07 abril 2007

Relíquias

Nestes dias de santidade cristã e fabricação de beatos e santos, tem alguma graça irónica a descoberta da falsidade das relíquias atribuídas a Joana d’Arc.

Não há dúvida que a ciência e o conhecimento são um perigo para instituições que se mantém à custa da credulidade e da ignorância dos povos.

O desmontar de crenças, mitos e lendas é tão importante como a tradição da manutenção cultural das mesmas. Não percebo porque se impede a investigação dos restos mortais (se é que existem) dos túmulos de D. Afonso Henriques e de D. Sebastião, ou o estudo dos enigmas do sudário.

A fé e os ensinamentos daqueles que são tornados santos e transformados em deuses não diminuem pelo conhecimento real e científico dos factos, mesmo que seja para desmascarar mentiras seculares. A fé é um assunto privado e tem a ver com o mecanismo da nossa mente, do nosso cérebro, não com a alimentação de mitos que, mais tarde o mais cedo, cairão esmagados pela evidência.

[Centre Historique des Archives Nationales, Paris: Imagem de Joana d’Arc (1450 – 1500)]

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