08 março 2007

Mulheres

Não sou a favor de Dias Internacionais de nada, nem da mulher, nem do homem, nem da criança, nem de nenhum órgão, doença, causa ou animal em perigo de extinção, de árvores ou arbustos, de patrimónios arquitectónicos ou naturais.

Mas isso não significa que não existam discriminações, nomeadamente no que diz respeito aos géneros feminino e masculino.

De uma forma geral as mulheres trabalham mais horas que os homens, pois acumulam várias actividades profissionais: uma que, eventualmente, escolhem, e que é remunerada, outras que carregam pelo simples facto de terem nascido com o par de cromossomas XX e que são as de empregada doméstica e de educadora de infância.

De facto, e por enquanto, a existência de útero implica gravidezes e partos, a existência de mamas e várias hormonas (estrógenos, prolactina, oxitocina, etc) implica amamentação. Mas não implica levantar-se a meio da noite sempre que a criança chora, mudar fraldas, levar as crianças aos infantários, aos colégios, aos amigos, aos pediatras, aos dentistas, comprar-lhes roupa, vesti-los, calçá-los, dar-lhes de comer, dar-lhes banho, adormecê-los e acordá-los.

Também não implica saber o funcionamento e os programas das máquinas de lavar roupa e louça, de detergentes, da arte de passar a ferro camisas e calças, de limpar nódoas de gravatas, de passajar meias e de coser botões, de trocar lâmpadas quando se fundem, de ir às compras, de cozinhar, de saber de limpezas de pó e de cera para móveis, de mudanças de roupa da cama, de renovar pratos quando se partem, e de pensar em tudo, prever tudo, lembrar de tudo!

É verdade que muito já se fez, mas muito há ainda para fazer. E o mais difícil é convencer as próprias disso. Até porque medidas que são muito populares e muito politicamente correctas, muito defensoras das crianças e do bem-estar da humanidade futura, com dar muitos meses À MÃE para ficar com as crianças, pode funcionar exactamente no sentido do retrocesso, levando a que cada vez mais mulheres se afastem do mercado de trabalho, porque são preteridas.

Gosto de comemorar todos os dias na partilha de direitos e deveres entre pessoas, homens e mulheres, velhos e novos, com as suas diferenças e complementaridades.

Nota: Obviamente que tudo isto só se aplica ao nosso pequeno mundo privilegiado e rico.

(Pintura de Pablo Picasso: mulheres)

06 março 2007

Novidades

As funcionalidades que eu vou descobrindo no blogue actualizado são muito interessantes!

Podem-se agrupar os diversos posts por temas. E, não sei como o fiz, mas a verdade é que devo ter ligado o blogue a motores de busca, pois tenho IMENSAS visitas, nomeadamente de CHINESES!

A pouco e pouco vou adicionando palavras-chave aos posts, o que ainda vai demorar algum tempo.

Espectacular!... Não?

Gaivotas


Hoje, numa das últimas rotundas por onde passo todos os dias, havia uma reunião de gaivotas.

Estavam dispersas, pouco concentradas, debicando aqui e acolá, na relva, sem confraternizarem umas com as outras.

Deviam esperar alguma gaivota importante, talvez a responsável pelo “meeting”. Viria majestosa e altiva, ou apressada e alegre? Seria recebida com gritos aprovadores, ou com silêncio e distância?

05 março 2007

Embalagem

E por falar em Helena Sacadura Cabral e programas da tarde na rádio, eles parecem-se perigosamente com as revistas que acompanham os jornais de fim-de-semana e com as revistas ditas femininas, de uma forma geral.

Essas revistas são habitualmente em bom papel, com um capas cuidadas, boas fotos, lindas cores e nenhum conteúdo. É só a embalagem.

Todas têm os mesmos temas: decoração de interiores (ideias lindíssimas e inexequíveis), moda feminina (roupa caríssima e que ninguém, no seu juízo perfeito, usa), um pouco da masculina (pretexto para publicar fotografias de homens), cosmética, psicologia (relações, muitas relações, muito amor, muito companheirismo, muito sexo, muitos lugares-comuns), puericultura (ou de como ficaremos para sempre escravos dos nossos maravilhosos e problemáticos filhos), relatos de mulheres bem sucedidas em profissões que ninguém sabe que poderiam existir, muito ligadas ao bem-estar espiritual, absolutamente indispensáveis nos dias que correm, objectos informáticos e/ou desportivos que apelam ao nosso consumo mais primário, crónicas que falam de comida, de assuntos de saúde, signos e coisas que tais.

Todos os fins-de-semana chego à conclusão que não devo ser nada feminina! Mas esse é outro dos tópicos preferidos dessas revistas!

A Grande Portuguesa - rectificação

Tenho que fazer uma rectificação ao post A Grande Portuguesa.

É que o programa de rádio que eu ouvi, com tamanha contribuição de Helena Sacadura Cabral, não foi no Rádio Clube Português mas sim na estação Europa Lisboa (90.4 FM), e não foi na 6ª mas na 5ª feira passada!

Eu também já estou um bocadito (!) passada e algo (!) desmemoriada.

A propósito já sei como se chama o programa da tarde (o tal das pepineiras): Janela Aberta. E aproveito para dizer que gosto bastante do Europa Lisboa, principalmente da excelente música que passam. Quanto ao resto…

As minhas humildes desculpas.

04 março 2007

Do outro lado

Sigo muros rugosos
arbustos de pedras.
Do outro lado esperam
prados verdes
rios de amoras.

Quando chegares
iremos inaugurar
o mundo.


(Pintura de Charles Wilder Oakes: The Fabric of the Old Ways)

A Grande Portuguesa

Entrou na moda o Rádio Clube Português (RCP). Penso que o Luís Osório está sempre bem, e qualquer coisa que ele faça, ou esteja para fazer, é anunciada com alguma pompa e circunstância. Foi assim com A Capital, é assim com o RCP.

Eu tenho ouvido o programa orientado por Adelino Faria, para desenjoar da gritaria da TSF, e gosto bastante. Gosto daquele conceito de usarem um tema e de o escalpelizarem ao longo da manhã, discutindo-o sob vários ângulos e com várias pessoas.

No entanto as poucas vezes que tenho ouvido o RCP à tarde, por volta das 5, 6 horas, tenho achado uma pepineira desgraçada. Não sei como se chama o programa mas outro dia, penso que na última 6ª feira, discorria Helena Sacadura Cabral sobre a sua (dela) tristeza pela ausência de mulheres nos 10 finalistas do celebérrimo concurso Os Grandes Portugueses, revoltando-se perante o machismo dos portugueses e das portuguesas, que não tinham sido capazes de vislumbrar uma única Grande Portuguesa.

E deu o inexcedível exemplo de uma mulher que podia (deveria?) constar da exígua lista dos Grandes, nada mais nada menos que D. Filipa de Lencastre. Ainda raciocinava eu no porquê desta sua indicação quando ela, que não deixou a interpretação de tão eigmática opinião ao acaso dos meus fracos neurónios, justificou a preferência: pois não foi a rainha, D. Filipa de Lencastre, que deu à luz e à pátria tão excelsos filhos, conhecidos como a Ínclita geração?

E pronto, à falta de melhor, as Grandes Portuguesas são-no porque… são responsáveis por parir Grandes Portugueses!

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...