Com a chegada de Jesus Cristo, a marca de Deus passou a ser o comportamento do indivíduo, os seus valores de humanidade, solidariedade e tolerância. A partir dessa altura Deus passa a ser universal e olha por todos, crentes e não crentes, desde que a sua vida espelhe esses valores.De facto, há uma grande diferença entre o Antigo e o Novo Testamento, no que diz respeito à imagem de Deus e ao significado da vivência religiosa.
Não é fácil para quem não é religioso falar sobre estes assuntos. Mas a religião ou o misticismo não religioso faz parte da vida humana. A procura de explicações para o inexplicável pode sintetizar os saltos de aprendizagem e conhecimento. A aceitação do divino pode ser uma necessidade individual, mas nunca deve ser confundida com a realidade e nunca deve ser usada como substituição do real.
A discussão a que se tem assistido nos últimos tempos sobre o criacionismo é reveladora da confusão que se pretende criar entre o que é a ideologia e a fé e o que é o estudo controlado, reprodutível, científico, dos fenómenos a que assistimos, sejam eles biológicos ou comportamentais, orgânicos ou inorgânicos, animais ou vegetais, moleculares ou planetários, da matemática, da paleontologia ou da neurociência.
Esta é uma época especialmente manipuladora, para quem tem uma visão evangelizadora da própria fé. O estado, os serviços públicos, devem ser rigorosamente laicos. Só assim é possível aceitar todas as tendências religiosas, ateias ou agnósticas, e garantir que todas sejam respeitadas de igual forma.
Por vezes, e olhando para as programações da televisão pública, para algumas comemorações oficiais, para a água benta aspergida em inaugurações do estado, pergunto-me onde está a República laica, a separação entre a Igreja (qualquer uma) e o Estado.
[Ugolino Lorenzetti (1300's): The Crucifixion of Christ]
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