosas passagens administrativas e cadeiras feitas com trabalhos pseudo políticos em todos os tipos de curso, nomeadamente nos de Medicina, em épocas que já lá vão. Será que esses alunos recusaram as conclusões das cadeiras universitárias ou as notas igualitárias para quem tinha o nome em trabalhos que nunca fez, por nobreza, rectidão e amor à verdade? Qual a credibilidade que esses profissionais têm nas mais diversas áreas, e que ocupam agora lugares de responsabilidade técnica e política? E que tal o Público investigar essas tão candentes e importantes matérias?

Esta é uma campanha de assassinato de carácter. Vamos ver se José Sócrates o tem ou não. Mas não por ter feito o curso melhor ou pior, não pelo rigor das aulas ou das avaliações, mas apenas se foi só para ele, por ter capacidade de influência política.

Quanto ao resto, talvez fosse mais produtivo discutir a sério a fraude que foi e é o negócio do ensino superior privado, sem regras nem critérios de qualidade, deitando para o desemprego quaisquer indivíduos que por lá passem.

Por outro lado a americanização do escrutínio das figuras públicas assusta-me. A pseudo moralização da vida pública e privada é um engano. As pessoas que nós elegemos não são obrigatoriamente santas, não têm vidas sem mácula, são tal e qual como todos nós. Uma coisa é a fraude e as atitudes que são criminalmente julgadas, outra coisa os pecados cometidos que não impossibilitam uma actuação de serviço público.

É por estas e por outras que há um afastamento cada vez maior entre os governantes e os governados. E os media deveriam reflectir se estão a cumprir a sua missão de informar, ou apenas a participar de uma luta política sórdida, ou mesmo de uma vingança do poder económico em relação ao poder político (ele há algumas coincidências…).

1 comentário:

  1. impaciente16:24

    São as suspeitas naturais quando se fala das Universidades dos 3 Ps: (Pagou Propina, Passou!). Gostava de saber quantos diplomas foram passados, nos idos de 74/75, sem pagamento... por Universidades públicas!
    Talvez as surpresas fossem imensas!

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